Que mundo herdarão os nossos Filhos?

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Nunca houve, na história da humanidade, tanta preocupação com o meio ambiente, com o ecológico. O temor do ser humano com as devastações, com as poluições, com as degradações e com o pouco caso que sempre se fez com a natureza, só agora despertado, cresce a cada dia.

Nunca se falou tanto de poluição, preservação, desmatamento, reciclagem, aquecimento global, chuvas ácidas, camada de ozônio, efeito estufa, elevação da temperatura, degelo das calotas polares, aumento das águas dos oceanos, economia de recursos naturais e muitas outras terminologias que sequer existiam há trinta anos.

Toda essa apreensão e esse cuidado têm um motivo especial. Nós, seres humanos, nos preocupamos muito com o mundo que estaremos legando aos nossos filhos e netos. Pelo andar da carruagem, tememos que seja impossível habitar este planeta daqui a alguma décadas. Como será daqui a cem anos, então? Haverá ainda disponibilidade de água, de alimento e de moradia, para tanta gente?

As cidades comportarão tantos carros? O esgotamento sanitário será equacionado? O degelo das calotas polares será estancado? Haverá uma rolha capaz de tampar o buraco da camada de ozônio?

Não pretendo deixar aqui uma resposta. Quem sou eu para ter a condição de fazer tal previsão? Contudo, e sem querer ser ufanista e muito menos apocalíptico, devo dizer que a situação que se vislumbra é, no mínimo assustadora,  merecendo, de todos nós, muito  cuidado.

Porém, como sempre acreditei e continuo acreditando no gênero humano, espero que ele vá superando todos esses problemas gerados, exclusivamente, por ele mesmo. Pois o homem é o único ser vivo capaz de, interferindo no meio, destruir ou construir, preservar ou degradar. 

Pois, se somente ele, o bicho racional, tem essa capacidade, ou seja, é o único a dispor da condição de fazer ou deixar de fazer, de edificar ou demulir, de devastar ou manter, creio que toda essa preocupação, embora muito procedente, deveria ser dirigida, também, a ele, aos homens que ficarão aqui depois de nós.

A dúvida não deveria se restringir:

“a que mundo vou deixar para o meu filho”,

Mas, também, e, sobretudo:

“a que filho vou deixar para esse meu mundo”.

Pois no caso o mundo é o paciente que sofre a influência e o filho o agente que opera esta influência e, considerando que o paciente é aquele sofredor da intervenção do agente, nada mais aconselhável do que cuidarmos, agora, de legarmos bons agentes a este mundo que ficará. 

Nós nos achamos com a obrigação de legarmos aos nossos filhos um mundo capaz de nele se habitar, viver e conviver. Porém, temos também, o dever de transmitir a este mesmo mundo, filhos que saibam lidar, na qualidade de agentes construtores e transformadores com este lugar tão bom que só em pensar que seremos obrigados a deixá-lo, já nos dá saudades.

Repito: se a nossa preocupação é qual será o mundo que queremos deixar para os nossos filhos e se este mundo será o que dele fizermos nós e eles também? Não seria mais lógico pensarmos antes que filhos nós estamos deixando para este mundo? 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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