Primeiro verão com dengue e chikungunya no Brasil

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O verão chegou com um desafio particular para o Brasil. Pela primeira vez na estação, dengue e febre Chikungunya circulam juntas pelo país. As doenças têm sintomas parecidos e são transmitidas pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti, e também pelo Aedes albopictus. As temperaturas mais altas e chuvas favorecem a proliferação dos mosquitos transmissores das duas doenças.
Outro fator relacionado ao verão, que também contribui para a disseminação das doenças, principalmente no caso da febre Chikungunya, é a circulação de pessoas em razão das festas de fim de ano e das férias escolares. Muitos saem de um estado  e acabam se deslocando para áreas onde o vírus já está circulando. Isto pode possibilitar a introdução do vírus em outros estados a partir do regresso dessas pessoas.
No início,  os casos da febre Chikungunya eram importados de pessoas que contraíram a doença em viagens a outros países. Agora já existem casos autóctones, isto é, aqueles contraídos dentro do próprio país. Diferentes regiões do país correm risco de terem surtos de dengue e chikungunya no verão. No Nordeste, já foram detectados casos no nosso vizinho Estado da Bahia, nos municípios de Feira de Santana e Riachão do Jacuípe.
Diferentemente da dengue, que tem quatro subtipos, o chikungunya é único. Uma vez que a pessoa é infectada e se recupera, ela se torna imune à doença. Quem já pegou dengue não está nem menos nem mais vulnerável ao chikungunya: apesar dos sintomas parecidos e da forma de transmissão similar, tratam-se de vírus diferentes.

Sinais e Sintomas
Entre quatro e oito dias após a picada do mosquito infectado, o paciente apresenta febre repentina acompanhada de dores nas articulações. Outros sintomas, como dor de cabeça, dor muscular, náusea e manchas avermelhadas na pele, fazem com que o quadro seja parecido com o da dengue. O que diferencia a febre Chikungunya da dengue é a dor nas articulações que acomete o paciente de forma incapacitante. No idioma africano makonde, o nome chikungunya significa "aqueles que se dobram", em referência à postura que os pacientes adotam diante das penosas dores articulares que a doença causa. Em média, os sintomas duram entre 10 e 15 dias, desaparecendo em seguida. Em alguns casos, porém, as dores articulares podem permanecer por meses e até anos.
Em compensação, comparado com a dengue, o novo vírus mata com menos frequência. Em idosos, quando a infecção é associada a outros problemas de saúde, ela pode até contribuir como causa de morte, porém complicações sérias são raras, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Já a dengue provoca complicações como o risco aumentado de hemorragias, queda da pressão arterial e acometimento dos órgãos.

Tratamento
Não há um tratamento capaz de curar a infecção por Chikungunya, nem vacinas voltadas para preveni-la. O tratamento é paliativo, com uso de antipiréticos e analgésicos para aliviar os sintomas. Apesar de haver poucos riscos de formas hemorrágicas da infecção por chikungunya, recomenda-se evitar medicamentos à base de ácido acetilsalicílico (aspirina) nos primeiros dias de sintomas, antes da obtenção do diagnóstico definitivo.

Medidas Preventivas
A atual alternância entre dias de chuva e calor têm criado um ambiente perfeito para o acúmulo de água parada, o que demanda um cuidado ainda maior pela população, uma vez que a maior parte dos criadouros dos mosquitos concentra-se no lixo doméstico.
Por isso, cada família precisa assumir o papel de combatente, para verificar e eliminar possíveis locais que acumulam água. É importante que todos se conscientizem da importância de não deixar água parada em vasilhas jogadas nos quintais, brinquedos, pneus velhos, vasos, piscina, aquários e em outros locais onde o mosquito pode colocar seus ovos. Manter desentupidas as calhas, ralos, toldos e marquises, também são medidas preventivas importantes.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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