Para todas as mulheres do fim do mundo

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A semana que celebra o dia nacional de combate à intolerância religiosa, teve como véspera de sua comemoração a partida de uma das maiores cantoras do mundo, Elza Soares. A Rainha, como me refiro a ela, teve uma vida repleta de desafios, enfrentamentos, luta diária e incessante contra a violência doméstica, o machismo, o racismo, entre outras pautas as quais Elza sempre fez questão de se posicionar e fazer ecoar a sua voz para mudar comportamentos, para mudar o mundo.

 

Elza não tolerava o intolerável, rompia com o colonial, não se curvava diante de quem ou das circunstâncias que queriam aprisioná-la. Elza nos presenteou com álbuns potentes, com versões inesquecíveis de músicas que atravessam gerações para escancarar o racismo, a exemplo de A carne, do grupo Farofa Carioca, regravada por ela. Forçada a se casar aos 13 anos, Elza vivenciou a violência em seu corpo desde cedo e transformou o apanhar da vida em força para a denúncia, como pudemos ouvir em Maria da Vila Matilde.

 

A mulher que canta “meu país é meu lugar de fala”, perdeu filhos, amigos, amores, mas nunca a sua voz. Até os últimos momentos de sua vida, trabalhou incansavelmente para fazer ecoar novas canções, para eternizar discussões importantes, e para incentivar uma geração inteira a romper com os comportamentos que agridem, ferem e repetem o histórico de violência que atravessa o nosso país.

 

Elza foi muito mais que uma teoria, ecoou muito mais que suas canções militantes, que denunciam e gritam por libertação. Elza viveu a dor e o amor em sua extrema versão. Entre reviravoltas e reinvenções, Elza era prática, era ação, era movimento e era explosão. A passagem de Elza pelo mundo é presente e é lição a quem ouvir com atenção ao que a mulher do fim do mundo quis nos dizer.

 

Para sempre, Elza.

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