PALAVRAS E PROVAS

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O presidente nacional do PTB, deputado federal Roberto Jefferson, reagiu à acusação de ser beneficiário de um projeto de corrupção que recolhia dinheiro das empresas públicas federais, através de indicações de nomes para administra-las. Acuado com as denuncias, feitas através de reportagem da revista Veja, Roberto Jefferson reagiu e fez uma grave denuncia da distribuição de um mensalão, por parte do governo federal, para manter deputados da base aliada. Jogou lama no ventilador e praticamente inverteu os fatos, porque o caso dos Correios e Telégrafos, que culminou na formação de uma CPI, vem sendo citado de forma bem mais amena do que o escândalo das mesadas aos parlamentares. Ontem, o deputado Roberto Jefferson depôs na Comissão de Ética da Câmara Federal e, durante mais de sete horas, confirmou tudo o que disse em uma entrevista à Folha de São Paulo e acrescentou outros fatos que podem levar o processo aberto pela Comissão de Ética a ter um sentido investigativo, em que muita gente será ouvida.

 

Roberto Jefferson é detentor de vários mandatos e, como advogado criminalista, prestou um depoimento com tranqüilidade, jogando bem com as palavras e, de forma direta, comprometendo alguns ilustres nomes da vida política brasileira.. Mesmo sem provas, mas com a força de suas palavras cuidadosamente colocadas, o presidente do PTB pôs em condição de depoente os ministros Aldo Rebelo, da Coordenação Política; José Dirceu, da Casa Civil; Antônio Pallocci, da Fazenda, além do presidente do PT, José Genoino, e dos presidentes do PP e do PL, acusados pelo parlamentar de receber o dinheiro para distribuir o mensalão com parte dos deputados que integravam as legendas e apoiavam o governo. No fundo, Roberto Jefferson mostrou à nação a forma como se constrói uma base de apoio ao poder. Além disso, denunciou que a prática de indicar alguém para estatais se reverte em benefícios para o partido – será? – com o objetivo de ajudar para o fundo partidário. O depoimento de Jefferson teve a audiência de um jogo de copa do mundo e, evidente, que a nação ficou perplexa ao tomar conhecimento da forma como o governo consegue impor sua vontade aos congressistas, mesmo que no comando do país esteja o Partido dos Trabalhadores, que foi símbolo de luta contra tudo isso que está vivenciando hoje.

 

Jefferson isentou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas pediu a renúncia do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Segundo ele, as denúncias não chegavam ao presidente da República porque Dirceu fazia “um cordão de isolamento”. Jefferson admitiu que se Dirceu não deixar o Governo, pode levar o presidente Lula a uma situação muito difícil perante a opinião pública. Jefferson, inclusive, já tem uma testemunha a seu favor. Ontem, a secretária do publicitário Marcos Valério concedeu uma entrevista, dizendo que sabia de tudo sobre as “malas de dinheiro”.

 

Segundo Jefferson, o dinheiro do mensalão era entregue aos deputados em malas pelo publicitário.
O deputado federal João Fontes (PDT) , único parlamentar sergipano a se manifestar, lembrou que vem de uma cultura diferente, séria e ética. Confidenciou que acompanha a vida pública nacional há muitos anos e confessou que “como advogado do PT que fui por muitos anos, nutri pelo deputado Roberto Jefferson uma antipatia, um verdadeiro pavor. Hoje, lamento profundamente que todas essas denuncias que estão vindo à baila agora, trás a direção do PT relacionada com esse escândalo”. João Fontes confessou que fica estarrecido com essas afirmações, “porque pensava que a campanha do PT era feita com a venda de estrelinhas”. É verdade, entretanto, que o país inteiro começa a nivelar a classe política, que já não tem uma referência, mesmo reconhecendo que no Congresso tem muita gente honrada. Muita gente de bem.

