Quer construir? Aprenda a cavar

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A idéia de escrever esta matéria nasceu de uma daquelas perguntas ousadas que, às vezes, fazem e deixam qualquer um sem uma resposta adequada. Eu tentava demonstrar que todos nós temos a possibilidade de vencer na vida sem, contudo, ser necessário prejudicar, enganar, roubar ou tomar de ninguém.

Dizia que conseguir uma determinada posição, ter o suficiente para viver com dignidade e sobrando sempre, não faltando nunca, é possível sem o artifício do engodo, da manha, do suborno, do roubo, do jeitinho ou da corrupção.

Afirmava isso dizendo que todos têm a condição de conseguir.

Tentava explicar isso quando um rapaz de uns vinte anos exclamou em tom de desafio:

– Por favor, nos dê esta fórmula mágica, para que nós também fiquemos ricos, pois, pelo visto, é isso que o senhor está nos afirmando. É exatamente isso? É possível qualquer um ficar rico?

Tentei explicar:

O conceito de riqueza é muito fugaz, depende do que cada um chama de riqueza. Lamentavelmente temos que ter muito cuidado ao falar sobre ela, pois, embora a riqueza seja a coisa mais desejada por todos nós, lamentavelmente, ainda prevalece certo ranço contra essa palavrinha tão bonita, ela ainda não é muito palatável. Se alguém diz que quer ficar rico, abrem-se vários balõezinhos acima das cabeças dos seus interlocutores com as indagações mais estapafúrdias possíveis, alguns pensam: “como? Vais ganhar na loteria?” Ou, “em qual esquema ele estará se metendo?” Já outros imaginam: “vai roubar de quem?” Ou ainda, “vai vender droga ou contrabando?” “A quem ele pensa que vai enganar?”… Portanto, evitei até agora a palavra riqueza. Porém, como ela veio à baila posso afirmar que é possível sim que todos nós minimamente esclarecidos possamos vencer na vida e fazermos e sermos aquilo o que quisermos, inclusive ricos.

É claro que obedecendo e, paradoxalmente, desobedecendo, (quebrando) os limites a nós impostos pelas condições naturais, de tempo e espaço, aproveitando melhor as oportunidades e fazendo, com honestidade e esforço, sempre um pouco mais do que aquilo que normalmente se faz. Dando sempre aquele “passo extra”, como diz o Prof. Marins, em busca de objetivos práticos e bem definidos.

No mundo só existem duas categorias e quem quer ser e fazer deve ter em mente a dimensão exata do que sejam estas duas classes de pessoas, refiro-me às categorias: daqueles que fazem e a daqueles que não fazem; a dos que treinam e a dos que não treinam e, sobretudo, a dos que querem e a dos que não querem.

Portanto, eis alguns esclarecimentos da metáfora que encabeça esse texto e que talvez se preste para quando cada um de nós fizer uma auto-análise, com um pouco de boa vontade, descubra se está fazendo o necessário para atingir os seus objetivos ou se necessita fazer um pouquinho mais para, indo sempre em frente, tornar-se realizado e vencedor em vez de acomodado perdedor.

Foi nessas condições que citei como de improviso a frase que dá nome a esta matéria: “quer construir? Aprenda a cavar”, pois toda boa obra só estará de fato segura se tiver como base, um bom alicerce.

Quem quer construir uma casa basta fazer alguns buracos e neles colocar ferro, pedra, areia e cimento, fazer um baldrame e terá o necessário para que as paredes e o telhado não venham abaixo.

Porém, se quisermos construir um prédio com vinte andares teremos que cavar muito mais, colocar muito mais ferro, cimento e pedras, pois o corpo daquela construção requer um suporte muito maior para que não venha a ruir. Assim, também, é a construção da vida de cada um, depende do tamanho e da rigidez da estrutura, construída com o sacrifício de cavar bem, usar os melhores materiais, fazer os melhores alicerces, estruturar a mais sólida base, para ter, sem dúvida, como destino, uma obra imponente, bem sucedida e perene.

Que seja uma casa ou uma carreira, que seja uma profissão ou um negócio, que seja um bom casamento ou um emprego, que seja uma próspera família ou apenas um relacionamento… Quer construir? Aprenda a cavar.

Parece estranha esta metáfora? Não é. Ela se encaixa muito bem para nos dizer como deve ser feito para atingirmos os nossos objetivos. Há nela uma tremenda verdade.

Tudo aquilo que quisermos fazer deverá ser realizado da melhor forma possível, a nossa construção, tem que ser a mais bem edificada para que tenha, naturalmente, mais solidez e durabilidade. Todos os nossos propósitos hão de ser verdadeiros e todas as nossas ações devem estar assentadas na boa vontade, na conveniência e no amor.

Não aquele “amor banalizado” que propagam por aí como sendo apenas o belo, o bom e o útil. O amor vai além, é tudo isso e muito mais. O amor é doação, é compreensão, é preparação, é trabalho, é esforço, é sacrifício, mas, é também, humildade, harmonia, paz e, sobretudo, prosperidade.

Amor é o alicerce dos relacionamentos, a base de uma vida feliz e realizada, o esforço de fazer sempre mais e melhor aquilo que tem que ser feito, e, por fim, o sacrifício da persistência na realização do sonho.

A quantidade de boa vontade e amor que cada um dedica à sua vida dimensionará, também, a quantidade e a qualidade do que busca para sua realização, para a sua riqueza.

Portanto, se você quer bem construir a sua vida aprenda a cavar para que a sua construção seja sólida e de muita durabilidade e, consequentemente, seja também próspera. Não esqueça, tudo isso só se realizará se você tiver muito amor ao que é, ao que quer, e ao que faz.

SEJA FELIZ, TENHA SUCESSO, SEJA PRÓSPERO.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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