Pressa Sucessória

0

Uma fonte muito bem entrosada no bloco oposicionista, que já teve importante mandato, revelou, ontem, que o deputado federal Jackson Barreto (PTB) discutirá, com toda boa vontade, a indicação do candidato a vice-prefeito, mas vai engrossar a voz porque a deseja para o seu partido. Segundo a mesma fonte, o argumento de Barreto é que ele conseguiu reconquistar o eleitorado de Aracaju e será responsável por uma boa parte dos votos que Marcelo Deda terá para reeleger-se. No seu entender, na companhia do ex-prefeito João Augusto Gama (PTB), que o apoiou em 2000, se formará uma chapa forte e poderá até ganhar no primeiro turno. No final do ano passado, um membro do PTB revelou a Plenário que o seu partido tem um potencial de voto, na capital, igual ao do Partido dos Trabalhadores e não pode entrar numa eleição majoritária apenas com o eleitorado. Quer uma posição de destaque e até usou da palavra “não abrimos mão disso”. Pode-se dizer que isso não é exagero, porque no ambiente de discussões, o tratamento ainda é de absoluto entendimento. Mas, no fundo, todos sabem que nessa formação de chapa nem tudo ficará nos elogios e renuncia. Lógico que todos querem a Prefeitura e, mas do que o restante do bloco, Jackson Barreto a deseja para João Augusto Gama. Até porque acha que o ex-prefeito se sacrificou em 2000, não disputando a reeleição, exatamente para apoiar Marcelo Deda. Uma ala forte do Partido dos Trabalhadores, que inclusive já teve uma conversa preliminar com o prefeito Marcelo Deda, fecha questão com a chapa puro sangue. Evidente que é uma posição que contraria o sentido de coligação, mas expõe uma vontade natural de quem está com uma Prefeitura de capital e não deseja passa-la para outra legenda, mesmo que se trate de uma composição relativamente sólida. O PT quer continuar administrando Aracaju, porque setores importantes da militância – e até com assento na cúpula – tem absoluta consciência da força eleitoral do petismo na capital, adquirida através da administração do prefeito Marcelo Deda. Aliás, o próprio Deda já sabe que não será tão fácil essa decisão, principalmente porque precisa domar o ímpeto da militância. Há também uma coisa que se pode levantar e que é favorável ao prefeito Marcelo Deda. Ele hoje se dá ao luxo de ser candidato a prefeito ou não. Evidente que já colocou sua pré-candidatura à reeleição, mas isso não o impede de recuar, em caso de desentendimentos, porque certamente tem um lugar reservado no Planalto. Além disso, Marcelo Deda é o único nome da oposição que tem condições de disputar as eleições com uma certa tranqüilidade. Qualquer um outro pode se complicar, caso o PT saia de cena da chapa majoritária ou coloque outro nome para enfrentar candidatos apoiados pelo Governo. Como é homem de diálogo, está claro que o prefeito não fará imposições, mas se sentir que os problemas ultrapassam ao bom senso, pode bater na mesa e indicar o nome que ele deseja como companheiro de chapa. Marcelo Deda vai conversar muito com o senador Antônio Carlos Valadares (PSB). Aliás, precisar trocar idéias com o senador. Valadares sabe manejar bem as pedras desse jogo político e o faz com maestria. Claro que tudo isso só vai esquentar a partir de 2 de abril, quando se concretizam as desincompatibilizações e se verá um cenário mais amplo dos candidatáveis, porque alguns auxiliares devem deixar os seus cargos. Será na conversa com Valadares, que poderá se chegar a um ponto comum, sem discussões calorosas. Por enquanto tudo está na mais aparente tranqüilidade, mas a partir de 15 de abril muita coisa pode rolar e qualquer desatenção pode ser a gota d’agua para a explosão de ressentimentos. A questão da vice deve ser tratada como um fino cristal, porque um estremecimento pode refletir em cisão, que vai influenciar já nas eleições municipais deste ano, ou no processo sucessório estadual, em 2006. MARDOQUEU O fato do prefeito Marcelo Deda (PT) ter citado o deputado Mardoqueu Bodano (PL) como um bom nome para ser vice, não indica que o sugeriu para ser seu vice-prefeito. Segundo um assessor do prefeito, nomes como o de Mardoqueu, ou Fabiano, ou Augusto Gama, ou do vereador Elber Batalha são bons e podem compor a chapa como vice. EDVALDO Durante entrevista na Ilha FM, Marcelo Deda fez os maiores elogios ao seu vice, Edvaldo Nogueira (PCdoB), que também está na luta pela reeleição. Mesmo reconhecendo a atuação de Edvaldo, o prefeito evitou indicações. Esse não é momento de se definir qualquer nome. CONSCIÊNCIA Marcelo Deda já está começando a conversar sobre a formação da chapa e vai ouvir todas as lideranças, procurando o consenso. É legítimo que os partidos reivindiquem a indicação do vice, mas o nome será definido, no final, pelo próprio Marcelo Deda. À VONTADE O presidente do Diretório Municipal do PSB, Antônio Carlos Valadares Filho, disse que seu partido defende que Marcela Deda escolha o candidato a vice entre as legendas aliadas. Valadares Filho diz que “não vamos pressionar”. D. MARIA A impressão que se tem em Brasília é de que a senadora Maria do Carmo Alves (PFL) é candidata à Prefeitura de Aracaju. Em suas entrevistas, a senadora diz apenas que o seu nome está sendo colocado à disposição do partido e que está pensando na candidatura. REAFIRMOU O deputado João Fontes reafirmou, ontem, que os deputados Cleonâncio Fonseca (PP) e Mendonça Prado (PFL) contribuíram para obstruir a CPI da Pistolagem. João disse que participou da sessão em que houve essa obstrução, mas que