Xô!

Pedernilson e a mosca presunçosa.

Há dois textos franceses que bem valem repetir, até porque o dia nunca nos permite saborear o que jaz dèjá sepulto, na poeira escondido, definitivamente esquecido.

São dois textos de La Fontaine, tendo por personagem principal uma mosca.

Falarei de um deles hoje, “La Coche et la Mouche”, ou ‘A Mosca e a Carruagem’, deixando o outro para depois, se sua temática me valer esforço.

Vamos ao primeiro, em sua versão como colhi na internet, de modo a satisfazer quem dele assim gosta; ler no original.

La Coche et la Mouche
 
Dans un chemin montant, sablonneux, malaisé,
Et de tous les côtés au soleil exposé,
Six forts chevaux tiraient un coche.
Femmes, Moine, Vieillards, tout était descendu.
L’attelage suait, soufflait, était rendu.
Une mouche survient, et des chevaux s’approche;
Prétend les animer par son bourdonnement;
Pique l’un, pique l’autre, et pense à tout moment
Qu’elle fait aller la machine,
S’assied sur le timon, sur le nez du cocher ;
Aussitôt que le char chemine,
Et qu’elle voit les gens marcher,
Elle s’en attribue uniquement la gloire ;
Va, vient, fait l’empressée ; il semble que ce soit
Un sergent de bataille allant en chaque endroit
Faire avancer ses gens, et hâter la victoire.
La mouche en ce commun besoin
Se plaint qu’elle agit seule, et qu’elle a tout le soin;
Qu’aucun n’aide aux chevaux à se tirer d’affaire.
Le moine disait son bréviaire ;
Il prenait bien son temps ! une femme chantait ;
C’était bien de chansons qu’alors il s’agissait !
Dame Mouche s’en va chanter à leurs oreilles,
Et fait cent sottises pareilles.
Après bien du travail le Coche arrive au haut.
Respirons maintenant, dit la Mouche aussitôt :
J’ai tant fait que nos gens sont enfin dans la plaine.
Ça, Messieurs les Chevaux, payez-moi de ma peine.
Ainsi certaines gens, faisant les empressés,
S’introduisent dans les affaires :
Ils font partout les nécessaires,
Et, partout importuns, devraient être chassés.
— Jean de La Fontaine, « Le Coche et la Mouche », dans Fables,
Contes et Nouvelles, Jean-Pierre Collinet (dir.),
Gallimard, coll. « Bibliothèque de la Pléiade », 1991, p. 262mʋ

A mosca e a carruagem.

Numa trilha íngreme, arenosa e difícil,
Exposta ao sol por todos os lados,
Seis fortes cavalos puxavam uma carruagem.
Mulheres, um monge e velhos, todos haviam desembarcado.
A parelha suava, ofegante e exausta.
Uma mosca que tudo via se aproximou dos cavalos;
Resolveu incentivá-los com o seu zumbido;
Picava um, picava outro, e a cada instante pensava:
Que era ela, quem fazia a carruagem andar,
Pousava no arreio, no nariz do cocheiro;
Assim que a carruagem se movia,
E em vendo as pessoas caminhando,
Atribuía a si mesma toda a glória do avanço;
Ia e vinha, e se agitava, vindo e voltando;
Parecia um sargento de batalha indo a todos os lugares
Para avançar os seus homens e apressá-los na vitória.
Nessa necessidade comum, a mosca a tudo reclamava.
Achava que só ela agia sozinha
e que só ela somente, carregava todo o fardo;
Que ninguém ajudava os cavalos a saírem de seu dilema.
Porque o monge, sem demora, foi recitar seu breviário;
Certamente estava orando, pra que Deus tudo solvesse!
Uma mulher cantava; Eram canções, de fato!
A Senhora Mosca foi lhe cantar nos ouvidos, afinando-os!
E fazendo cem tolices semelhantes.
Finalmente, isso depois de muito esforço,
a Carruagem chegou ao topo.
´Vamos respirar agora`, disse a Mosca ofegante:
´Eu fiz tanto que nosso povo finalmente chegou à planície`.
´Agora, senhores Cavalos, paguem-me pelo meu trabalho`!
Igual à Mosca, algumas pessoas, agindo com muita pressa,
Interferem em todos os assuntos, qualquer que seja o tema:
Acham-se indispensáveis ​​em todos os lugares,
e são um incômodo em todos as canchas…, onde zumbem!
Deveriam ser apenas: expulsas!

