Passarão?

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Ninguém se quer fascista.

O fascista sempre posa de democrata, de livre pensador liberal, alguém que sempre paira em aura de santidade.

O fascista é um farsante, sempre; no araque ou de arante.

O fascista pode ser útil para deter o comunista, e assim é bastante útil, porque o comunista é muito pior por investido na sanha destruidora de realizar o leito ideal igualitarista de Procusto.

Procrustes ou Procusto, ou ainda Damastes ou Polipémon é um personagem bandido da mitologia grega que escondido na floresta dos vícios fornece leitos aconchegantes aos cansaços de todas as jornada.

Só que o leito oferecido nunca se adapta ao sonho, nem à quietação, muito menos à geometria do afadigado viajor, afinal a cama ou lhe é grande em demasia ou minúscula, pequenina.

Quando é pequena, Procuste serra os pés e a cabeça do cansado viajante para bem caber no tálamo à perfeição.

Já quando a cama é grande, Procusto estica perna e cabeça do sonolento albergado para igualar o seu tamanho às cabeceiras.

Ou seja; ninguém cabe no leito de Procuste. Só o cabendo, devidamente espichado ou aparado. Com os comunistas é a mesma coisa.

O leito econômico imaginado pelos comunistas exibe resultado bem conhecido, embora continue eterno sonho, um rotineiro fugaz desejo como se fora “un outre recherche du temps perdu” . Coisa de romantismo tolo e equivocado.

Se o comunismo exaltava este leito “Polipemótico” ou “Damástico”, como solução igualitária e atrabiliária contra a social democracia, o fascismo surgiu como missão antípoda a barrar-lhe os passos enquanto guerra de mesma vertente autoritária, de modo a enfatizar sobretudo a manutenção da ordem encimada pelo “fascio”, derivado da expressão latina “fasces lictoris”, símbolo etrusco em que um machado representava o poder e a ordem das centúrias romanas.

Desnecessário dizer que tanto o fascismo como o comunismo realizaram as suas misérias.

Do fascismo, pode-se dizer enganosamente que desapareceu com a 2a Guerra Mundial via  derrota do nazi-fascismo, e também com a queda das ditaduras do Professor Antônio Salazar em Portugal, e do General Francisco Franco, na Espanha, a primeira com os cravos distribuídos na rua, e a segunda com a restauração da Monarquia parlamentar; uma ordem que foi e voltou, e assim permaneceu.

Do comunismo sabe-se que foi derrotado por incompatível com a democracia, o livre mercado, a imprensa alforriada e a livre manifestação política.

Mas, se o ser comunista ou o ter sido assim ainda vangloriam muitos saudosistas, o ser fascista incomoda como opção política.

O fascista, embora nunca se denuncie igual, está sempre enrustido no discurso moralizante e nas passeatas de excedentes revoltados.

Nestes tempos tormentosos, os fascistas perderam a vergonha e estão saindo às ruas e discursando algaravias tão bravias quão perigosas, porque estão a querer dar um golpe na democracia.

Estão até seguindo falas reles, ou “Reales”, de Miguel Filho, por reverberação de Miguel Pai, o velho Integralista de Plínio Salgado, do fascismo “anauê” tupiniquim.

Nunca um Reale foi tão festejado assim por massas enlouquecidas. Virou ídolo de passeata, mesmo que seu discurso seja ruim, sem eloquência e retine rachado qual cobre azinhavrado.

Alias, neste particular, têm sido deprimentes os discursos dos que desejam o impeachment da Presidente Dilma; uma miséria em argumentação e convencimento. Querem aparecer como democratas, e não o são.

Suas falas revelam seus interesses golpistas e fascistas, quando não somente velhas práticas vigaristas e oportunistas.

Nestes tempos de excessiva valentia e rala galhardia, notável tem sido o discurso da Deputada Jandira Fegali; formidável!

Dá gosto ouví-la, mesmo que a canalha embrutecida uive e rosne raivosamente contra a inteligência que ousa brilhar na escuridão de tantos desejos inconfessáveis.

Escutar a Deputada Jandira é quem sabe, sentir ecoar o revérbero longínquo de Rosa Luxemburgo, de Dolores Ibárruri, “La Passionaria” e até, por que não, de Monique Roland, que ousara ser libertária sem ser jacobina ou montanhesa. Mulheres que calavam a audiência e incomodavam sobremodo os medíocres e os capazes de tudo.

Aliás, foi contra os “incapazes e os capazes de tudo”, que um discursador conterrâneo vingou cargos e posições vociferando-os, sem nunca os identificar, deles se servindo em afagos íntimos de conchavadas mesuras.

Agora, outros “incapazes” e tantos “capazes de tudo” estão unidos na nova cruzada golpista.

Como não conseguiram vencer no pleito das urnas vão reformá-lo no parlamento. É o velho vezo fascista, retornando por ranço agora reentronizado por nova moda.

De moda em moda, depois quem o sabe, poderá vir o incêndio do Congresso Nacional na calada das trevas como aconteceu no Reichstag Alemão, numa democracia mais madura que a nossa.

Alguém irá proteger aqui o que por lá ninguém defendeu  por  cenáculo aviltado em negócios e corrupção?!

Corrupção e decepções à parte, a palavra corajosa de ordem é repelí-los em veemência: “Golpistas, Fascistas, não passarão!”

Legenda de Dolores Ibárruri de uma luta gloriosa, mas perdida.

É a velha frase imortalizada por Dolores Ibárruri, “La Pasionária”, com a qual convocara os madrilenos a resistir ao golpe Fascista decretado pelos falangistas de Francisco Franco.

Isso, porém, é História. Não vale nada. Não existe antídoto contra este pior tipo de mosquito “chicuncunha”.

Com meu olhar silencioso de decepcionado, tivesse eu alguma voz que pudesse amalgamar contra a mediocridade dos nossos desprezíveis Deputados, dir-lhes-ia em alto e bom som: “Golpistas, Fascistas, Não passarão!”

Passarão? Sempre passam!

Os medíocres sempre vencem, embora permaneçam  vicejando no próprio lodo, do qual não se libertam.

Vencem, iludem-se, mas Jamais se vitoriam!

“Golpistas, Fascistas, Não passarão!”  Até quando?

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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