 

Evidente que a sociedade está indignada com o a explosão de um escândalo no país a cada minuto, o que desacredita os políticos e põe em dúvida a força eleitoral de quem conquistou mandatos, porque hoje está escancarada a participação financeira de grandes empresas na formação do poder. Na lógica empresarial, investir em política é aplicação financeira e tem que dar retorno, mesmo que seja retirado por meios imorais e desonestos.

 

 

CONVERSA

O ex-governador Albano Franco (PSDB) disse que na conversa que teve com os senadores Eduardo Azeredo e Tasso Jereissati se comprometeu a sentar-se para conversar sobre o partido. E foi adiante: comprometeu-se a marchar para um entendimento de composição da Executiva Regional e dos Diretórios Municipais.

 

CANDIDATURA

Albano Franco disse, ainda, que admitiu conversar sobre candidaturas majoritárias dentro da legenda tucana, como pretende a Executiva Nacional. Adiantou que ninguém que está filiado ao PSDB e integra o seu bloco está fechando com algum nome para majoritário.

 

ITABAIANA

Albano Franco negou que estivesse no palanque, em Itabaiana, quando a prefeita Maria Mendonça pediu ao prefeito Marcelo Déda disputasse o governo do estado. O ex-governador disse que na sexta-feira estava em Recife e que só na segunda-feira foi a Itabaiana participar da procissão de Santo Antônio.

 

ERRO

Um membro influente do governo, que pediu reserva do nome, disse que o prefeito César Maia (PFL) errou em fazer acusação a Marcelo Déda. “Foi uma insanidade, o prefeito César Maia não tem provas de que Marcelo Déda recebe alguma coisa da Petrobras”, disse.

 

BENEDITO

O presidente do PMDB, Benedito Figueiredo, é privilegiado: “o partido jamais recebeu algum mensalão”. O deputado Jorge Alberto (PMDB), nas inserções do partido na TV, vai lembrar as palavras de Roberto Jefferson que isenta o PMDB do mensalão.

 

FOTOGRAFIA

Benedito Figueiredo explicou que a foto publicada na Isto É – Dinheiro, em que ele aparece, foi tirada durante as comemorações pelo impeachment de Fernando Collor. Ao seu lado estavam os então deputados Antônio Britto, Siqueira Campos e José Genoino. Como não houve uma explicação disso, a companhia da foto lhe provocou telefonemas.

 

RENATO

O advogado Renato Sampaio enviou documento à Comissão Nacional do PRP, comunicando a desfiliação da legenda. Renato, que foi candidato a prefeito na eleição anterior, disse que a tendência é ingressar no PDT e pode ser candidato a deputado federal ou estadual.

 

EQUÍVOCO

Uma fonte bem avisada informa que houve equivoco na informação passada a Plenário de que César Maia teria acusando Marcelo Déda de receber um mensalão da Petrobras. Acrescentou que em razão da presença da Petrobrás em ações da prefeitura, o prefeito César Maia teria dito que “a prefeitura de Aracaju recebe um mensalão da Petrobrás”.

 

SENTIDO

Segundo a mesma fonte, “o sentido de mensalão não foi o mesmo que se está falando em Brasília e em nenhum momento César Maia falou no nome de Marcelo Déda”. A informação foi passada a Plenário por um parlamentar influente e confirmada por um secretário de Estado, da mesma forma que foi publicada.

 

BASTIDORES

Está consolidado um entendimento político que fortalece a candidatura do governador João Alves Filho (PFL) à reeleição. Já há também uma movimentação de bastidores para composições para formação de uma coligação que dê sustentação à disputa pela reeleição.

 

ATENÇÃO

O PTB em Sergipe teve dificuldade de ajudar, financeiramente, a candidatos da legenda que disputaram as eleições municipais. A desculpa era de que direção nacional do partido tinha prometido enviar verbas para a campanha, mas tinha remetido apenas uma parte.

 

FONTES

O deputado federal João Fontes (PDT) foi o único de Sergipe que falou, ontem, na Comissão de Ética e disse que ouvia falar no mensalão. Disse que “o chamado mensalão não se trata de uma novidade. Mas, como parlamentar de primeiro mandato, me sentir constrangido em ouvir a questão do mensalão dessa casa”.