O tema da mosca inconveniente me veio quando ao consultar alguns textos recomendados por Pedernilson, um rotineiro crítico, que adora azucrinar meus ouvidos, senti-o como esta mosca açulando o coche da fábula de La Fontaine.

Pedernilson, chamemo-lo assim, não é meu leitor contumaz…

Lê meus títulos, pelo menos!

Todos temos leitores que nos laçam pelo cabeçalho, apenas!

Eu mesmo, quando percebo o autor, desvio-me logo, para não perder tempo com aquilo que em mim nada constrói.

Mas Pedernilson não se limita às manchetes e aos cabeçalhos.

Faz questão de se denunciar leitor atento, e pior: querer interferir no meu pensar parecendo aquela mosca que no Coche de La Fontaine, azucrinando os ouvidos dos cavalos, zunindo-lhe abaixo dos rabos, dali indo direto pro nariz do prelado, a sugerir-lhe doutos versículos, depois parte para os ouvidos da moçoila, afinando-lhe a voz e o canto, achando-se em tudo no melhor encanto e estímulo, e sendo tangida por todos como estorvo, embora se creia; indispensável!

E acrescente a tudo isso um excesso de inconveniência, afinal quem se agrada com um poiso qualquer de uma mosca varejeira ou voejeira, seja nas ventas, ou nas oiças, ou nos “zóios” remelentos, xelelentos, e até nos ferimentos onde elas se creem em melhor cura?

E porque não dizer também dos seus passeios indo e voltando até pelas saídas fedorentas que as bestas cobrem e recobrem com seus rabos, tangendo-as dali por intrometidas e incomodantes, sem as poder enxotar, parecendo imprecar:

– Xô! Xô! Xô!, Xô, fil dum cabrunco hemático fedegoso!

– Xô! Fil dum estropor, balaio marrento!

– Xô! Doenças antigas da gota serena!

Coisas assim assemelhadas…

Diabos e demônios à parte, Pedernilson em certas horas incomoda-me pior que qualquer enxame de mosca orbitando fruta doce.

Por ausência de compostura ou excesso de azedume, ele agora tem o costume de me atalhar no caminho, para me dizer como devo e o que não devo rascunhar.

E o pior é que tinta e papel não lhe faltam para fazer melhor resenha!

Agora, por exemplo, com tanto comentarista esquerdista, os famosos “progressistas”, querendo que o “Ex-Presidente mais amado do Brasil”, Jair Messias Bolsonaro, deixe urgentemente de sê-lo, e morra logo na jaula da “Papudinha”, tudo sem choro nem vela, Pedernilson teima em me explicitar sua longa catilinária contra o “Mito”,incomodando-se como a este assim me refiro, elencando os seus “imensos crimes”, todos ‘insanáveis e hediondos’ a pagar “ad aeternum, per saécula, saéclorum et omnibus aetatibus, amen!

Tudo sem precisar verter, nem traduzir, a pagar nesta vida e em tantas quantas ao “Mito” resistir aqui, “in terra nostra”, ou no além.

Coisa digna, segundo Pedernilson, de incineração herética medieval, com direito a benção das chamas e excomungo tanto dos fumos com das cinzas.

Ou seja: para o tolerante Pedernilson e toda sua grei, por larva suja varejeira, o Ex-Presidente Bolsonaro deveria “arder nas brasas do quinto dos infernos”!

E eu como resisto escrevinhador desta “coluna de quinta”, sem ser de quinta-coluna, por démodé, nem de quinta categoria, porque assim espero, devo, segundo tal mosca zumbideira, encampar as amplas acusações, ditadas nas minhas oiças, contra aquele mais querido ainda pelo povo, Jair Messias, pelo que afirmam todas as pesquisas divulgadas como isentas.

Ou as pesquisas não o dizem assim, enquanto Sol crescente ainda, e sempre renascente?

