Procurando assunto para escrever.

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Procurando assunto para escrever, evitando o medo e a tristeza, e tentando fugir do lugar comum, saí pesquisando na imprensa que visito, algo que me fosse interessante para desenvolver e compartilhar.

 

Antes, porém, muitas perdas a prantear.

 

Do noticiário local, uma perda pessoal e imensa que bem vale destacar: meu colega e amigo José Augusto Machado, conhecido como “Manteiguinha”, um apelido que lhe vinha do pai, salvo engano, filho de José de Oliveira Machado (Zé da Manteiga) e dona Maria Maurícia Machado, gente boa, ceboleira, de Itabaiana.

José Augusto e eu fomos colegas desde o Atheneu, isso no já longínquo 1963.

Depois cursamos a Graduação na antiga Escola Superior de Química de Sergipe.

Após a graduação em Química Industrial, ele prestou Concurso para Química Orgânica ingressando como Professor do Instituto de Química da UFS, enquanto eu fazia o mesmo para a Matéria de Ensino Física, no então Departamento de Matemática e Física da nossa Universidade Federal.

A carreira docente de José Augusto foi interrompida quando este resolveu deixar a UFS e ingressar como Dirigente de Indústrias no Grupo Constâncio Vieira.

Alguns anos depois, até por insistência minha, enquanto Diretor do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia, consegui o seu retorno à Docência da nossa Universidade, desta vez ingressando no Departamento de Engenharia Química, onde viria a ministrar duas Disciplinas importantes na formação do Engenheiro, qual seja: Ecologia e Poluição e Higiene e Segurança na Indústria.

Se José Augusto se vitoriou como docente respeitado e referenciado por seus colegas e alunos, na vida empresarial vinha também lutando no ramo dos derivados do leite.

Destaco-o, enquanto colega de bancos escolares e depois como docente da nossa UFS, por ser um homem digno e correto, como devem ser todos os homens, retilíneos, progressivos e firmes, caminhando sempre em frente, sem tergiversações e/ou desvios.

A COVID o levou, soube-o depois de seu passamento, impedido de receber a louvação presencial merecida.

Deus o quis assim, nos seus mistérios e razões.

Ficou-nos a sua memória.

Uma boa lembrança, como assim deve ser, sobretudo para aqueles que lhe foram mais próximos em 73 anos de vida: seus colegas e alunos, sua mulher, Iracema, seus filhos, Breno, Diogo e Dênio, e uma netinha.

John Donne rezou assim sobre o passamento de todos os homens. Há homens, todavia, cuja partida nos diminui sobremodo.

Outro que faleceu também nessa semana foi o Ex-Reitor da UFS, Clodoaldo de Alencar Filho, o Alencarzinho, destacado Diretor da Rádio Cultura de Sergipe, um excelente quadro cultural daquela emissora, em criação e programação.

Alencarzinho era filho do poeta Clodoaldo de Alencar Filho, autor de “Os Mais Belos Troféus de Heredia”, “Orós”, “Archotes”, “A Festa do Coração”, e outros poemas.

Era também irmão de outros “Alencares”, todos notáveis, a citar os da minha convivência, e já falecidos também: Luiz Carlos, o que me foi mais próximo, Professor e Vice-Reitor da UFS, destacado Magistrado em Sergipe, onde foi Desembargador e Presidente do Poder Judiciário e Ministro do Superior Tribunal de Justiça; Hunaldo, professor de português e poeta destacado; e Leonardo, pintor de muitos quadros e murais, pertencentes a diversos acervos particulares e públicos.

De Alencarzinho eu possuo o opúsculo “Aracaju, etc e tal”, “As Atemporais”,salvo engano, leituras agradáveis e risonhas de fatos característicos de sua aracajuana vivência, livros perdidos entre as poeiras da minha biblioteca, e jamais esquecidos.

Afastando-me agora deste tema sofrido, deixo de falar das perdas de outros meus próximos, acontecidas nas últimas semanas, como a de dois alunos que se fizeram depois colegas meus; Menilton Menezes, professor da Física e Jackson Lobo da Odontologia da UFS, desejando que Deus os receba em seu supremo e definitivo amparo.