 

SUPLENTES

Políticos que perderam suas vagas nas Câmaras estiveram com o presidente Severino Cavalcante, por causa da resolução do TSE que reduziu o número de vereadores no País. Filiados a diversos partidos, eles solicitaram a Severino que peça ao STF pressa no julgamento de duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI) contra a medida do TSE.

 

 

Notas

 

CARTA-1

O prefeito de Aracaju, Marcelo Déda (PT) distribuiu nota pública a imprensa, mostrando-se “surpreso e indignado” com a notícia veiculada nesta coluna, de que o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (PFL) afirmara que “eu me beneficiaria de um suposto mensalão pago pela Petrobrás, sem apresentar qualquer indício”. Segundo Déda, a surpresa deve-se ao fato de que o prefeito do Rio de Janeiro “sempre me tratou com atenção e respeito. Em 2003 foi um dos meus eleitores para a Presidência da Frente Nacional de Prefeitos (FNP)”.

 

CARTA-2

O prefeito Marcelo Déda diz, ainda, que “além de caluniosa e leviana, a declaração é descortês e ofensiva ao nosso povo e à nossa gente, vez que em nenhum momento o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, se preocupou em alicerçar suas agressões em fatos ou mesmo indícios de prova”. Acrescenta que a declaração passa a nítida impressão de que Maia buscava, com suas levianas acusações “retribuir a hospitalidade dos seus correligionários, agredindo gratuitamente um adversário histórico do PFL”.

 

CARTA-3

Déda lembra que César Maia é criador do conceito e da expressão factóide. Isto é: a produção de fatos políticos vazios de qualquer significado e sem nenhum compromisso com a verdade ou com o bom-senso, apenas para virar notícia e produzir repercussão, como aconteceu com suas declarações. Deda lamentou que César Maia utilizou-se de factóides para lançar lama na honra de terceiros configura ilícito penal e como tal deve ser tratado. Conclui que entregou a questão a seus advogados para tratar do assunto na justiça.

 

É fogo

 

O país ontem parou para assistir o depoimento do deputado federal Roberto Jefferson (PTB), na Comissão de Ética da Câmara.

 

O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, é colega de diretoria de Marcelo Déda na Frente Nacional de Prefeitos.

 

Os deputados Francisco Gualberto e Ana Lúcia, ambos do PT, defenderam ontem o prefeito Marcelo Déda, das acusações feitas por César Maia.

 

O vereador Daniel Fortes (PSC) mostrou dados técnicos e as questões sociais inerentes à saúde em Aracaju.

 

O presidente do Diretório Municipal do PT, Márcio Macedo, disse que o partido não pagou cachês de bandas musicais, para tocar nos comícios de candidatos aliados.

 

Já o deputado Augusto Bezerra (PFL) mantém a posição de que deve ser apurada a denuncia de que o PT de Aracaju pagou shows de bandas musicais para correligionários.

 

O deputado federal José Carlos Machado (PFL) diz que o clima em Brasília está pegando fogo, porque a cada três dias surge uma nova denuncia.

 

O deputado Heleno Silva disse que passou dois dias sem sair de casa, com vergonha, por causa das declarações de Roberto Jefferson, de que deputados do PL recebiam o mensalão.

 

Heleno Silva diz que homem algum desta terra tem provas de que ele recebia o mensalão. Diz que sempre será exemplo para sua família.

 

Os aposentados devem ficar atentos às tarifas cobradas pelos bancos junto com a concessão de empréstimo com desconto direto no benefício do INSS.

 

O BNDES desembolsou R$ 15,1 bilhões nos primeiros cinco meses do ano. O número é 7% superior às liberações de recursos feitas pelo banco no mesmo período do ano passado.

 

Somente em maio, o BNDES emprestou recursos da ordem de R$ 3 bilhões, em um crescimento de 40% sobre igual mês do ano passado e reverteu a queda observada até abril.

 

brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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