Quadrilha, só a de Lampião!

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Leio na Infonet que a nossa Polícia desbaratou uma “quadrilha” que vinha assaltando bancos às margens do Rio São Francisco.

Quadrilha! Que é isso se o STF, ao julgar aquele bando maior do “mensalão” ficou tão oscilante e pendular em sua conceituação?

Será que a nossa polícia realmente enfrentou uma quadrilha?

Comprovou-se o seu estatuir em regimento gravado no cartório, como pareceu querer exigir o supremo tribunal, requerendo uma comprovação documental em firma e confirma, da real intenção do seu cometimento criminal, em “ação prolongada no tempo”, para sem contrafação, nem contestação, consignar real ameaça viral “à paz pública”?

Quadrilha, só houve a de Lampião, disseram ou pareceram assim os que inocentaram os réus do “mensalão”, esta ficção sociológica de pouca comprovação patológica!

Ah Lampião! Não é à toa que lhe sobram mais aplausos que apupos. Porque sem uma única confirmação virgular, Virgulino fora o único a quebrar a paz pública.

Não foi assim apresentado, no foro maior tão longe e tão distante, só por um surdo ressoar de um eco tão longínquo quanto quimérico, do cangaceiro nordestino, escória da sociedade dos aculturados e famintos, como sói devem ser os resistentes da caatinga, os empoeirados ressequidos ao sol, aqueles abandonados de tudo, e outros que nos descaminhos da impunidade se esgueiram em outras misérias, nas vielas tortuosas e enegrecidas de morros e favelas? Só estes, em quadrilha verdadeira, por sociologia; nunca por criminologia?

E aí eu me volto para a polícia que na sequencia da política tola do desarmamento, a polícia está sendo cassada, como assim nunca acontecera na história deste auriverde país; os militares sendo exterminados em ações cirúrgicas de precisa execução, e o judiciário tergiversando entre o crime e o não crime, porque o comprovado foi mero indício, sem confissão, sem gravação juramentada ao vivo e em cores, como quer assim a ampla defesa e o interminável processo legal.

É quando me volto de novo, já quase tonto em paranoia, vendo a nossa polícia de agora, matando quatro bandidos e prendendo outros seis em apreensão de arsenal e bananas de dinamite, e também para a volante do Tenente Bezerra e do Sargento Aniceto que de “maneira bastante desumana para os dias de hoje, mas seguindo o costume da época, decepou a cabeça de Lampião e seus comparsas”.

Se ali como agora, a repressão policial teve sua aprovação em maioria, maior grito vem da crítica que, passado o medo e dormindo mais tranquila, denuncia o excesso de violência e a quase ausência de confabulação suasória.

Ou seja: A polícia pode morrer; jamais matar! É o que dizem os que gostam de carpir e defender bandidos.

Mas, quem é o bandido? Pergunta não o personagem Kafkiano que todos o somos na imperfeição do dever ser, mas o vero proto-ser criminal encastelado no paço governamental.

Quadrilha? Que quadrilha? Quadrilha só a de Lampião, ora essa! De Virgulino aquele “mártir severino”, a quem não querem deixar dormir, morto de morte matada, no tiro, com direito a corte de sabre ou de facada, e que restou degolado, igual ao Bom Jesus Conselheiro, com a cabeça salgada, exposta como troféu, transferida em andor de lata de querosene, fotografada e retratada, para estudo ou visitação.

Ou seja; se houve neste país uma quadrilha, ela foi desbaratada em 1938, sem direito à ampla defesa e o contraditório recursal. O resto é sociologia, tudo assentado sem revolta e sem despertar ironia, e a polícia sempre enxovalhada, desde aquela prisca hora, como em rabisco de agora, por nova e exemplar assepsia.

Que cansaço! Como é difícil perquirir a seriedade e sabê-la tão minúscula em maioria!

Por que não perdoarmos a todos? Dirão os eternos adeptos das amplas e irrestritas anistias.

Não seria mais salutar, num gestual pacificador da alma nacional, apagar tão vacuar casuístico?

Por que não arquivar no lixo da história tanta produção científica de pouca inspiração exemplar?

Mas, qual peru matado na véspera e já bebum de antevéspera, dizem que o Brasil irá mudar com o julgamento exemplar do mensalão!

Como?

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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