OS RISCOS DAS USINAS NUCLEARES

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O almoço da Somese desta quinta-feira, 24 de setembro, reuniu médicos e convidados para dabateram sobre a instalação de usinas nucleares no estado.

O médico radioterapeuta William Soares, que conhece bem os efeitos da radiação, benéficos e maléficos, e o deputado estadual Wanderlê Dias, um estudioso do assunto, almoçaram com os médicos e mostraram as vantagens e desvantagens para o estado com a instalação dessas usinas.

William Soares, que é membro da Academia Sergipana de Medicina  traçou, na sua palestra, um perfil histórico do uso da energia nuclear para fins pacíficos, mostrando que há uma tendência mundial de desativar seus parques nucleares em função dos custos, resultados e os frequentes acidentes. É o que se vê nos Estados Unidos e na maioria dos países da Europa, excetuando-se a França. Ele destacou que os acidentes acontecem, deu vários exemplos e como todos sabem, os efeitos são devastadores, só para ficar no desastre de Chernobyl, na Ucrânia. Com o ocorrido, houve a liberação de enorme quantidade letal de material radioativo que contaminou quase toda a Europa. Para se ter uma ideia do desastre, o material radioativo difundido  naquela ocasião foi quatrocentas vezes maior que o das bombas utilizadas no bombardeio às cidades de Hiroshima e Nagasaki, no fim da Segunda Guerra Mundial.

É evidente que após Chernobyl, novas e modernas medidas de segurança foram adotadas, diminuindo ou minimizando os riscos e as consequencias de novos acidentes. Mas o fato é que os acidentes vão continuar, é inevitável, quer seja por falha humana ou mesmo por desgaste de equipamentos. E aí, vamos querer estar por perto para conferir, pergunto.

O deputado e professor Wanderlê Dias, um parlamentar entusiasmado com as causas ambientais, mostrou que o Brasil tem vocação natural para produzir energias “limpas” e mostrou a forte relação da energia nuclear com os diversos problemas ambientais. Sergipe, segundo ele, pode estar indo na contramão da história, já que mostrou interesse em abrigar as duas usinas que deverão ser instaladas no nordeste brasileiro, em função do Rio São Francisco. Há no caso uma necessidade que as duas usinas sejam construidas próximas uma da outra e naturalmente às margens do Velho Chico, tão combalido e maltratado ao longo do tempo.

Não entendo porque o Brasil está indo por esse caminho, se possui ainda um grande potencial de gerar energia limpa. Na Europa, vários países, com a exceção da França, estão desenvolvendo projetos de obtenção de energia com a construção de usinas eólicas, como é o caso da Alemanha.

Um outro problema reside no destino do resíduo radioativo, que permanece na natureza por milhares de anos. É uma incógnita. Usinas são projetadas para funcionar por 25 a 30 anos. O que faremos com elas após esse tempo, ninguém sabe. Como o Brasil é a terra do jeitinho, é possível que queiram aproveitar a usina para outras utilidades.

A Constituição de Sergipe, como acontece com a de outros estados da federação, proíbe a instalação de usinas nucleares. Para que o processo seja bem discutido com a sociedade é necessario ampliar o debate e mostrar todas as vantagens e desvantagens das usinas nucleares, alertando sempre sobre os riscos para a população e para o meio ambiente.

Por isso, sugiro à Somese que convide agora os defensores do uso da energia nuclear em nossas terras, para que possam mostrar para a gente seus pontos positivos, se é que existem.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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