PMDB, o partido do poder

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A coisa complicou para Dilma? Talvez. Aécio pode se eleger presidente? Improvável. Mas se há uma certeza sobre o que vai acontecer em 2015 é que o PMDB estará no poder. Seja quem for o presidente do Brasil no próximo ano, alguém duvida que o velho PMDB estará lá, aboletado no poder?

Lula e o PT desenharam um projeto de 20 anos no poder? Pois o PMDB já está há quase ininterruptos 30 anos na cabine de comando deste país. Desde que o cavalariço Figueiredo foi apeado do governo, em 1985, e que se instituiu a Nova República, comandada pelo marimbondo de fogo José Sarney, que o PMDB está lá.

O lapso de ausência se deu no breve governo do espetaculoso Fernando Collor, mas o PMDB prosseguiu governista na sombra do pimpão de Itamar Franco, acomodou-se ao neoliberalismo de Fernando Henrique, ganhou status de aliado preferencial no socialismo caboclo de Luiz Inácio e continua aí, lépido, faceiro e às vezes tirando onda de valente no governo de dona Dilma.
Parece que o PMDB, mais do que outro partido, adora o poder. E o poder não vive sem ele. O partido de maior capilaridade do país sabe tirar proveito dessa simbiose republicana, uma relação mutuamente vantajosa. Garante a tão desejada e propalada governabilidade, mas sabe cobrar seu preço.

Um exemplo: hoje preside o Senado e a Câmara, apesar de não possuir a maior bancada dentre os deputados. É dono de muitos e poderosos ministérios, além de dezenas dos cargos mais cobiçados, dentre os considerados de segundo e terceiro escalões.
O Partido do Movimento Democrático Brasileiro é o maior partido brasileiro, com 2.356.091 filiados (15% dos mais de 15 milhões que possuem fichas em partidos políticos) e 1.024 prefeitos eleitos em 2012. O segundo lugar em número de filiados é o PT, com 1.590.304 (10% do total), no entanto, o partido dos dois últimos presidentes obteve mais votos na última eleição municipal. O segundo a eleger mais prefeitos foi o PSDB, com 702.

Curioso que o PMDB tenha uma relação tão intrincada com o poder sem nunca ter elegido nenhum presidente da República pelo voto direto. Talvez seu sucesso se explique por ter-se mantido como a grande frente partidária que foi criada por inspiração dos militares, em 1966, para servir de contraponto à Arena, o partido dos ditadores de plantão. O MDB de então abrigou políticos de esquerda, ou simpáticos à ideologia socialista, resistentes ou meros opositores do regime.

Hoje, é um rosário de contas diversas, num espectro que inclui de políticos conservadores como o maranhense José Sarney a liberais como o gaúcho Pedro Simon, de esquerda liberal como o paranaense Roberto Requião e o sergipano Jackson Barreto a populistas como o alagoano Renan Calheiros. O vice-presidente da República, o paulista Michel Temer, é quem hoje catalisa e media tantas vozes aparentemente dissonantes.

Se não os elegeu diretamente, o PMDB tem na conta que dos seis presidentes da República eleitos e empossados a partir de 1985 — Tancredo Neves, José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff —, somente os dois últimos não têm histórico de filiação ao PMDB.
E Sergipe, Amapá e Roraima são ainda os únicos estados que nunca elegeram um governador peemedebista. Nas capitais, o PMDB jamais venceu em São Paulo, São Luís e Palmas.

Desde o fim do Regime Militar de 1964 o partido detém o comando de pelo menos uma das casas do Congresso Nacional: entre 1985 e 1993 presidiu simultaneamente a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, situação que voltou a se repetir no atual biênio 2013/2014, graças a acordo com o PT, que abriu mão da presidência da Câmara apesar de possuir ali a maior bancada. O PT elegeu 88 deputados em 2010, contra 79 do PMDB e 54 do PSDB. No Senado, o PMDB tem voz mais ativa, com 20 representantes, contra 13 do PT e 11 do PSDB.

Além de ser uma frente partidária, o sucesso eleitoral do PMDB se explica em parte pela simpatia que ainda desperta a única organização legal a fazer oposição, mesmo que consentida, aos militares. E sua posição assumidamente centrista, que o ajuda a evitar refregas à direita e à esquerda, permitiu a ele fazer parte de governos ideologicamente distintos, como o de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz Inácio Lula da Silva.

E só os mais ingênuos não sabem que, na política partidária, quanto mais perto do poder, maior o sucesso eleitoral. A associação da imagem à imagem do governo rende votos. A contínua presença do PMDB nas coalizões de governo é fator determinante a propiciar a manutenção do seu patrimônio eleitoral.

A agremiação que usa como slogan "o partido do Brasil", bem que poderia se identificar como o partido do poder.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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