Problema liberal

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O prefeito de Aracaju, Marcelo Deda, candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores pressentiu que, na hora em que topou a indicação de Edvaldo Nogueira para vice, como sugestão dos partidos que fazem o bloco da oposição no Estado, uma bomba relógio foi colocada em sua mão, programada para explodir depois da decisão. Os candidatos a vereador do seu Partido recusaram um chapão, porque sabiam que perderiam duas posições na Câmara. O Partido dos Trabalhadores não queria dividir a chapa com partidos que o apoiavam. O objetivo era, realmente, o registro de um chamada chapa puro sangue, com coligação ampla na proporcional. Essa luta foi difícil de vencer, desde quando Marcelo Deda se lançou pré-candidato à reeleição. Depois que o nome de Edvaldo Nogueira (PCdoB) se consolidou, os candidatos a vereador exigiram que sequer fosse conversado sobre um chapão, porque a sigla já tinha cedido a vice para os demais partidos. Com a divisão da chapa majoritária, não houve condição para o chapão. Marcelo Deda confirmou que havia se comprometido com o vereador Sérgio Góis (PL), que faria de tudo para uma coligação proporcional, “mas o processo tomou outro rumo e não houve condições de um chapão, exatamente porque foi fechada a chapa com um representante do bloco oposicionista na majoritária”, justificou Marcelo Deda. O prefeito disse que não é dono do partido e foi voto vencido pelos 160 delegados que participaram da pré-convenção. De qualquer forma, Deda acrescentou que continuava trabalhando para encontrar uma solução para atender às necessidades do Partido Liberal. Terça-feira à noite, o prefeito Marcelo Deda voltou a telefonar para o presidente do Partido Liberal, deputado federal Heleno Silva, anunciando que a legenda presidida pelo ex-deputado Gilton Garcia, o PTN, entraria na coligação ao lado do PL, PTB e PSDB. Heleno respondeu ao prefeito na segunda pessoa e formalmente: “tu és a líder do bloco. Vossa excelência tem capacidade de resolver o problema”. O PL deixa claro que quer marchar junto com as forças de oposição no Estado, mas não está podendo “porque alguns membros do PT não estão prevendo que a legenda pode ser Governo do Estado e vai precisar do apoio de um bloco mais amplo”. Segundo opinião de um liberal, “o PT quer receber votos, mas na hora se recusa a votar em outra legenda”. Também ontem, dentro do Partido Liberal, se comentava que o deputado federal Jackson Barreto, que preside o PTB, estava chegando de Brasília para bater na mesa em relação à coligação proporcional, porque os candidatos do seu partido também não estavam querendo uma composição com os liberais. Entretanto, segundo o deputado Heleno Silva, na reunião que houve segunda-feira passada, Jackson teria tirado o braço da seringa: “puxa, logo eu resolvendo problemas dos outros”. Achava que isso caberia ao prefeito Marcelo Deda, que era líder do grupo e tinha que trabalhar as acomodações e evitar qualquer tipo de dispersão. Neste momento não seria bom para o bloco das oposições ao Governo do Estado. O deputado Heleno Silva confirmou que teve uma conversa com o deputado Gilmar Carvalho (PV), na terça-feira, e pediu que ele esperasse até segunda-feira, para uma composição com o PL. Heleno acha que ainda dá para tentar até sábado, para que se solucione o problema. Depois disso fica tarde demais e o Partido Liberal terá que procurar outras alternativas, para que os seus candidatos a vereador tenham condições de disputar o pleito com chances de eleger-se. Heleno Silva também não nega que teve uma conversa com o governador João Alves Filho, no gabinete do parlamentar em Brasília e que, da mesma forma, também ouviu propostas para aliar-se ao seu partido. Bom, Heleno