Quando subestimam o consumidor

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Quando eu tinha uns 15 anos, uma menina passou por mim vestindo uma camiseta igual à minha. Naquela época eu não tinha idade, muito menos maturidade, para seguir imune ao episódio e acabei abandonando a camiseta no fundo do armário. Isso me veio à cabeça por esses dias, quando uma senhora puxou conversa comigo numa dessas lojas populares do Centro de Aracaju.

Entrei atraída por um short de paetês exposto na vitrine. Mas sofri uma decepção brutal no momento em que meus olhos fitaram a etiqueta e eu percebi que de popular, o preço não tinha nada. Antes de sair, fiquei por ali olhando outras coisas quando uma mulher, dos seus quarenta e poucos anos, comentou: “Se for pra gastar R$ 150 com uma camisa, prefiro gastar numa butique”. A justificativa? Simples. “Lá tem poucas peças iguais e eu não corro o risco de encontrar um monte de mulher vestida como eu”, concluiu a senhora, apontando para uma arara abarrotada de peças iguais.

Ela saiu da loja com passos decididos e eu fiquei com aquilo zunindo na cabeça. Quem paga caro – e tem consciência disso – quer certo grau de exclusividade, quer ser atendido com algum cuidado. E nada mais justo. Não faz nenhum sentido depositar absurdos nos caixas de lojas que expõem suas peças em cabides quebrados e sebosos. Para mim, o problema já não é encontrar outra dúzia de mulheres vestindo a mesma peça que eu. O problema é ser subestimada enquanto consumidora.

E isso não acontece só em lojas convencionais. Sou entusiasta de bazares e brechós. Mas, às vezes, tenho a impressão de que aqui, em Aracaju, falta aquele desapego, aquele espírito de venda de garagem, sabe? Parece que em qualquer lugar do mundo alguém consegue garimpar uma peça charmosa e, claro, em bom estado por menos de R$5. Menos aqui. E isso me preocupa. Se eu estou numa loja, num bazar, num brechó ou em qualquer outro lugar que se proponha a vender peças a preços populares, quero comprar a preço popular. De outra forma, nem estaria lá. E de tão óbvio, eu não deveria estar escrevendo sobre isso. Mas, aparentemente, é preciso.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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