QUEM VIVER VERÁ

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Cartas do Apolônio

Quem viver verá

Lisboa, 12 de novembro de 2004

Caros amigos de Sergipe:

O fim de ano está chegando. Por isso não resisti à tentação de ir a uma cartomante na semana passada. Quis saber o que o ano de 2005 reserva para o futuro da terra do saudoso Tô Te Ajeitando.

Ainda que não se deva confiar numa cartomante com o improvável nome de Isoldina Bizunga dos Açores, lá fui eu em busca das tendências que as cartas apontam para a terrinha.

Aliás, não sei qual foi o abichanado que inventou aquela história de que “as cartas não mentem jamais”. Sinceramente meus amigos, vá mentir assim no Além Tejo! A mulher inventou um monte de sandices e ainda me cobrou em dólar, pasmem os senhores. Um verdadeiro abuso premonitório.

Entre as loucuras que a tal Madame Isoldina profetizou algumas merecem destaque pelo alto grau de inventividade cartomântica. 

Imaginem que a rapariga me assegurou por exemplo que a pendenga sobre a Orquestra Sinfônica ainda vai dar muito pano pra manga, isso se não der na extinção da afamada agremiação musical.

Aliás, foi através dela que soube que a tal orquestra estava em vias de se acabar.

Na verdade nem sabia que ela tinha começado, mas se o seu fim for mesmo um fato, pior para a cultura ocidental, afinal sempre soube que uma boa orquestra sinfônica é como o estupro: uma vez iniciado, não se deve parar no meio.

Á propósito, que será do público sergipano sem os gracejos do maestro Tangerina e suas portentosas camisas de cores berrantes?

E dos músicos que vieram – coitados – de todos os rincões do planeta somente para inebriar os ouvidos tupiniquins com a execução de instrumentos tão maviosos como harpas, fagotes e oboés?  

Também esse pessoal da Procuradoria Geral do Estado só pode estar querendo quebrar a harmonia de tão afinado grupo, com essa coisa ultrapassada de concurso público.

É como diz o José, concurso gasta muito, amigos. E nesses tempos de vacas magras, meus senhores, não é bom dar mais despesas ao erário público. 

Outro que se posicionou sobre o inconveniente concurso foi secretário da comunicação dizendo que nos tempos de Bethoveen ou Mozart não tinha esse negócio. Pra que isso agora? Achei uma pérola!

Segundo ela, serão tempos difíceis para o pessoal que frauda as licitações governistas e não é por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal nem nada disso, não. É que a turma do Governo Federal anda pegando muito no pé das administrações pefelistas pelo Brasil afora. Portanto, se por acaso tem alguém que faz dessas coisas aí pela terrinha (o que eu duvido muitíssimo, diga-se de passagem), é bom tomar cuidado.

Diz a Isoldina que uma grande mulher, conhecidíssima entre os sergipanos, galgará um alto cargo federal no governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Grande mulher sergipana? Só se for mesmo a Maria Feliciana.

Essa Isoldina dos Açores deve ser maluca. E eu mais ainda em lhe dar ouvidos e pagar em dólar. 

Até semana que vem.

Um abraço do

Apolônio Lisboa.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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