OS LÍDERES DO SÉCULO XXI: Como estamos preparando-os?

0

  

Apesar da turbulência mundial como as escolas continuam preparando os jovens para viverem no Século XXI? O que se inovou na educação nos últimos anos? Como o sistema de ensino tem convivido com as múltiplas inteligências? Como estamos ajudando aos jovens a expandirem os seus talentos naturais? O que tem sido feito para educar e desenvolver a capacidade de pensar dos jovens? Como tem tratado a – cada vez mais real – dificuldade de empregos numa sociedade cada vez mais informatizada? E numa sociedade na qual os ricos cada vez ficam mais ricos e os pobres cada vez mais pobres? Ou seja, a distância que separa as linhas entre riqueza e a pobreza cada vez fica maior? O que tem sido feito para diminuir a distância de convívio físico entre os jovens que tem aumentado a cada dia através dos infinitos contatos virtuais?

Na verdade esta é uma preocupação antiga das grandes instituições mundiais como, por exemplo, a Unesco, pois nos anos 90 desenvolveu um projeto coordenado pelo cientista Jacques Delors que definiu os quatro pilares essenciais do aprendizado: aprender a aprender, aprender a conviver, aprender a ser e aprender a fazer; portanto, um novo paradigma se faz presente: “o aprender para a vida”.

Ou seja, o que se quer dizer é que não adianta preparar os jovens para um emprego no futuro; isso está cada vez mais escasso; o que precisa ser feito e ai percebemos que, muitas vezes, o sistema educacional está na contramão da realidade da vida, pois na verdade na sociedade atual os jovens precisam ser preparados para enfrentarem a vida e não o emprego! Em suma, a educação para a vida.

Esquecendo o mundo e focando o Brasil, como anda o nosso sistema educacional? Podemos dizer que na sua predominância é arcaico. O programa educacional é constituído por uma colcha de retalhos de disciplinas que parecem ser todas independentes, como se abríssemos a caixinha da matemática, da geografia, da história, do português e não consideramos em momento algum a interdisciplinaridade que existem em todas elas.

Com um agravante que a juventude ao invés de aprender a pensar, a desenvolver os seus talentos naturais e explorá-los a seu favor, em sua grande maioria são treinados através de simulados a responder “sim” ou “não”, sem se preocupar muito em analisar o que estão fazendo.

As escolas continuam – em sua maioria – com as mesmas formas de ambientação de 50 anos atrás: alunos sentados em filas, professores à frente, em planos mais elevados, como se a fonte da sabedoria estive acima irradiando para toda a classe. Por sua vez, também em sua maioria, além de serem mal pagos, os professores são impedidos de modificar os programas de adaptá-los a realidade da juventude, cheia de energia, e que aprende utilizando os mais diferentes canais de percepção.

E, na grande maioria das famílias se ensina e acredita que depois que os jovens obterem o seu diploma a sua vida irá mudar como um passe de mágica: bons empregos, “status” social, um salário fascinante e a possibilidade rápida de ascensão funcional. No entanto, quando os jovens são postos no mercado de trabalho começam a entender que as coisas não são tão simples assim e ai começa a primeira grande decepção. Se conseguirem logo um emprego, percebem que a maioria dos seus colegas de trabalho não está no mesmo ritmo que eles e que, muitas vezes, são convidados a diminuir o ritmo, pois estão muito acelerados. Se não conseguem logo um emprego, começam a trabalhar em atividades para as quais não foram preparados e, muitas vezes, sentem-se derrotados e não conseguem superar essa dificuldade, justamente porque foram preparados para o emprego e não para a vida. Assim sendo, se submetem a trabalham em profissões ou atividades que não gostam porque precisam sobreviver e são cobrados pelas suas famílias para que comecem a dar retorno do grande investimento que foi feito neles.

Assim sendo, algumas equações poderão ser formuladas para que possamos pensar em como será possível resolvê-las, já que a sua solução não poderá ser pensada individualmente e sim de maneira coletiva:

 

1 – De que maneiras poderemos fazer com que as escolas atuais se conectem com a realidade global?

Poderemos afirmar como realidades globais: a) a grande diferença social; b) jovens mais acostumados com a realidade virtual; c) modelo de ensino: “conhecimento em caixinhas”; d) a dificuldade que as pessoas têm em pensar. e) em compreender a diversidade; f) a vida em comunidade e g) a poderosa era da informática, que muitas vezes se torna uma faca de dois gumes na questão do aprendizado, quando a técnica do “copia e cola” é aplicada constantemente.

 

2 – De que maneiras poderemos fazer com que as escolas atuais disseminem na sua cultura educacional a questão do desenvolvimento sustentável?

Ou seja, como fazer os jovens entenderem e se conscientizarem desde cedo da necessidade e importância fundamental em se deixar o planeta pronto para receber as gerações futuras?

 

3 – De que maneiras as escolas poderão deixar de se preocupar com os seus indicadores usuais e começaram a preparar os jovens para a Escola da Vida?

Como indicadores usuais: a) número de alunos que passaram no vestibular; b) Os resultados do ENEN.

Talvez o mais correto fosse acompanhar os ex-alunos e divulgar como os mesmo estão atuando no mundo universitário, como estão desenvolvendo os seus estudos e quais foram as dificuldades que enfrentaram e que foram vencidas graças ao seu preparo nas escolas.

 

4 – De que maneiras as escolas poderão estar preparando verdadeiramente os jovens para serem os líderes do Século XXI?

 

Onde buscar exemplos e modelos reais? Como estão sendo trabalhados os valores atualmente? Como está sendo trabalhado o pensamento inovador e a criatividade? Como a questão ética está sendo abordada? Como está sendo desenvolvido o atitudinal de liderança desses jovens?

As pesquisas dos grandes centros mundiais de desenvolvimento de lideranças apontam que cada vez mais está difícil se encontrar jovens lideres preparados o suficiente para enfrentar a diversidade e turbulência da era global.

Com certeza uma das grandes missões das escolas e universidades será: a) ajudar a desenvolver o atitudinal de lideranças dos jovens; b) ajudá-los a desenvolver o pensamento inovador e a criatividade; c) orienta-los como fortalecer os seus valores individuais; d) fazer com quem conheçam seus pontos fortes e pontos que precisam melhorar; e e) desenvolverem um projeto de vida, com metas bem definidas e objetivos claros. Pois, só sabendo onde realmente querem chegar é que poderão estar preparados para a vida que se descortina à sua frente. Nesse mundo globalizado, só um diploma é muito pouco.

 

(*) Fernando Viana

Fundação Brasil Criativo

fbcriativo@fbcriativo.org.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
Comentários