Preocupação aliada

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Um bom grupo de aliados do governador João Alves Filho (PFL) está preocupado com o futuro da coligação que ganhou as eleições em 2002. Um deles vem notando que há uma pequena possibilidade de dispersão de lideranças importantes que estiveram na luta das eleições estaduais e a insatisfação de um grupo que se agigantou para sustentar um financiamento de campanha, capaz de combater o Governo e a Prefeitura da capital. Não está aqui se acusando gastos de nenhuma instituição, mas é natural que a influência do comando do estado e do município se torne importante em qualquer campanha eleitoral. Um deputado estadual, integrante do bloco aliado do Governo, disse que João Alves Filho tem apenas o próximo ano para a administração que se propôs realizar quando se candidatou e elegeu-se governador pela terceira vez. Lembra que o ano de 2006 será praticamente para preparar a campanha e entrar na luta pela reeleição.

 

João Alves Filho vai realizar uma reunião com os deputados e secretários de Estado. Possivelmente nesta sexta-feira. A bancada aliada imagina que será para colocar ordem no seu pessoal, porque tem alguns deputados ressentidos e alegam até que estão esperando a eleição para presidente da casa, com o objetivo de dar o troco. Parte dos deputados considera que perdeu as eleições, em seus municípios, por falta de um apoio maior do Governo. Não apenas os que se candidataram, mas também alguns que tinham nomes na disputa e não obtiveram êxito. Há informação que o governador estaria voltando a formar o conselho político com membros do bloco que o apóia, para analisar atos do governo, propor ações, oferecer sugestões para a retomada da popularidade ao nível da disputa e fazer uma política que tenha cheiro de povo, deixando um pouco de lado a tecnocracia fria e dura, que dificulta qualquer avanço numa ação política que tenha a simplicidade e chegue às comunidades, principalmente na classe média, que está de cabeça virada para um processo de mudanças que abale as estruturas de Sergipe.

 

Em demorada conversa que teve com um amigo casual, em seu gabinete na Habitacional, dez meses antes das eleições de 2002, o então candidato ao Governo do Estado, engenheiro João Alves Filho, confidenciou: “a maior lição política que tive foi a derrota ao Governo em 1998”. De fato, com o resultado daquele ano, quando João Alves perdeu para Albano Franco no segundo turno, ele viu que precisava chegar a um segmento da população que não o conhecia no segundo e primeiro mandatos. Eram os eleitores que estavam completando 16 anos ou ficavam um pouco acima disso. Quando foi eleito governador pela primeira vez, em 1982, os eleitores de 1998 estavam nascendo, outros tinham de 10 a 12 anos e sabiam muito pouco sobre ele. O cuidado de ir as escolas públicas e privadas, de percorrer as universidades e clubes de serviços, de retomar as atividades junto a esse eleitorado, que tinha notícias vagas ou deturpadas sobre ele, fez com que João Alves retomasse a popularidade e retornasse ao governo, liderando uma coligação bem estruturada, mas enfrentando um grupo politicamente forte e capaz. Lembrou até de um jovem, filho de um homem de jornal que lhe fazia oposição, que lhe deu um abraço e avisou: “voto com o senhor”.

 

Agora é preciso perguntar: esse pessoal que o governador João Alves Filho foi buscar, conversando de um a um, contando a sua história política, continua seu eleitor em 2006? Seria bom não apenas um Conselho Político com ares de conhecedores profundos dessa ciência de conquistar votos sem vender ilusões, mas do retorno às escolas, às universidades, a essa juventude que está perdida entre o que é mudar e continuar. Está claro que precisa urgentemente de um trabalho mais agressivo de contato com a comunidade, de conversar com lideranças políticas, até mesmo de ler comentários políticos e repensar na forma de abandonar um pouco os gabinetes e sair em busca de reaprender a lição que lhe foi dada com os resultados eleitorais de 1998, cujo ensinamento está exatamente nessa gente humilde que busca uma saída para as suas aflições.