 

Volto então, ao tema inicial de fuga do lugar comum, em cenário de mortes.

 

Assim, eis o que não interessa:

 

Pesquisei os jornais e o que encontrei?

 

1º  Tema.

Nos jornais sulistas o destaque foi a perspectiva da disputa eleitoral no próximo pleito presidencial, agora que o Ex-Presidente Lula teve alvejada suas vestes manchadas, porque uma decisão judicial entendeu que ele nunca fora devidamente culpabilizado, só porque o seu crime aconteceu, em dolo só seu e só dos seus, mas que fora denunciado e apurado por quem não devia, não podia e nem merecia, embora qualquer bom juiz o merecesse, por haver suficiência de prova, excesso de contraprova, tudo aquilo que denuncia e reprova, e muito enoja!, mas que não enodoa: igual ao gol de mão inconteste, que sobrou validado, e mal apurado, restando mais que festivo, para alegria sacana, mas gloriosa, de torcida!

Com Lula em vestes alvejadas, eis a grande imprensa ensaiando estratégias para 2022 em foto colhida via iPhone.

 

Pois em terras onde o “ó do bórógódó” impera, vale o assente de muitos ós acentuados, só para que os postes possam urinar nos cachorros por vingança, a cauda balançar o cão em lambança e a cachoeira subir a ladeira, por arteira melhor, mais divertida e melhor asneira, em festival de besteira, com muita gaitada, sem pranto nem dor.

 

Porque em terra pátria, o pranto vertido nunca será bem carpido, por arrependimento inútil ou esforço desnecessário.

Campeonato de rejeições, segundo o Globo, em foto de iPhone.

 

Necessário, todavia, é derrubar Bolsonaro, “o genocida”.

 

O único a não merecer refrigério nem descanso, de Leste a Oeste e Sul a Norte, desde a Contamana no Acre à Ponta do Seixas na Paraíba, e do Caburaí lá em Roraima ao Arroio Chuí nas Coxilhas, em toda e qualquer altimetria escalada ou batimetria descambada, “por ser o Mito, o agente único da COVID, o portador de sua foice e sua Peste, nesse pais continente”.

Matéria semelhante no Estadão em foto obtido via iPhone.

 

Convocados contra “essa peste”, estão todos e toda a gente, para formar fileira de caça, trazendo besta, tacape e arpão disponíveis, valendo atiradeira de pouco uso, estilingue e até bodoque, faca cega e até punhal roído, tudo valendo em litisconsorte a lhe desafiar o corpo e a sorte, deste Capitão desbocado mas destemido, por corajoso e quase sozinho e sem partido, ousado demais nesta terra de raros heróis em tantos bandidos, embora digam muitos diferente, nessa mídia inconsequente.

O noticiário, contudo, só por suas fotos se explicita.

Candidatos bons seriam Lula, o novo preferido, por alforriado; o Ex-Juiz Sérgio Moro, hoje enlameado; Ciro Gomes, Ex-Governador do Ceará; Agripino Dória, o Governador atual de São Paulo; o apresentador televisivo, Luciano Huck, candidato da poderosa Rede Globo; o Ex-Ministro Mandetta, que deixou muitos órfãos e viúvas; todos contra o “Indesejável Capitão Coronavirus”: Jair Messias Bolsonaro.

Para quem não gosta do Jair, é bom repetir para continuar e “Jair se acostumando”, mesmo que o chamem de “capitão de pijama”, uma tolice, “capitão de navio pirata”, uma pior estultice, ou “capitão de chegança”, sem folgança e sem folclore.

Só não devem chamá-lo de “Capitão Cueca”, por infantil em demasia, nem de “Capitão Gay”, por incompatibilidade de criação e falta enorme de serventia.

 

2º Tema.

O todo poderoso Jornal O Globo destacou o gesto magnânimo do Ministro Moraes do STF que concedeu prisão domiciliar ao Deputado Federal, Daniel Silveira, que deverá mofar retido no seu lar, utilizando tornozeleira eletrônica.

O Deputado falastrão, Daniel Silveira, curtirá sua “hediondez”, mofando no seu lar com tornozeleira eletrônica, segundo o Globo em foto obtida via iPhone.

