Quantas divisões tem o Papa?

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Joseph Stalin e Pierre Laval

A título de anedota, a frase foi dita em 1935, num encontro entre Pierre Laval, então Ministro de Negócios Estrangeiros da França, e Joseph Stalin, o todo poderoso Czar da Rússia Soviética.

 

Laval tentava assinar um pacto de não-agressão franco-soviética, buscando se defender de um eventual ataque da Alemanha de Hitler.

Conta-se que Stalin quisera saber quantas divisões militares dispunha a França aquilatando a sua eficiência.

Laval respondeu-lhe, e logo engrenou uma nova razão em favor do acordo que pleiteava; tratava-se de uma motivação, senão tola, quase pueril: o pacto atrairia para Stalin a boa vontade do Papa Pio XII, amaciando a Santa Sé que muito condenava a República Soviética por andar perseguindo os Católicos em terras russas.

Foi nessa ocasião (maio de 1935), que Stalin perguntou a Laval: “Ah, o Papa! Quantas divisões tem o Papa?”

Se Laval sorriu, ninguém atestou. O pacto de não-agressão, a História narra que jamais vingou.

Cinco anos depois (1940), a França viraria feudo alemão. Laval assumindo a condição de Primeiro-ministro da França colaboracionista de Vichy, e depois sendo condenado a morte por “alta-traição”, isso em 1945, quando da libertação pelos aliados.

A frase de Stalin serve-me agora para refletir sobre o recente perdigoto lançado pelo Vereador Carlos Bolsonaro, o segundo filho do Presidente, que afirmara em suas redes pessoais que “por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos.”

Segundo apurado na internet, dissera o Vereador, urbi et orbi, para quem o desejasse em acréscimo às suas desesperanças. “Só vejo todo dia a roda girando em torno do próprio eixo e os que sempre nos dominaram continuam nos dominando de jeitos diferentes!”

Girando fora deste seu eixo, cabe a pergunta: com quantas divisões CarlosBolsonaro conta para ensejar transformações rápidas e radicais nesse Brasil, assaz inercial?

E o Brasil deseja mesmo tantas mudanças assim?

Não estará o Brasil, achando que a mudança acontecida, por decepção deveras compartida, já está a merecer uma nova alteração, até por experimentação de ensaio e erro, em busca de melhor acerto?

O lamentável é que há alguma razão no “Carluxo” em contemplar a necessidade de reformas rápidas em nossa democracia, mas isso não lhe dá o luxo de se achar solução fora das vias democrático.

Pelas nossas vias democráticas, a despeito de poucas ou muitas divisões contadas, mais fácil tem sido derrubar Presidentes.

E de tantos quantos depostos e derribados, nenhum vingou saudade, nem foi reposto.

 

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