retornou ontem à noite e a partir de hoje verá se entre rojões e comidas típicas sai uma boa composição que faça sorrir os liberais, principalmente a Sérgio Góis, que anda meio choroso com tudo isso que está acontecendo. SUSANA O governador João Alves Filho (PFL) reafirmou, ontem, que apóia a deputada Susana Azevedo à Prefeitura de Aracaju e garantiu: “vamos ganhar!” Quanto ao vice disse que o PFL é um partido de profissionais e vai analisar isso até o último minuto para as convenções homologatórias. O MELHOR João Alves disse que o partido estuda quem é melhor para ela, pouco importando que o vice seja de qualquer partido que integra o bloco. Acrescentou que está “conversando, conversando, conversando e pode ser que até faltando 30 minutos para a convenção, é que se decida quem será o vice”. REDUÇÃO João Alves Filho disse que vai reduzir o tamanho do Estado. Existem 47 ordenadores de despesas, todos com custeio e fica difícil até controlar isso. João disse que nas questões de outros setores, cujas providências foram tomadas, houve atraso na informação das despesas: “agora vou acabar com isso”. MARDOQUEU O deputado estadual Mardoqueu Bodano (PL) disse que não existe meio aliado: “ou é ou não é”. O meio termo realmente é complicado. Bodano faz uma pergunta: “ser aliado apenas para reeleger Marcelo Deda à Prefeitura. E os nossos vereadores?”. JERÔNIMO O ex-prefeito de Lagarto, Jerônimo Reis (PTB), não será candidato a vereador de sua cidade, como estava pretendendo. Ele foi convencido por correligionários que sua candidatura prejudicaria alguns candidatos a vereador do grupo. ALMEIDA O senador Almeida Lima (PDT) disse que só não está fechada uma composição do seu partido com o PV, só depende de Gilmar Carvalho. O deputado Gilmar Carvalho revela que está esperando uma definição no PL, segunda-feira, para anunciar sua candidatura ou não na terça-feira. ESTRUTURA Gilmar Carvalho (PV) disse ontem que das condições exigidas para ele ser candidato, duas já foram cumpridas: a solução da Comissão de Ética e um partido para coligação. Está faltando apenas uma: a estrutura de campanha que o partido lhe prometeu. Sem isso, segunda feira ele conversa com Almeida Lima e pode desistir da disputa. SUSANA Almeida Lima disse, também, que uma coligação com a pré-candidata Susana Azevedo (PPS) nesse momento ela melhor condição. O senador analisa que ela é candidata com o apoio do PFL e o partido do governador não está querendo fazer uma coligação proporcional ampla. VITRINE Segundo o senador Almeida Lima, alguém em Sergipe inventou que político tem que ser uma espécie de peça de vitrine e aparecer em todas as festas. Ele acha que a vitrine do político não é “andar em festinhas, mas os atos praticados na Câmara e no Senado”. EXEMPLO Almeida deu como exemplo alguns políticos que vivem aparecendo em festas, para ser visto pelo povo: “isso é populismo”, disse. Depois deu uma alfinetada: “tem político que vota em R$ 260 para o Salário Mínimo e depois sai se requebrando em cima do trio elétrico”. VOTAÇÃO Cleonâncio Fonseca (PP), Heleno Silva (PL) e Jackson Barreto (PTB) votaram contra o salário mínimo de R$ 275,00. Bosco Costa (PSDB) estava em plenário e saiu. João Fontes (PSOL), Mendonça Prado e José Carlos Machado (PFL) votaram favorável aos 275 reais. Jorge Alberto (PMDB) não compareceu à Câmara. DIRCEU O deputado Heleno Silva (PL) já havia decidido que não viajaria a Brasília para a votação do Salário Mínimo, ontem pela manhã. Um rápido telefonema do ministro da Casa Civil, José Dirceu, o amoleceu e Heleno resolveu viajar. O seu voto atendeu ao que sugeriu o bloco ao qual faz parte. PETROBRAS O presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra (PT), passa o final de semana em Aracaju e no sábado assina