Precisamos agir

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As emissões mundiais de gases estufa nunca foram tão altas. As dos países em desenvolvimento já totalizam mais da metade das emissões mundiais, e a China se tornou o primeiro poluente mundial. No ano passado, em Bali, os Estados-membros da Conferência das Partes (COP) da Convenção-Quadro de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (UNFCCC, sigla em inglês) prometeram amarrar o novo acordo até dezembro de 2009, tempo necessário para uma eventual ratificação, ainda que a data pareça, na realidade, difícil de cumprir. Desde a entrada em vigor de Kyoto em 2005, a negociação climática acontece em dois níveis: a UNFCCC (192 países) e o Protocolo de Kyoto. Até agora, apenas os 37 países industrializados signatários de Kyoto estão sujeitos a metas de redução de suas emissões poluentes até 2012, o que levou os EUA a rejeitarem o tratado.

 

Segundo os cientistas, as emissões dos países industrializados deveriam parar de crescer a partir de 2015 e, então, cair drasticamente até 2050, mas os grandes países emergentes, como China e Índia, também estão sendo convocados para controlar a inflação de sua poluição.

 

O Brasil está em posição confortável em termos de emissão de gases de efeito estufa devido à grande parcela de geração de energia renovável, especialmente hidrelétrica e biomassa. Segundo dados divulgados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O Brasil emitiu o. equivalente a 1,84 toneladas de gás carbônico (C02) por habitante em 2007, enquanto os Estados Unidos emitiram o equivalente a 19,61 toneladas por habitante no ano passado e o Japão 9,5 toneladas por habitante, no período. A média mundial ficou em 4,22 de toneladas por habitante e na América Latina de 2,09.

 

A vantagem do Brasil é que o País tem condições de aumentar a oferta de energia renovável, especialmente hidroeletricidade e de biomassa, sem precisar de subsídios.

 

Quando se considera as emissões por quantidade de riquezas geradas, porém, a situação é menos favorável ao Brasil, especialmente em relação ao Japão. Pelos dados do Balanço Energética Nacional (BEN) de 2007, o Brasil emitiu cerca de 0,49 tonelada para cada US$ 1 mil de Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o Japão conseguiu uma relação de 0,24 tonelada de C02 para cada US$ 1 mil de PIB. Os Estados Unidos conseguiram relação de 0,53 tonelada por US$ 1 mil de PIB, o que é inferior à média da América Latina (de 0,58) e mesmo mundial (de 0,75).

 

Adotando-se outro critério de avaliação, com a relação de emissões de dióxido de carbono por quantidade de energia oferecida, o Brasil consegue uma situação bem favorável, em relação à média mundial. Segundo os dados da EPE, o Brasil emitiu 1,57 toneladas de gás carbônico para cada tonelada de oferta interna de energia consumida em 2007. A relação dos Estados Unidos foi de 2,49 por esse critério, superando a média do Japão (2,29), da América Latina (1,88) e mundial (2,37),

 

O lixo das 300 maiores cidades brasileiras poderia produzir 15% da energia elétrica total consumida no país. A estimativa consta no Plano Decenal de Produção de Energia 2008/2017 e considera todo o lixo recolhido nestes municípios.

 

A transformação de lixo em energia teria ainda duas conseqüências benéficas, na opinião de pesquisadores. A primeira é incentivar a armazenagem correta dos resíduos, que passam a ser matéria-prima. Outro benefício seria econômico: assim como outras fontes de energia renovável, o lixo pode gerar créditos de carbono e favorecer o Brasil nas negociações sobre mudanças climáticas.

 

A notícia não é boa para a região Nordeste do país nesses tempos de mudança climática. Segundo um novo estudo, até meio milhão de pessoas deixarão os estados nordestinos daqui até 2050. A migração deverá ser conseqüência de agricultura e pecuária cada vez menos viáveis, com o aumento das temperaturas. O que deverá afetar a economia e a saúde, primeiramente, da própria população local. E, em seguida, de todo o país.

 

Produzir alimentos no Nordeste será cada vez mais difícil e o governo brasileiro precisa se preparar para fazer investimentos de peso em irrigação na região. O alerta é da OMM – Organização Meteorológica Mundial da ONU, que aponta para os efeitos das mudanças climáticas como sendo responsável por esse novo cenário nos estados que já sofrem com seca.

 

Na projeção mais pessimista, cerca de 483 mil pessoas deixariam o Nordeste rumo a outras regiões do país até 2050.

 

Quanto mais industrializado o estado, menos seus habitantes sofrerão com a mudança climática – como é o caso da Bahia. Por outro lado os estados mais dependentes da agricultura, como o Maranhão, o Piauí e Alagoas, serão mais afetados.

 

Devemos esperar uma maior desertificação e salinização das terras do Nordeste nas próximas décadas, afirmou M.V.K. Sivakumar, chefe da divisão de meteorologia agrícola da entidade. Segundo ele, a produção agrícola, já complicada em muitas áreas dos Estados do Nordeste, tende a ficar ainda mais difícil até mesmo na bacia do rio São Francisco, com as mudanças climáticas.

 

“Os efeitos começarão a ser sentidos em cerca de dez anos, mas devem continuar com maior intensidade até 2050”,

 

No primeiro instante, as pessoas sairão das zonas rurais em direção às capitais nordestinas. Depois seguirão ruma à Amazônia – quem vive perto dela – e ao Sudeste e Sul. Ao chegar sem qualificação nas cidades, é possível que tenham dificuldades em arranjar empregos.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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