Queimadas e desertificação, por Edmir Pelli

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A desertificação ameaça expulsar milhões de pessoas de suas casas nas próximas décadas e enormes nuvens de poeira podem afetar a saúde de pessoas a milhares de quilômetros de distância afirmou um relatório internacional: A desertificação surge como um problema global que afeta a todos.

Zafar Adeel, da academia hídrica da Universidade da ONU – Organização das Nações Unidas, disse que dois bilhões de pessoas vivem em áreas áridas vulneráveis a faixas da Ásia Central. E as tempestades podem levar poeira do deserto do Saara até a América do Norte, por exemplo, causando problemas respiratórios nos habitantes de lá.

A superutilização do solo para pasto e plantações, o crescimento exagerado da população e o mau uso da irrigação estão contribuindo para a desertificação. Segundo o relatório, entre 10% e 20% das regiões áridas já estão degradadas.

Ainda de acordo com o relatório, a crescente desertificação no mundo todo ameaça aumentar em milhões o número de pobres obrigados a buscar novos lares e meios de vida, pois 41% do território do planeta é composto de regiões áridas, incluindo a maior parte da Austrália, a parte oeste da América do Norte e boa parte da região andina, na América do Sul.

A desertificação causa problemas de saúde por causa da poeira, da redução da produção agrícola e da pobreza. A poeira do deserto de Gobi, na Mongólia, pode afetar até o Japão ou o Havaí. Alguns cientistas estimam que um bilhão de toneladas de poeira são lançadas na atmosfera na região do Saara por ano. Tempestades de poeira vindas da África podem afetar plantas até na Flórida, por encobrir a luz do sol. A poeira africana também pode, porém, carregar nutrientes e acredita-se que ela ajude florestas como a amazônica a sobreviver.

Segundo as Nações Unidas, a desertificação degrada 60 mil quilômetros quadrados de terras férteis por ano em todo o mundo, trazendo perdas econômicas de US$ 4 bilhões. No Brasil, a destruição das florestas tem agravado a desertificação, bem como ausência de políticas públicas em saúde, educação, assistência técnica e para o desenvolvimento sustentável, disse a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Ainda de acordo com a ministra, a desertificação precisa ser enfrentada com um esforço conjunto de governos, comunidade científica, instituições de ensino e pesquisa e sociedade em geral.

O PAN – Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca – lançado em agosto do ano passado para combater a desertificação, atua principalmente para o manejo sustentável da Caatinga, bioma exclusivo do país, para o desenvolvimento de políticas de geração de emprego e renda para as populações do semi-árido e na integração de políticas de governos. Além de tudo, o programa identifica causas e traz medidas para evitar o avanço da desertificação no país.

Ainda no país, a principal fonte de poluição atmosférica nas cidades brasileiras são a fumaça e fuligem de queimadas, segundo levantamento do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O desmatamento e a queima de vegetação ocorrem em todo o país, informa o estudo, que recolheu dados de 5560 municípios em 2002. A maior freqüência de queimadas e desmatamento se confirma nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

A poluição atmosférica freqüente, de um modo geral, atinge 1.224 municípios onde vive quase metade da população brasileira (85 milhões). O Sudeste tem 54% destes municípios. Por isto, segundo o governo, é preciso intensificar a fiscalização, porque não temos o controle de todo o descaso que, muitas vezes, alguns praticam, mas que estamos aperfeiçoando, estamos nos educando, estamos nos preparando para que a gente tenha instrumentos cada vez mais eficazes para proteger o meio ambiente (Ambientebrasil Online).

EdmirPelli é aposentado da Eletrosul e articulista desde 2000
edmir@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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