convênios no valor de R$ 670 milhões com a Codevasf. Os convênios vão beneficiar a região do Baixo São Francisco e são voltados para a geração de emprego e renda, dentro do projeto Fome Zero da Petrobrás. CONFERÊNCIA Também no sábado, José Eduardo Dutra participa de conferência eleitoral do Partido dos Trabalhadores, visando o pleito municipal de outubro. Essa conferência reúne todos os pré-candidatos do Partido, para falar sobre a organização de campanha. Terá vários conferencias. Notas CAMAROTE O governador João Alves Filho (PFL) estará no camarote do prefeito de Aracaju, Marcelo Deda (PT), na área em que se realiza o Forrocaju, para assistir ao show da cantora Elba Ramalho, no dia de São Pedro. João Alves Filho também dará entrevista reconhecendo o êxito da festa promovida pela Prefeitura. A Prefeitura ofereceu ao governador um camarote, mas João Alves ligou para Marcelo Deda e pediu que ele escolhesse um dia, “porque quero estar no seu camarote”. O prefeito sugeriu o dia do show de Elba Ramalho. EXPLICA O governador João Alves Filho explicou a informação equivocada de que ele daria um salário de 375 reais se todos concordasse em descontar para o Ipes. Na realidade ele disse que se os funcionários não pagassem ao Ipes, como acontece na Prefeitura, ele poderia dar um aumento de 101 dólares. A imprensa divulgou que a sugestão fora de um secretário e João Alves Filho brincou: “se algum auxiliar meu viesse com uma idéia desse tipo, eu o mandaria para uma clínica de repouso. Ninguém falou isso”, disse. TEMPESTADE Sobre a questão do Instituto da Previdência do Estado de Sergipe (Ipes), o governador João Alves Filho disse que estava havendo uma tempestade em relação a isso: “não haverá condição do Ipes Saúde ser privatizado”. E desafiou: “se isso acontecer ninguém vote mais em mim para nada”. Segundo João Alves, o que existe é uma herança maldita deixada pelo Governo anterior, que determinou que os “ricos não deveriam contribuir com o Ipes, só os servidores pequenos. Mas tudo volta ao normal em 15 dias”. É fogo O governador João Alves Filho reuniu a imprensa ontem para um café da manhã em um restaurante de comidas típicas da praia 13 de julho. Durante o café, o governador concedeu uma longa entrevista, depois de exibir uma série de projetos para o seu Governo. A votação do Salário Mínimo, em sessão realizada ontem pela manhã, pegou muitos deputados estaduais de surpresa. João Alves Filho disse que não vai tomar o Hospital da Polícia Militar, porque “a polícia é que me dá a melhor segurança do país”. No próximo dia 30, o prefeito Marcelo Deda receberá o selo prefeito amigo da criança, oferecido pela Fundação Abrinq, aos chefes de executivo municipal. O secretário da Comunicação do Município, Milton Alves, representou o prefeito Marcelo Deda na inauguração da TV Assembléia. O jornalista Raimundo Luiz, apesar de vários anos militando na imprensa, ficou emocionado com a inauguração da TV Assembléia. O PSC está com a intenção de desenvolver uma intensa campanha de filiações partidárias, depois das eleições de outubro. O PSC conta com 48 diretórios municipais, mas só participará ativamente das eleições em 42 cidades, apresentando candidatos a vereador e a vice-prefeito. O deputado Gilmar Carvalho (PV) quer acabar com a farra da colocação de nomes de prefeitos e governadores a obras realizadas por eles, com o dinheiro público. O deputado Francisco Gualberto (PT) lembrou que a Constituição Federal proíbe que nomes de pessoas vivas sejam colocadas em prédios públicos. A queda da inadimplência abriu espaço para que as taxas de juros cobradas pelos bancos também recuassem em maio, quando o volume de crédito aumentou. Por Diógenes Brayner brayner@infonet.com.br

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