PMDB – 38 ANOS DO PARTIDO EM SERGIPE

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Aracaju assistiu, na noite de 22 de abril de 1966, no Cinema Rio Branco, um movimento diferente do cotidiano da cidade e daquela casa de espetáculos, um espaço marcado pelas linguagens artísticas e pela mobilização social. A reunião daquela noite servia para instalar em Sergipe o MDB – Movimento Democrático Brasileiro, criado no final de 1965, para cumprir o papel fiscalizador e crítico do Governo militar de 1964. Era a organização da resistência, no momento em que o Brasil não tinha partidos políticos, para competir com a ARENA – Aliança Renovadora Nacional, criada para sustentar, politicamente, o Poder. Sergipe contava, em 22 de abril de 1966, com uma bancada federal de 3 senadores – Heribaldo Vieira, eleito em 1958 pela UDN, Leite Neto, eleito em 1962 pelo PSD e Júlio Leite, eleito também em 1962, pelo PR; 7 deputados federais – Arnaldo Garcez, José Carlos Teixeira, ambos do PSD, Euclides Paes Mendonça, Euvaldo Diniz, Lourival Baptista, João Machado Rollemberg Mendonça, todos da UDN, e Ariosto Amado (PSB), que assumiu a vaga de Armando Rollemberg (PR), nomeado ainda pelo presidente João Goulart para o Tribunal Federal de Recursos, atual STJ. Apenas José Carlos Teixeira, dentre todos os eleitos de 1962, não tomou o caminho da situação, assumindo o comando do MDB, para organizar a resistência ao autoritarismo em Sergipe. E foi seguido por Ariosto Amado. Na Assembléia Legislativa eleita em 1962, os 32 deputados estaduais ficaram com o Governo, bem como todas as Prefeituras, menos 2, a de Frei Paulo e a de Pedra Mole, onde, respectivamente os prefeitos Daniel Paixão e José Lavres da Fonseca aderiram ao MDB. Na Câmara Municipal de Aracaju 5 vereadores, todos oriundos do extinto PTB – Partido Trabalhista Brasileiro, ingressaram no Movimento Democrático Brasileiro. Foi uma tarefa árdua a José Carlos Teixeira a organização do partido de oposição. Muitos foram convidados, mas poucos foram os que aceitaram o convite. Formou-se, então, um pequeno grupo em torno de José Carlos Teixeira, incluindo os estudantes que deram, particularmente, uma contribuição essencial na mobilização e na participação. Ganham relevo, então, figuras como Benedito de Figueiredo, João Augusto Gama, João Santana, Wellington Paixão, Jackson Barreto, Jonas Amaral, Bosco Mendonça, Carlos Alberto Menezes, Sérgio Monte Alegre, João Bosco Rollemberg, Lealdo Feitosa, que fizeram valer a juventude e a consciência ideológica na luta dentro do MDB. Outras grandes figuras deram ao MDB e depois ao PMDB o melhor dos seus esforços, como Tertuliano Azevedo, Walter Baptista, padre Almeida, Clodoaldo Araruna, Acival Gomes, Antonio Carlos Franco, Bosco França, Seixas Dória, Gerson Vilas Boas, Djenal Gonçalves, Jorge Alberto, dentre muitos outros que buscaram mandatos para a Câmara Federal, alguns dos quais vitoriosos. O médico Gilvan Rocha conquistou uma cadeira no Senado, derrotando a Leandro Maciel, na eleição de 1974. Com o também médico Francisco Rollemberg o PMDB em coligação voltou a eleger um senador, em 1986, quando José Carlos Teixeira foi candidato a governador. Em 1990 o PMDB e ampla coligação elegeu Albano Franco senador. Na Câmara Federal foram deputados pelo PMDB sergipano: José Carlos Teixeira, 1966, 1974 e 1982; Jackson Barreto, 1978, 1982; Tertuliano Azevedo, 1982; Antonio Carlos Leite Franco, Acival Gomes, João Bosco França e Djenal Gonçalves, 1986; Adelson Ribeiro e José Wilson da Cunha, 1994; Jorge Alberto e José Cleonâncio da Fonseca, 1998, sendo Jorge Alberto reeleito em 2002. Na disputa estadual o MDB/PMDB contou com a família de Baltazar Santos – ele próprio e os filhos José Baltazarino e Maria Auxiliadora -, e elegeu, em 1966, 6 deputados: Edson Mendes de Oliveira (das Lojas Neire), Núbia Nabuco Macedo, (viúva de Francisco de Araújo Macedo), Jaime de Araújo Andrade (cassado durante a legislatura), José Baltarino dos Santos, Otávio Penalva, Carlito Melo. Em 1970 a bancada estava reduzida a 4 deputados estaduais: Guido Azevedo, Pedro Garcia Moreno, de Itabaiana, Otávio Penalva, Maria Auxiliadora Santos. E assim continuou fazendo história, conciliando com lideranças e grupamentos, na capital e no interior, sempre fiel as origens. Merece destaque especial nessa história de 38 anos a presença e a participação do empresário Oviêdo Teixeira, dando o suporte para que o partido sobrevivesse e concorresse na capital e no interior. Ele mesmo deu o exemplo, candidatando-se ao Senado, nas eleições de1966 e 1970, enfrentando as maiores forças do Estado: Leandro Maciel em 1966, Lourival Baptista e Augusto Franco em 1970. Em 1974 Oviêdo Teixeira elegeu-se deputado estadual, perdendo a reeleição em 1974, deixando de apresentar-se aos eleitores, mas mantendo a ajuda substancial que moveu, por anos e anos, a atividade partidária. Oviêdo Teixeira contou com a compreensão dos demais filhos, respaldando a atuação de José Carlos Teixeira. O MDB/PMDB ocupou a Prefeitura de Aracaju com José Carlos Teixeira, Jackson Barreto e Viana de Assis e cresceu sua presença no interior, elegendo prefeitos e vereadores, conquistando o espaço político e afirmando o cumprimento de seu intencionário. Ao longo dos 38 anos o partido falou por alguns dos seus líderes, cada um com sua colaboração ao processo democratizador. Os nomes de José Carlos Teixeira, Tertuliano Azevedo, Seixas Dória, Oviêdo Teixeira, Jackson Barreto, Leopoldo Souza, Costa Pinto, Arnóbio Patrício de Melo, Gilvan Rocha, Baltazar Gois, Benedito de Figueiredo, Lauro Rocha, Humberto Mandarino, Padre Gerard, Manoel Hora, Agonalto Pacheco, dentre muitos outros, ecoam sintonizados com as vozes dos parlamentares que fizeram vibrar o brio sergipano na noite de 22 de abril de 1966. As palavras do deputado padre Nobre, dizendo não entender com o Governo armado temia o povo desarmado, ficaram guardadas como convocação e como estímulo, lastreando toda a história do partido, com seus quadros de ontem e de hoje. O PMDB conta, no cenário federal, com o deputado Jorge Alberto, o único da legenda, e na Assembléia com os deputados Marcos Franco e Augusto Bezerra, ambos em segundo mandato, e Arnaldo Bispo, que são os guardiões da história de lutas, enfrentamentos, construindo a via do aprimoramento democrático como projeto permanente para o Brasil. Um projeto que em Sergipe teve como maestro José Carlos Teixeira, a quem a sociedade e especialmente as novas gerações são devedoras do reconhecimento permanente. Permitida a reprodução desde que citada a fonte “Pesquise – Pesquisa de Sergipe / InfoNet”

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