 

O Deputado cometeu o crime hediondo de falar demais, e seus colegas em seção de extrema e pior hediondez, referendaram, por grande maioria, a violência de um Poder contra um outro que lhe não resistiu, abrindo o próprio flanco para novas investidas.

 

Daquela sessão memorável, em pusilanimidade!, os oito deputados sergipanos, votaram iguais, sem vacilar, ou tremendo, sobremodo: do líder dos sem terra, ao tido e havido líder dos “tubarões capitalistas”, que no passado teve atacada e quase incendiada até a sua firma empresarial.

Uma união impossível de argilas, distintas demais, para jamais resultar uma escultura de bom tijolo!

Isso, porém, passou.

Ficou essa história de vergonha: por 8 x 0.

Para quê desenterrá-la?

Só para dizer que há aplausos merecidos e apupos necessários, para fustigar os homens quando se fazem medíocres e pigmeus?

Que sejam perdoados por suas tolices!

 

3º Tema.

Saindo do Brasil, o jornal Le Figaro da França denuncia em vasta matéria de capa o Covid-19, falando do ano que mudou o mundo, em chamada de esperança de Liberdade, a invocar num amanhã que se faz distante.

A COVID inquieta o mundo. Matéria de Le Figaro

 

 

 

A diferença do Le Figaro e do Le Monde para os jornais brasileiros, é que tratam com excessiva lhaneza o Presidente Macron, um reformista emasculado pelos coletes amarelos e pelos insubmissos encastelados no estado-de-bem-estar social, tão francês quão deficitário.

 

 

 

4º Tema.

Outra aflição francesa em tempos de pandemia é a inquietação em face da baixa natalidade, sendo culpada a mulher gaulesa.

Le Figaro destaca a baixa natalidade da nação francesa, enquanto numa Síria, em ruínas, após dez anos de guerra, Bachar el-Assad continua a reinar.

 

De cada dois franceses, em muito gozo e rala reprodução, o índice de nascimento se faz inferior a 1,81.

 

A França gloriosa de Carlos Martel, cada vez mais se “des-francesando”, e sendo invadida pelos africanos e pelos europeus orientais, com consequências imensas de ordem cultural e religiosa.

 

5º Tema.

O jornal Le Monde denuncia a violência na Birmânia, com pelo menos dezoito mortos numa manifestação em Rangun.

Le Monde denuncia a morte de dezoito pessoas numa manifestação na Birmânia. Foto obtida via iPhone.

 

 

Idem para o L’Humanité, destacando que apesar da repressão, os assalariados birmaneses procuram resistir à repressão dos militares.

 

 

Como o L’Humanité é um jornal de esquerda, sua mensagem denuncia o suor frio dos Generais birmaneses, convocando um apelo de solidariedade internacional para sustentar os grevistas e seus familiares.

L’Humanité dá sua versão nos conflitos da Birmânia. Foto obtido via iPhone.

 

 

6º Tema.

 

 

O Financial Times de Londres destaca um outro protesto, desta vez contra o Presidente Mexicano, López Obrador, acusado de assediar mulheres.

 

O Financial Times de Londres destaca um manifesto contra o Presidente Lopez Obrador do México, por assediar mulheres. Foto via iPhone.

 

Haja tarado, mundo a fora!

 

 

 

7º Tema

 

 

O Daily Mirror, também de Londres, destaca outros protestos, desta vez em Londres mesmo, por conta do desaparecimento e morte de Sarah Everard, que sumiu sem deixar vestígios, e cujo corpo foi encontrado na floresta de Kent, num envolvimento mal apurado, em que um policial londrino parece envolvido.

O Daily Mirror de Londres destaca manifesto de mulheres londrinas, face o desaparecimento e morte de Sarah Everard. Foto via iPhone.

 

 

 

 

 

8º Tema

 

 

O Washington Post destaca a futura reunião do parlamento da Virgínia, quando será discutida a legalização do consumo de maconha.

Foto calma do Capitólio da Virgínia, em Richmond, em prévias calmas de discussão da liberação do uso da maconha. Foto do Washigton Post obtida via iPhone.

 

“Que seja feito direito!” – Diz o jornalão preocupado.

