Paris – Flanar é boa pedida

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Flanar ou flâneur. Perambular com inteligência. Ver vitrines sem compromisso e apreciar. Paris é de encher os olhos, mesmo coberta de neve. Tour Eiffel, Champs Elysées, Palais du Luxembourg, Arc Du Triomphe, Louvre e a Notre Dame são alguns dos diversos lugares indiscutíveis de serem visitados em passagem por ela. Mas não basta conhecê-los para viver um pouco da alma do parisiense. Tem que flanar nos grandes bulevares do bairro da Ópera, bem pertinho do Louvre e do Jardin des Tuileries, e conhecer os restaurantes, cafés e bares da Bastille, além das ruas de Montmartre, abençoadas pela Sacré-Coeur.

Mapa em punho é hora de fazer seu roteiro, quer seja de metrô ou táxi. Quatorze linhas de metrô nomeadas e numeradas cruzam a cidade, que também ligam à trens de superfície, uma delas vai até o Palais de Versailles, já na redondeza de Paris. Há também os famosos “batobus” que percorrem o Sena, com diversas paradas em pontos estratégicos e em diversos horários.  (Varia de € 12 a € 18 – compra o ticket por um dia e pode ir e voltar pelos diversos cais). Mas é a pé que o visitante mais atento conhece os detalhes e o cotidiano da cidade, tão atraente aos olhos dos brasileiros.

A dica é dividi-lá numa linha imaginária cortada pelo Sena, ou seja, dias se visita o lado direito (rive droite) e dias o lado esquerdo (rive gauche). Fica bem mais fácil. Na famosa rive droite ficam a Place de la Concorde, o Museu do Louvre, as pontes Neuf e Alexandre III, e a avenida de Champs Elysées, a sua frente, o imponente Arc Du Triomphe. Todos esses monumentos estão bem próximos e podem ser visitados em um só passeio, mas é claro que para quem gosta de um banho de cultura, o Louvre merece um dia especial.

Apreciar as obras do Museu do Louvre, passar pelo o Arc do Triomphe do Carrocel e chegar no imponente Jardin des Tuileries é de encher os olhos. Ao chegar na Place de la Concorde, uma surpresa: seus monumentos são egípcios, mas o cheiro de chocolate e de crepes vendidos em trailers ao redor da praça aguçam os sentidos. O olhar atento do visitante mira o início da Champs Elysées e não tem como não percorrê-la. Passear por vitrines de lojas famosas, filas de cinemas e cafés são sempre agradáveis e faz juz ao verdeiro espírito do verbo flanar. Chega-se ao Arc do Triumphe, bem mais imponente do que se mostra em foto.

Se preferir, retorne de metrô para os grandes bulevares do bairro da Ópera, bem próximos do Jardin des Tuileries e veja as grandes colunas da igreja de La Madeleine. Percorra a rue de Saint Honoré, o Boulevard des Italiens, o Haussmann, bem pertinho da Ópera de Paris e das Galeries Lafayette. Entre na galeria e passe o dia realmente flanando as roupas de alta cultura, os perfumes e joias. Vale a pena olhar para o alto. O teto é uma atração a parte. O bairro também é famoso pelos teatros e cinemas, além das inúmeras e charmosas galerias de lojas com tetos de vidro e aço.

Como o tempo é curto, o passeio a Montmartre também é indiscutivelmente uma boa pedida para quem quer ver Paris do alto. O bairro era a Meca de artistas e escritores no final do século 19, que visitavam bordeis no entorno do bairro. As ruas são um charme, sem contar com as inúmeras escadas que levam até o topo da colina de Montmartre. É lá onde fica a famosa igreja de Sacré-Couer, concluída em 1914.

Tenha sempre em mãos um mapa e priorize o que quer conhecer. A cidade tem museus para todos os gostos, galerias de arte e comerciais, monumentos espalhados por todos os cantos, pontes e mais pontes e são sobre elas que passamos para conhecer a rive gauche (lado esquerdo do Sena).

É lá que fica o Quartier Latin e a vista mais bonita da margem da Ile de La Cité e da Ile de St-Louise, com o Conciergerie (antiga casa de detenção que aprisionou Maria Antonieta e o juis Robespierre antes de serem guilhotinados), o Palais de la Justice, a igreja de Ste Chapelle e a Notre Dame, dentre vários outros locais especiais.

Caminhando pelos bulevares do Quartier Latin, chega-se ao Panthéon bem parecido com o romano. O Jardin Du Luxemburg e seu palácio também está bem próximo. A Sorbonne, diversas livrarias e cafés adornam o bairro, desenhando um misto de atração turística e movimento estudantil.

Do lado esquerdo do Sena também ficam os Invalides. É difícil não perguntar o que é uma cúpula dourada, bem ao longe, na famosa Esplanada dos Invalides e tão logo se tem resposta que é o Dôme, uma igreja junto do Museu de l’Armée – um tipo de museu militar de Paris e que no Dôme está sepultado o general Napoleão. Bem próximo fica o Parc de Champ de Marc, com a charmosa Tour Eiffel. Parar para apreciá-la é bem convidativo, mas não demore, até porque os inúmeros bares, restaurantes e cafés da noite da Bastille lhe aguardam. Há opções para todos os gostos, bolsos e paladares, além do bom agito noturno parisiense. Vale conferir.

Cuidado

Por motivo de roubo no metro de Paris, necessitamos dos serviços do Consulado do Brasil em Paris e um dos funcionários alerta: é freqüente o número de brasileiros procurando nos últimos dias os serviços do Consulado, por motivo de roubo nos metrôs, lojas, restaurantes e recepções de hotéis. O cidadão não usa arma, mas retira seus pertencentes, quando você está em momento de distração. Não se arrisque em pensar que está seguro e principalmente com a constante onda de desemprego e crise que assola países da Europa. Em Madri também há roubos e foi criada uma polícia especial para andar nos metros a procura dos batedores de carteiras.

Há também um golpe que por diversas vezes avistamos. O cidadão joga anéis, joias e similares e o turista mais desavisado pega-os e cai no golpe. O cidadão exige dinheiro efusivamente. Tome cuidado. Golpes do Primeiro Mundo existem. E como existem.

Fotos: Silvio Oliveira

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