Todavia, por continuada estupidez em nada ver para crer, Pedernilson cobre as vistas com carvão e alcatrão, para melhor azucrinar todas as oiças.

Continua insistentemente a por seus ovos nos ouvidos dos passantes, quiçá gorá-los, causar um choco qualquer, ou vasta otite.

Tudo valendo, até mesmo atear uma inflamação por labirintite, em repetição monocórdia de uma acusação que bem vale enumerar, afinal o famoso Boulos político paulista de melhor escol, fê-la igual, denunciando nacionalmente num recente programa de TV, ao vivo e em cores, ainda disponível no YouTube:

Bolsonaro é ‘golpista’, e só por isso, por tentativa e pensamento, contra a pátria adormecida, já mereceria o “paredon” cubano de fuzilamento;

Bolsonaro fez imensas “rachadinhas”; sua gatunagem se estendia aos salários de uma assessora parlamentar, coitadinha!, cujo nome ninguém esquece, Wal, por ser vendedora de açaí, em lista a perder de vista…

Bolsonaro se “apropriou indebitamente dos presentes recebidos” nas visitas protocolares que fez como Presidente da República, extorquindo os países amigos.

Bolsonaro contraiu “dívidas imensas com o cartão corporativo”, pagando milhões de Hectolitros de Tubaína, bebida intragável, por caríssima, e comeu toneladas de pastéis, em desafios diarreicos, justo nos frege-moscas da vida.

Bolsonaro era um imoderado gastador em despesas infindas nas suas hospedagens, seja nas casernas dos nossos quarteis onde se “empanturrava de doce-de-leite Moça”, em farras barracais e/ou acantonais, e também nas residências oficiais de nossas embaixadas no exterior, rejeitando tantas hospedagens hoteleiras oferecidas, com custo e ônus, em boas expensas da viúva.

Bolsonaro é “misógino, machista”, queria “metralhar os inocentes petistas…, no dedo imitando, e estalando “tá-tá-tá!” na garganta! “Está gravada esta sua má intenção, por tentativa de genocídio”.

Bolsonaro “matou milhões na COVID”, recomendando a cura da moléstia pelo uso de Cloroquina, e impedindo a compra de Vacina…

E eu poderia elencar muitas coisas que o presunçoso Pedernilson me explicita a todo encontro, que não vale a pena alongar, afinal “não é sete a conta do mentiroso?

Seria aleivosia continuada por mera repetição…

Mesmo porque agora, no pior dos merdeiros, Bolsonaro, segundo o mesmo vespeiro, vem roubando mais que todos os apurados no escândalo do Vorcaro, o mais recente vigarista, a ser provado como vero retro financista, por um antanho Bolsonarista,

Ao repostar tudo isso, Pedernilson não fica azedo comigo, porque eu ainda o ouço pacientemente, sem mudar o meu pensar, para ele, equivocado!

Que fazer, se ele não se satisfaz em vendo tanta mosca barrigueira voejando seus ledores, desancando o Bolsonaro, tornado pior execrado, enquanto presidiário, e tendo tantos e terríveis “golpistas” o seguindo e admirando em inocência e prévia de martírio?

Pedernilson, como eu disse antes, não está sozinho ainda, embora seus iguais estejam diminuindo por tangidos crescentes de potentes repelentes, a cada Sol nascente, inclusive!

Resistem como todo mal, em todos os seus estertores ainda, querendo que eu maldiga o Bolsonaro.

E nessa, deles estupidez, cada vez maior e denunciada, por zumbidos, tolos e desprezíveis, tais moscas varejeiras estão agora a se mimetizar, não como verme ou vermebicho, artrópode, propagador de moléstia, e de imodéstia, mas como morcegos sanguessugas, fugindo do cada vez mais “Solar”, Bolsonaro, maldizendo-o no seu despertar continuado.

Mas, por que admirar o Sol, se este resiste a qualquer olhar desprotegido?

E ele, como o Sol, em todo o seu fulgor, pede que alguém o mire e o admire?

“Quem não tem colírio”, bem dizia o Maluco Beleza: “usa óculos escuros!”

Quanto ao melhor esconjuro, por causa de tantos Pedernilson no meu entorno inconveniente, estou a usar repelente!

Xô!

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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