Quanto custa um orgasmo?

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Depende. Do dia, da hora, local e ocasião. Oscila de acordo com o tempo (do sexo em si) e do tempo (clima). Conversando com alguns (quase) profissionais do sexo (ambos os sexos) percebi que vem acontecendo uma mudança silenciosa nesse tipo de relação: trata-se da amizade-do-sexo-pago. Funciona assim: você conhece a pessoa, rola um papo bacana e depois, na sequência dos fatos, uma transa. Mas a coisa não acaba ai…

Na segunda ligação pra marcar uma nova transa (algo comum na vida dos adultos), a pessoa já descarrega seus mil problemas, deixando implícita uma necessidade financeira. Acabou a história de cinema, jantar, motel. Com tudo tão rápido, cortam-se as etapas, e vai-se logo para o motel e depois uma grana pra ajudar nos custos. Dependendo do nível da amizade-do-sexo-pago, os valores são bem altos, mas na grande maioria fica em torno de 100 reais (o preço de um programa nível médio em qualquer lugar do Brasil).

Quem se submete a pagar diz não se sentir pagando e quem receber o pagamento enfatiza que não se vende por sexo, e assim o mundo vai girando cada vez mais louco. Fica tudo meio morno e a amizade continua até que surja mais um telefonema, outro encontro e uma nova lista de necessidades. Nessa relação não existe intermediários, as pessoas são livres para suas negociações.

Conheci recentemente uma moça que me disse com todas as letras, que se o cara lhe pagasse a conta do supermercado, ela ficaria com ele. Também soube de um caso onde a mulher “namorava” com um que pagava a conta de luz e outro que contribuía com o aluguel. Ela dividia as agendas, para que não houvesse choque de horários. Assim, mantinha a vida na maciota e no “amor”. Se um especialista freudiano, atualmente, inventasse de classificar o amor, certamente enlouqueceria ao se deparar com personagens desse tipo.

No caso dos rapazes, contaram-me que a coisa é até mais interessante. O cara convida o “amigo” para um chopinho, depois partem para o sexo e em seguida uma ajuda para o transporte do tal amigo. Às vezes, prática mais usual dos homens casados que também participam destas relações de fast-fode, a coisa acontece no carro mesmo. O cidadão chega, abre o carro já nu (pra facilitar), faz tudo que se consegue fazer dentro de um carro, entrega o “agrado”, apertam-se as mãos e cada um segue sua vida (separados, óbvio), mas sempre em contato constante – coisa de “brodagem” dos tempos modernos.

Caso curioso: já se foi o tempo em que os rapazes usavam de suas musculaturas para conseguirem cargos públicos (não que essa prática tenha sido extinta, ainda acontece, mas com raras exceções). Hoje em dia, os chamados “Wheyboys”, malham com você na academia, mas depois que o sapato aperta, negociam o prazer por um pote de suplemento alimentar. Leia com atenção: não se trata de negociar sexo por dinheiro pra comprar comida (não quero justificar aqui prostituição para pagar refeição), mas enfatizar que o nível da vaidade masculina, hoje em dia, é tão alto que vale realmente tudo para manter os centímetros esculpidos. Então o lance é musculatura perfeita, sexo rápido e sigiloso… ah, e o mundo lá fora girando do mesmo jeitinho de antes (só que mais feroz). Com um programa de suplemento alimentar, básico, beirando os R$ 300, quem poderá criticar quem em tempos de selfies perfeitas?

Vale pontuar que a cesta básica (leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate, pão francês ou de forma, café em pó, açúcar, óleo, manteiga e frutas como banana e maçã) custa em média R$ 296 em Aracaju (segundo dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Econômicos – Dieese). Mas aqui não estamos conversando sobre sobrevivência, risco de morte por inanição. Isso é assunto pra antropólogo, biólogo e sociólogo! O que o povo quer mesmo é gozar, apenas gozar e tirar fotos para as redes sociais.

O senhor deseja quantos orgasmos?

Outro ponto importante nessa permuta sexual está diretamente ligado à quantidade de orgasmos (queria ter substituído o orgasmo do título pela palavra gozada). Nas relações de amizade-do-sexo-pago, o pagante só tem direito a gozar apenas uma vez (caso queira mais, tem que contribuir com mais). Tanto os rapazes quanto as moças que negociam nessa área são enfáticos: “a coisa acaba assim que uma das partes gozar primeiro”.

Como não existe muito carinho e atenção (mas um pouco de respeito para amenizar a situação), o orgasmo é como se fosse a risca da prova dos nove, onde quem recebe o pagamento comprova que cumpriu seu papel enquanto o que paga pode voltar pra casa com um gostinho de quero mais (o que possivelmente mobilizará um novo encontro, outra negociação, e por aí vai). No sexo, tenho aprendido que existem infinitas possibilidades (que não devem ser julgadas), mas a cada dia que passa concluo que nunca haverá medida para o amor.

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