 

 

 

9º Tema

 

 

O Dailymailor londrino e o Chalie Hebdo, folhetim francês, destacam a entrevista do casal Harry e Meghan à apresentadora Oprah Winfrey.

Harry é o segundo filho do Príncipe Charles e de Lady Di, aquela que morreu, deixando suaves lembranças e um sorriso enternecedor.

O Daily Mail londrino destaca insatisfações no âmbito da coroa britânico, com direito a palavrão censurado do Príncipe Charles. Foto via iPhone.

O mundo todo sabe que o casal, Charles e Diana, viveu as agruras de um casamento fracassado, com denúncias de infidelidade comprovadas de Charles, e outras não de todo confirmadas de Diana.

 

Desta infelicidade comum, restou a Charles a pecha de vilão, que ficou como um cavalheiro de triste figura.

 

“Cavaleiro de Triste Figura”, uso esta alegoria, por ser um dos epítetos assumidos por, este sim: cavalheiresco, com lh, Dom Quixote de La Mancha.

Nada a ver com Charles, a não ser este possuir uma figura triste, desde jovem e hoje um velho, da minha faixa de idade.

Ter um casamento infeliz é terrível, é bom acrescentar, e Charles sempre fora apaixonado por Camilla Parker Bowles, nascida igual a mim em 17 de julho de 1947, com quem o Príncipe de Gales deveria ter casado, embora o destino não o permitisse.

Quando o destino levou Diana, num acidente no túnel D’Alma, sob o Rio Sena, Charles foi bastante correto e digno, para resgatar em Paris o cadáver da sua ex-esposa, que morrera junto ao seu amante, naquele fatídico acidente.

Depois, o Príncipe de pouca sorte casou-se com Camilla Parker Bowles, Duquesa da Cornualha, e desde aquela data parecem viver felizes em harmonia e sobriedade.

Agora essa harmonia foi quebrada: o Príncipe Harry denuncia maus tratos e insinuações de racismo, atingindo sua esposa, Meghan, por não ser tão alva e ruiva como ele.

Nessas coisas de família, há sempre um escândalo para gerar boas notícias, sobretudo dos herdeiros desprezados.

Uma amiga minha, por exemplo, vendo em Diana, mais alegre do que triste, desconfia que o Harry bem merecia, por exuberância de ruividez, passar por um exame de DNA, ou coisa semelhante, o que talvez explicasse tudo ou quase tudo, em tantos rejeitos enunciados.

O Charlie Hebdo chargeia a Rainha Elizabeth II, em pose igual à do policial assassino, George Floyd, sufocando Meghan. Foto obtida via iPhone.

 

O Charlie Hebdo, no entanto, prefere usar uma charge empesteando a longeva Rainha Elizabeth II, em pose do policial assassino de George Floyd em Mineapolis, EUA, repetindo sua frase terminal, dizendo o porquê de Meghan deixar o Palácio do Buckingham: –  “Porque eu não podia mais respirar!” – Grita a charge.

 

Uma injustiça com a idosa Rainha: uma mulher notável!

 

10º Tema

Se o Globo G1 apresenta o automóvel do Presidente Argentino sendo apedrejado por populares, em plagas portenhas as manifestações massivas em terra pátria, em favor do Presidente Bolsonaro não aconteceram para a grande mídia.

O Globo destaca apedrejamento da viatura do Presidente Argentino. Foto obtida via iPhone.

 

 

Nesse contexto, segue uma foto de uma carreata em apoio do Presidente Bolsonaro no último domingo, exposta pela CNN.

 

 

A CNN deixou escapar uma passeata em favor do Presidente Bolsonaro. Uma raridade! Foto obtida via iPhone.

 

 

Uma verdade tão escondida, mas verdadeira, quanto a que eu assisti com os meus olhos azuis, bem vividos, passeando na Avenida Beira Mar, quando presenciei uma longa carreata a favor do Mito, passando carros e mais carros buzinando, por longo tempo em desfile, infelizmente não filmada por mim, porque ninguém publicou, nem divulgou, como se estivessem a dizer e convencer: “Não existiu!”

Mas, a carreata existiu, ora essa!

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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