não estava fazendo qualquer acusação em relação a crimes praticados no Estado. IMPUNIDADE João Fontes disse que o estado de impunidade impera em Sergipe e citou o delegado que prendeu um vereador do PT arbitrariamente e apenas nomeara ele para outra cidade. Advertiu que nada vai “me intimidar”. E acrescentou: “vou continuar porque precisamos passar este Estado a limpo”. ALMEIDA Para o deputado João Fontes, o senador Almeida Lima (PDT) caiu numa armadilha montada pela imprensa, quando fez as denuncias contra José Dirceu. Considerou a denuncia grave e disse que o trabalho de desqualificação do senador Almeida Lima deveria ser repudiado por todos os sergipanos. MENDONÇA O deputado federal Mendonça Prado (PFL) disse, ontem, que o seu colega João Fontes faz hoje o que o deputado Gilmar Carvalho quer. Acha que João Fontes quer passar a imagem que “estou querendo acobertar alguma coisa, mas na realidade a intenção dele é outra”. PRESENTE Mendonça Prado disse que a vinda da CPI da Pistolagem a Sergipe e Bahia não foi colocada em pauta para votação. Acrescentou que estava presente à reunião e quem pediu para transferir para outra data foi o relator, Luiz Couto, e o presidente, Bosco Costa. JANTAR Segundo Mendonça Prado, o deputado João Fontes jantou com ele e com José Carlos Machado, quarta-feira passada, na Academia de Tênis de Brasília. Na quinta-feira pela manhã, a notícia estava nos jornais: “é o caso, ele me matou e foi para o enterro”, brincou. LAURO O pleno do Tribunal de Justiça apreciou a revisão do processo contra o ex-prefeito de São Cristóvão, Lauro Rocha, que o tinha considerado inelegível e o condenara a 7 anos de prisão. Por unanimidade, Lauro foi inocentado. Nas eleições deste ano, ele já pode retornar às suas atividades políticas. COMBOIO O governador João Alves Filho (PFL) foi ontem à noite para o sertão, levando um comboio de carretas com ovelhas, vacas leiteiras, tijolos, tubos e um caminhão-pipa de leite. Fará uma espécie de mutirão para começar a reconstrução do que foi perdido no sertão. O trabalho começa por Canindé e desce para Poço Redondo, Monte Alegre e Porto da Folha. Notas NO FIM O deputado federal João Fontes (sem partido) disse ontem que o clima do Governo Lula da Silva é de fim de festa: “é como se o pessoal já estivesse no oitavo ano de administração”. Diz que tem viajado por todo esse Brasil e o que tem visto é a descrença da população que votou em Lula na esperança de mudanças. Lamenta hoje assistir o Partido dos Trabalhadores contando com o apoio e defesa de pessoas como Antônio Carlos Magalhães e o grupo do ex-governador Paulo Maluf, que os petistas sempre combateram. VALADARES O senador Antônio Carlos Valadares (PSB) retornou a Aracaju ontem à noite e hoje conversa com correligionários sobre sucessão municipal, principalmente a de Aracaju, onde os partidos aliados devem indicar o nome do vice na chapa majoritária, que terá Marcelo Deda disputando a reeleição. O partido de Valadares não fará qualquer imposição, mas tem nomes em condições de participar da chapa majoritária. O senador deve ser um coordenadores do processo e, como é do seu estilo, não fará exigências. IMPOSIÇÃO Um assessor importante do prefeito Marcelo Deda revela que o Partido dos Trabalhadores não ficará indiferente à indicação do candidato a vice-prefeito, mesmo sabendo que a orientação é não fazer campanha de 2006 em 2004. A escolha será feita de forma democrática, mas o PT sabe onde quer chegar. Sem revelar o nome para não criar problemas, o petista disse que ninguém tem dúvida que Marcelo Deda deixará a Prefeitura 16 meses depois da posse e o partido não pretende perder a Prefeitura. Sinal que lutará pela vice. É fogo O chefe da Casa Civil, José Dirceu (PT), está com o novo problema: a atuação do seu filho na liberação de recursos do Governo. A previsão de alguns parlamentares é que a partir de agora uma série de denuncias vai surgir contra José Dirceu. O deputado João Fontes revela que o pessoal expulso do PT está se reunindo para a formação de um novo partido, que sairá até junho. A viúva de Joaldo Barbosa, médica Edla Cruz, quer apenas que apurem os novos fatos, para que não fique nenhuma dúvida sobre o crime do marido. Está confirmada para a próxima terça-feira a abertura dos trabalhos da Comissão de Ética que vai avaliar as declarações do deputado Gilmar Carvalho. O presidente da comissão, deputado Augusto Bezerra, só vai indicar o relator durante a reunião. Depois de acalmados os ânimos da instalação da Comissão de Ética, alguns deputados já consideram que Gilmar merece apenas uma advertência. A deputada Maria Mendonça (PSDB) não culpa o presidente Lula pela não instalação de uma CPI para apurar o caso Waldomiro. Maria Mendonça lembra que o Congresso Nacional é soberano. Se a maioria assim o quis, foi feito democraticamente. Segundo uma fonte influente do PT, o PTB será o partido que vai colocar maior resistência para indicação do nome do vice de Marcelo Deda. João Fontes diz que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não atende a bancada do Nordeste, mas agora vai tentar chegar a ele via Zezinho Dirceu e Waldomiro Diniz. O Ipea está prevendo uma inflação menor em 2004 que a estimada anteriormente. Entretanto, o instituto projeta uma taxa de juros maior. A arrecadação do Governo Federal somou 22,534 bilhões de reais em fevereiro, o que representa uma queda de 20,49% em termos reais. Por Diógenes Brayner brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
Comentários