PEDIATRAS SERGIPANOS: Uma homenagem

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  Neste 27 de julho é comemorado o Dia do Pediatra.
  A data é uma alusão à fundação, em 1910, da Sociedade Brasileira de Pediatria, associação científica filiada à Associação Médica Brasileira para se dedicar ao estudo dos problemas e patologias infantis.
  
Momento oportuno pois para relembrar os vultos que marcaram o exercício da pediatria em Sergipe, com lições de competência e humanismo, exemplos de integridade moral e modelo para várias gerações de médicos. 
  Começo por Augusto Leite. Não era pediatra na concepção do termo. Cirurgião consagrado, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e com especialização em Paris, iniciou seu trabalho no Hospital Santa Isabel em 1913, realizando, com êxito, cirurgias delicadas. Em 1926, com a inauguração do Hospital de Cirurgia, Augusto começou a se interessar pelos problemas da criança e iniciou a implantação dos primeiros programas de puericultura, com a ajuda fundamental de um médico com larga visão humanista, o Dr. Lauro Hora, que montou consultório em pediatria e coordenou durante muito tempo programas de assistência aos pequenos estudantes das escolas públicas. Lauro tinha uma formação inicial muito ligada à saúde pública e higiene e aos poucos foi se dedicando à criança na sua total plenitude. Sua ação foi continuada por João Cardoso do Nascimento Junior, que também teve forte atuação no desenvolvimento de programas de proteção à infância.
     Em 1937 surge a grande referência da pediatria sergipana: José Machado de Souza.         Dr. Machado, como era mais conhecido,  formou-se em 26 de novembro de 1934 no Rio de Janeiro. Figura de personalidade marcante, homem de princípios morais e éticos inabaláveis, Machado foi um divisor de águas na pediatria sergipana, considerado por muitos o Pai da Pediatria sergipana. Sempre presente e atuante, foi o primeiro professor de pediatria da nossa Faculdade e com outros abnegados passou a lecionar gratuitamente aos jovens estudantes de Medicina, formando uma legião de seguidores.
     Seu vozeirão, que assustava aos mais desavisados, era só comparado em tamanho à  bondade de seu coração. Quando, ainda estudante de Medicina, eu chegava ao pavilhão infantil do Hospital de Cirurgia, logo de manhã cedo para os primeiros estudos práticos, deparava-me com aquela figura descomunal, desproporcional em relação aos seus pequeninos pacientes, colocando suas grandes mãos em pequenos abdomes, muitos com baços e fígados enormes em decorrência de verminoses e carências proteicas. Mas tudo com extrema delicadeza.
      Dr. Machado teve ainda importante participação política em Sergipe, como Secretário de Saúde e vice-governador do Estado. Nas aulas que ministrava, ao discorrer sobre as consequências da esquistossomose, dos efeitos das anemias carenciais e da desnutrição que acometia as nossas crianças, deixava visivelmente transparecer sua inquietação e desconforto pelo estado de pobreza e fome de boa parte da população. Seu inconformismo com a situação, que às vezes se manifestava de forma contundente e em outras circunstancias, com irreverência peculiar, tenha talvez o conduzido à participação na política. Mas como médico humanitário e político probo, não fez fortuna, nem com a medicina muito menos com a política.
      Dois outros nomes marcaram a pediatria sergipana com destaque, também professores da nossa Faculdade e comprometidos com a causa da criança: Hyder Bezerra Gurgel e Paulo Freire de Carvalho, proprietários das primeiras clínicas especializadas em nossa cidade para atendimento da criança.
      Vários outros pediatras se sucederam ao longo dessa história de abnegação e atenção à saúde da criança. Nomes como Sílvio Santana, Jacy Meireles, Bráulio Abreu, Josefina Maranhão, Maridélia Guedes, Iracema Carneiro Leão, Simone Matos, Byron Ramos, Marília Ramos, Magali Dias de Carvalho, Antonio Paixão, José Augusto Lisboa, Stela Santana, Luciano Franco, Ana e João Lima, Margarida Diniz(Margaridinha), Ricardo Gurgel, Cristina Garcia, Glória Tereza, Ângela Marinho, Andréia Diniz, entre outros. É para estes e para todos os  pediatras, que na labuta diária do trabalho, onde quer que estejam, na capital e no interior, anonimamente, na maioria das vezes mal remunerados, mas todos imbuídos de uma nobre e dignificante missão, que é a de cuidar das nossas crianças, que presto essa homenagem.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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