PARADIGMA

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Paradigma é a maneira como percebemos o mundo e as coisas nele existentes. É o referencial usado por todos nós para vermos e sentirmos o que nos cerca. Os paradigmas são os padrões, são os modelos, são as referências que nos guiam.

 

Nós, os considerados normais, estamos sempre seguindo, obedecendo e acreditando nos paradigmas existentes.

 

Outros, porém, nos ultrapassam, não acreditam no que está posto e com isso criam outros paradigmas e ditam o passo que deve ser seguido dali em diante.

 

A estes é que devemos toda a evolução da humanidade

 

Pois, seguindo cegamente os paradigmas, os quais são normalmente traçadas por outras pessoas, outras sociedades e, às vezes, por instituições que nada têm a ver conosco, estaremos simplesmente contribuindo para que as coisas aconteçam no compasso da mesmice.

 

E como surgem os paradigmas? Eles aparecem no caminhar da humanidade, às vezes, por acaso, outras, por simples repetições do que já está posto. Na verdade, acontece mesmo é no nosso inconsciente, “não sei, eu sempre faço assim porque é o que todo mundo tem feito e está dando certo…” Quer dizer, segue-se, quase sempre o que vem sendo praticado, sem se indagar: isto não poderia ter outra forma, mais fácil ou mais proveitosa de ser realizado?

 

Conta-se, que em determinada cidade da América do Norte, era costume cortar ao meio as aves: galinha, pato ou peru, para assá-las no forno de um fogão. Certo dia, alguém, intrigado com aquele estranho e injustificado procedimento, resolveu indagar o porquê daquela prática. Ninguém sabia o motivo. Recorreram, então, à avó, pois ela, como a mais velha poderia ter uma explicação.

 

A velhinha disse simplesmente: “é que os fornos dos fogões daquela época eram muito pequeninos e nós éramos obrigadas a dividir as aves ao meio para que coubessem naquele pequeno espaço, assando, por isso, uma banda de cada vez…”

 

No entanto, os fornos cresceram, o costume continuou, pois este era o “paradigma” – cortar a ave ao meio, na hora de assá-la, – mesmo que os fornos, agora maiores, comportassem a ave inteira.

 

A partir do esclarecimento da vovó, foi quebrado o paradigma e o peru, agora, vai inteiro para o forno.

 

Outro exemplo de “paradigma” nos vem de um grupo de cientistas americanos, – não cito a fonte por não conhecê-la, recebi via internet, sem nominar quem fez. – Eles colocaram cinco macacos numa jaula. No centro da jaula, puseram uma escada e, acima desta penduraram um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar uma banana, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que ficavam em baixo, no chão da jaula. Depois de certo tempo, quando algum daqueles macacos se aventurava subir a escada, os outros o enchiam de pancadas. É muito importante registrar que o jato d’água só foi usado no primeiro dia. Passado algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.

 

Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que novato fez? Subir na escada para pegar uma banana. Porém, foi rapidamente puxado para baixo pelos outros as custa de bordoadas. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada.

 

Um segundo foi substituído, e o mesmo processo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao agora novato.

 

Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato. Uma quarta permuta foi feita e, finalmente, o quinto e último dos veteranos foi substituído. Em todas as vezes acontecia a mesma cena. O que ingressava tentava subir a escada para colher uma banana e era imediatamente impedido pelos outros.

 

Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, resistiam a tentação das deliciosas bananas e não subiam aquela escada.

 

MORAL DA HISTÓRIA: Se fosse possível perguntado a algum deles porque não pegavam as bananas, com certeza a resposta seria: “Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui…”.

 

Quantos paradigmas seguimos cegamente sem questionar ou tentar subvertê-los, mudá-los, transformá-los para melhor?

 

Às vezes alguém quebra um paradigma e o mundo muda para melhor. O inconformado, aquele que, dentro de seu espaço e condição, subverte, em determinado ponto, a ordem daquilo que chamamos “ordem natural das coisas”, dá um grande passo para que o mundo evolua, tornando aquilo que representava um paradigma sedimentado pelo tempo, depois de mudado, muito mais fácil, mais útil e mais acessível.

 

Quando nosso Santos Dumont, em 1906, voou com o seu 14 bis em redor da torre Eiffel, o paradigma reinante era o de que jamais aquilo que pesava mais do que o ar poderia voar. Ele voou e quebrou um paradigma. Ele melhorou o mundo. Citei Santos Dumont, porém milhares de outros benfeitores da humanidade poderiam ser citados. Pessoas que quebraram todos os paradigmas: Oswaldo Cruz, Luiz Pasteur, Alberto Sabin, foram quebradores de paradigmas que nos legaram este mundo muito melhor para nele vivermos.

 

Lembro-me que em 1992 eu procurava adquirir um telefone sem fio, para usá-lo dentro de um pequeno prédio e que permitisse o seu deslocamento para os primeiros e segundo andares, por exemplo. Com muita dificuldade, pois não existia aqui, em Aracaju, adquiri um de marca famosa. Mesmo sendo o mais caro e mais sofisticado deixava muito a desejar, pois o alcance era muito pequeno, além de que se acaso existisse outro exemplar do mesmo modelo no vizinho do lado, acima ou abaixo, havia a indesejável comunicação entre eles, ou seja, as bases poderiam ser comumente utilizadas pelas duas linhas. Era uma confusão danada. De vez em quando estávamos recebendo ligações trocadas. 

 

Não é que em 1994, apareceram os quebradores de paradigmas colocaram num só aparelho um receptor e um transmissor e que, por não necessitar de uma base e um fio ligado à parede, poderia ser levado para onde a pessoa fosse. Eram grandões, é verdade, tinha um funcionamento ruim, é verdade, mas eram bem melhores do que o sem fio de marca famoso que eu havia adquirido.

 

Foi quebrado um paradigma: telefone não precisava mais de um fiozinho e poderia ser conduzido para qualquer lugar. Só faltava, naquele tempo, melhorar o invento e foi o que aconteceu e continua ainda, hoje, ninguém vive mais sem um celular, que além de gravador de voz e vídeo, câmara fotográfica, GPS, calendário, calculadora, relógio, agenda, despertador, computador, rádio, televisão… Serve até para fazer e receber ligação telefônica.

 

Nós temos que olhar para as coisas e perguntar por que funciona assim? E, dentro de nossas possibilidades quebrarmos os existentes paradigmas na busca incessante de transcender, ir além, fazer melhor.

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