QUEM NÃO ARISCA, NÃO FAZ

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As nossas coragens, assim como os nossos medos, necessitam de que os alimentemos para que permaneçam vivos.

 

 

Infelizmente alimentamos mais os nossos medos.

 

Arriscamos pouco, e o pouco que arriscamos, o fazemos com muito temor; pois, vai que não dá certo?

 

Por isso perdemos muito.

 

Como diz o axioma popular, quem não arrisca, não petisca.

 

Os que mais fazem são os surdos para os apocalípticos, para os profetas do absurdo, para os terroristas do medo que, sempre à espreita, destilam o seu pessimismo e as suas viperinas previsões catastróficas.

 

Chamo-os de “urubulinos”. O seu “mantra” preferido é: “isto não vai dar certo”.

 

Sentem-se felicíssimos quando veem algo que não se realizou. As suas maiores realizações consistem na oportunidade de dizer: “eu sabia que isso não ia dar certo” ou, pior ainda, “eu bem que avisei, você teimou, agora sofra as consequências…”. 

 

Ser conhecedor das consequências que poderão advir de uma ação tem dois resultados.

 

O primeiro é que esta consciência se presta para que nos previnamos e ajamos com ponderação, nos acautelando, assim, de futuros erros, às vezes, insanáveis. Esta é a parte boa de sermos conhecedores do que poderá acontecer.

 

O segundo, por outro lado, sempre se presta para inibir a ação de fazer. Às vezes a ideia é ótima, a pessoa até dispõe do conhecimento, do valor para investimento, a demanda é suficiente… Mas, por temor do que poderá advir, o agente, amedrontado, aborta o projeto, estanca a ação, bloqueia o processo, prefere deixar pra lá e perde a oportunidade de melhorar sua vida.

 

Muito em breve, ele vê aquela ideia implementada por outra pessoa. E, o pior, – para quem não fez – dando muito certo.

  

Neste caso conhecer o que poderá advir de uma ação, mata a idéia, inibe a criatividade e impede a inovação.

 

Quantos negócios, iniciativas e vitórias natimortos?

 

Consideremos que a simples atitude de insegurança já se constitui numa possibilidade de impedir o sucesso: Eu? Vou fazer isso não, vai que… – Coloque aqui o obstáculo que você quiser – que não dê certo: que o concorrente descubra que falte dinheiro para concluir; que não apareça quem compre; que eu sofra uma daquelas fiscalizações; que alguém se acidente; que me acionem na justiça; que chova, que faça sol, que caia um raio…

 

Conheço pessoas que andam pelas duas vertentes:

 

Tenho um amigo que tudo seu é por demais fundamentado. Nada escapa às suas apologias do “e se”. E se o fiscal aparecer; e se não vender; e se pintar “conseqüências desagradáveis”. Tudo o que ele faz transita dentro da mais estrita e rigorosa norma do “e se”. Ah, esqueci de dizer que ele é advogado e também, proprietário de um pequeno negócio. Por ter o conhecimento dos direitos trabalhistas e como se comportam os empregados quando demitidos e os auditores do Ministério do Trabalho, quando de suas fiscalizações, ele não aceita que ninguém passe um segundo dos horários de entrada e saída e, para isso, pratica um “terrorismo” desesperado. Se por acaso ele souber que um funcionário seu saiu um minuto depois do horário é motivo para ser advertido e, se persistir, ele será suspenso e, até demitido. Criou com isso, na sua loja, um ambiente de pânico explícito, ao ponto de colocar alarme no relógio demarcando os horários de entrada e de saída. Como era uma lanchonete, – sim, era – verbo no passado mesmo, pois com uma “neura” destas não poderia ir muito longe, fechou, embora fosse um excelente negócio.

 

Outros conheço que por falta de coragem, – no que pese entenderem de determinados assuntos, neles não investem, a eles não se dedicam, por puro medo do fracasso, ou qualquer conseqüência desagradável. Todavia, sempre entristecidos reclamam quando percebem que alguém não ponderou tão negativamente, foi, fez e está se dando muito bem com aquela mesma ideia que ele, por medo, não colocou em prática.

 

Não esqueçamos: ideia sem ação é como um carro sem combustível não se “auto move”. A “AÇÃO” é o combustível da IDEIA.

 

A IDEIA sem o seu combustível, que é a AÇÃO, assim como o CARRO sem o seu combustível que é a GASOLINA, por exemplo, não se “AUTO MOVEM”.

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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