 

As eleições de 2006 não serão fáceis para nenhum dos lados que disputa a hegemonia política do estado. Muita coisa vai acontecer, algumas desilusões, sérias precauções e uma eterna vigilância aos passos dos inimigos. À primeira vista, o bloco das oposições está coeso. Momentaneamente não existem divergências, embora alguns contratempos vão rolar na hora da escolha da chapa majoritária e há risco de desentendimentos, mas dificilmente de rompimentos. No bloco da situação já se tem conhecimento de dispersão. Há um grupo decidido a lançar candidatura própria ao Governo do Estado, acomodando os descontentes de todos os lados. Entretanto, reduz a força eleitoral dos aliados do governador, que pode retornar a ele ou não em um segundo turno. Tudo está em visível preparação para as eleições de 2006 e, mais do que a lição de 1998, é preciso que se entenda o momento de 2004 e se tire ensinamentos para 2006. Fazendo isso, todos vão ver que, em termos proporcionais, uma situação é equivalente à outra.

 

RETORNO

A senadora Maria do Carmo Alves (PFL) reassume a sua cadeira no Senado Federal nesta próxima semana e participa das emendas orçamentárias.

Maria permanece por três meses no Senado e retorna à Secretaria do Combate à Pobreza no final do ano. Assume seu lugar o suplente Carlos Alberto.

 

LEONOR

O leitor Jony Azevedo envia e-mail e garante que na reunião de alta cúpula que houve em Brasília, semana passada, foi sondado o nome de Leonor Franco para filiar-se ao PSDB.

Conseqüentemente, para ser candidata à governadora. O marido, Albano Franco, disputaria uma vaga na Câmara Federal.

 

ALMEIDA

Em conversa com colega no plenário do Senador, o senador Almeida Lima (PDT) comunicou que não pretende mais se filiar ao PSDB.

Só o faria se tivesse o comando do partido em Sergipe. Almeida sinalizou para essa posição, quando não compareceu ao encontro da cúpula na quarta-feira da semana passada.

 

ENCONTRO

O PPS vai realizar um encontro com membros do Diretório Nacional, nos dias 10, 11 e 12 de dezembro, no Rio de Janeiro.

Segundo a deputada Susana Azevedo, que participará da reunião, o partido vai decidir a fusão com o PDT e o rompimento com o Governo Federal.

 

PAIXÃO

O deputado federal Ivan Paixão (PPS) é contra ao rompimento com o Governo Federal e à fusão com o PDT. Ele acompanha o ministro Ciro Gomes…

Ivan Paixão está praticamente só nesta posição, porque os chamados históricos do PPS também querem a fusão e acompanha a posição do deputado federal Roberto Freire.

 

REUNIÃO

O governador João Alves Filho (PFL) está marcando, para esta semana, uma reunião com a bancada aliada na Assembléia Legislativa e os secretários de estado.

Os deputados não sabem de que se trata e a maioria acha que é para compor a bancada, que está ressentida desde as eleições passadas.

 

MUDANÇAS

O prefeito Marcelo Déda (PT) já avisou que as mudanças que fará no secretariado, a partir de 2005, não serão expressivas. Também não terão o objetivo apenas de satisfazer aos aliados, embora esse seja um dos motivos.

De qualquer forma, o prefeito faria algumas alterações na equipe, para dar outro perfil à nova administração.

 

MACHADO

O deputado federal José Carlos Machado (PFL) participa, esta semana, de reunião da Comissão de Orçamentos, na Câmara Federal.

Ainda esta semana o parlamentar vai tentar reunir deputados e senadores para tratar sobre a coordenação da bancada, que no ano passado esteve em suas mãos.

 

COMEMORAÇÃO

A vereadora eleita Tânia Soares, ao lado de integrantes da direção do PSB, inclusive o seu presidente Paulo Viana, comemoraram a vitória no DCE da Universidade Federal.

As comemorações aconteceram na Atalaia Nova, na casa do senador Antônio Carlos Valadares (PSB).

 

POTÁSSIO

A Justiça decidiu que a Vale do Rio Doce deve pagar royalties pelo potássio extraído em Sergipe, ao município de Capela, que passa a ter uma boa arrecadação.

A Vale já deve R$ 10 milhões pela extração e fez um acordo para que pagasse R$ 500 mil por mês, além do referente ao que for extraído no período.

 

JOGOS

Houve pouca gente na abertura dos Jogos da Primavera. Culpa da data escolhida para sua realização: sexta-feira, véspera de feriado, onde a maioria das pessoas estava viajando.

Até os professores de Educação Física reclamaram da abertura, porque tinham programado viagens. A data foi mal escolhida.

 

BOA INICIATIVA

De qualquer forma, o retorno dos Jogos da Primavera, uma promessa de campanha de João Alves Filho, foi uma boa iniciativa, porque era reclamado pelos estudantes.

Houve apenas um grave equívoco: colocar uma marca de cerveja como patrocinadora de jogos estudantis.

 

TIROS AO AR

Um conhecido policial civil descarregou o seu revolver, com tiros para o ar, ao tomar conhecimento do acidente com o radialista Gilmar Carvalho.

Vibrou quando soube que ele tivera traumatismo craniano e estava entre a vida e a morte no Hospital João Alves Filho.

 

PERDIDAS

Foram balas perdidas que não atingiram a ninguém. Na realidade Gilmar teve duas convulsões, mas a tomografia não detectou absolutamente nada.

No início da tarde ele foi transferido para o Hospital São Lucas já lúcido e fora de perigo. Gilmar vinha sem cinto de segurança e o air bag o salvou.

 

Notas

 

ROUBO-I

Uma quadrilha está atuando no sertão sergipano, principalmente em Nossa Senhora da Glória, atacando fazendas e levando rebanhos das fazendas e pequenas propriedades da região, sem que haja qualquer ação da polícia, que não tem meios para chegar aos membros da quadrilha que começa a apavorar a população.

Segundo um pequeno proprietário, os membros da quadrilha residem em um conjunto popular próxima à penitenciária de Nossa Senhora da Glória: “todo mundo sabe, inclusive a Polícia, mas têm medo de chegar lá”.

 

ROUBO-II

A atuação na de quadrilhas que invadem fazendas e sítios para roubar animais já foi denunciada pelo prefeito de Poço Redondo, Enoque Salvador, mas até o momento não se conhece uma única ação da polícia para prender os seus integrantes. Eles estão agindo impunemente e provocando pânico à região.

Também ontem, em conversa com o colunista, um proprietário de terras na região de Nossa Senhora da Glória denunciou que o chefe da quadrilha reside no município de Graccho Cardoso e os policiais sabem quem é.

 

SINFÔNICA

A Coordenadoria de Comunicação do Ministério Público de Sergipe informou ontem que a Instituição não tem nada haver sobre a solicitação de concurso público para os músicos que integram a Orquestra Sinfônica do Estado. O parecer contrário à permanência dos atuais integrantes é da Procuradoria Geral do Estado.

Segundo a nota divulgada ontem a Procuradoria Geral de Justiça não se manifestou sobre o assunto. Diz que o ministério público, mesmo acompanhando o caso de longe, deseja a permanência da orquestra, mas dentro da legalidade da lei.

 

 

É fogo

 

Um radialista disse, ontem, que da forma como Gilmar Carvalho é supersticioso é capaz dele desistir do programa na Sergipe FM.

 

O motorista de Gilmar Carvalho vinha em velocidade alta, porque teve que retornar à residência do radialista, na Atalaia, que tinha esquecido os óculos.

 

Pelos menos dois radialistas de Itabaiana estão sendo contratados para fazer um programa matinal em Aracaju.

 

O senador José Almeida Lima (PDT) está se mantendo em silêncio depois da reunião com a cúpula tucana.

 

O governador João Alves Filho, acompanhado do secretário da Comunicação, Carlos Batalha, esteve no hospital João Alves Filho para ver o deputado Gilmar Carvalho (PV).

 

A Assembléia Legislativa vai discutir a questão médica, levantada nacionalmente, durante encontro na próxima terça-feira.

 

O secretário municipal da Saúde, Rogério Carvalho, garante que o prefeito Marcelo Déda (PT) não atrasa os repasses do SUS, para as clínicas conveniadas.

 

O pastor Jony, eleito vereador pelo PL, está sendo avaliado pra disputar uma vaga na Assembléia Legislativa.

 

O projeto do deputado federal Fernando Gabeira que garante aposentadoria às prostitutas, oficializando a profissão, encontra resistência no conservadorismo brasileiro.

 

As críticas de Carlos Lessa, presidente do BNDES, à gestão de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, selaram sua saída do governo. Falta se definir o momento.

 

O salário-maternidade é um benefício pago pela Previdência Social a todas as seguradoras gestantes, por um período de 120 dias, sendo 28 antes e 91 após o parto.

 

A Receita Federal iniciou ontem o pagamento do sexto lote de restituições do Imposto de Renda Pessoa Física 2004 (ano-base 2003).

 

brayner@infonet.com.br

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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