Querendo ficar bem na fita I

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Que a Vaca rumine!

Há um discurso provocador da filósofa Marilene Chaui em que ela repete sucessivas vezes: “Eu odeio a classe média!”

Pode ser encontrado no https://www.youtube.com/watch?v=fdDCBC4DwDg

Por razões próprias e bem diferente daquelas elencadas por Chaui, eu também odeio a classe média, sobretudo tantos deslumbrados com a tecnologia que lhes permite oportuna divulgação beócia, via mensagem gratuita de WhatsApp, mundo afora, evidenciando-lhes insuficiências lógicas, muitas ausências de conteúdo científico e cultural, excedente ociosidade viciosa, sem falar da inerente capadoçagem de tudo fazer para se apropriar dos recursos públicos e comunitários.

Quem não deseja ficar bem na fita em pose de bom mocismo, pregando a liberalidade de costumes, mas sempre disposto a violar a regra, seja furando qualquer fila, ultrapassando o semáforo, estacionando em fila dupla na porta do colégio, tumultuar o tráfego só para encabrestar o seu burrinho na escola, fraudar provas e certames, usar de reclames para descumprir o horário laboral, achar que sempre vale a inadimplência nos pagamentos condominiais, porque com cuspe e jeito sempre se pode enfiar um boi nos fundilhos de qualquer sujeito?

Quem não está agora repetindo acriticamente que a “a vaca anda tossindo”, sem xarope nem patilha, só porque algo está sendo feito para coibir desmandos incompatíveis com a moderação e a boa gestão dos recursos financeiros?

Como é difícil acabar com os desmandos neste país!

E olhe que eu não estou falando em nenhuma lei abolicionista, tipo Lei Áurea da Redentora Dona Isabel!

Eu estou falando de outros desmandos titânicos, que incompatíveis se acham com qualquer orçamento, ditados por embonecados e empolados de gravata, ternos de boa grife e negras becas e que contornam todo óbice aos seus planos de partilha do erário.

Ah erário! Quantas regras são imaginadas para redução da cobrança dos impostos, outras para limitar despesas em balizas prudenciais, e ocultos expedientes para fugir-lhes, via sonegação nunca criminal na receita, e insondáveis desvios  orçamentários em permutas de rubrica mascarando a despesa, tentando enganar a todos e sobretudo à matemática, nesta terra em que vale toda ginástica, para inflar o balão sem papocar.

Pois é: o balão está papocando.

E papoca justamente nos ditos governos de esquerda, dos sempre sofridos e perseguidos da ditadura militar, que já estão no comando do Estado há muitos anos, e o que fizeram e continuam, é exibir a péssima administração, inclusive com pagamento parcelado de salário, uma violência nunca imaginada em terra pátria, justamente contra o barnabé indefeso.

Ah! Mais o Estado está fazendo economia de guerra! É o que se quer divulgar  enquanto catástrofe saneada com perfumaria.

Que governo gosta de não parecer bondoso? Ou bonzinho mesmo só se é quando situado na oposição?

Infelizmente nossa capacidade de protestar só é norteada por molecagens tipo “Movimento Passe Livre”, invasores de terra, black blocs e coisas do tipo.

Seriedade ninguém quer. Todos acham que uma passeata resolve tudo até convescote para mal avaliar a educação e a saúde.

Os médicos, coitados! Estão sendo tratados como marginais, nivelados a bandidos.

Pior do que bandidos, porque nesta terra de tantos marreteiros, qualquer malfeitor tem a simpatia geral e irrestrita, com defensoria gratuita, inclusive.

Já o médico, ele que se vire! Nem passeata pode fazer que é capaz de levar pedrada.

Pedrada do Estado que lhe é algoz, pedrada de enfermeiro que almeja seu lugar, pedrada de motorista que pode imobilizar ambulância, e pedrada até de jornalista que bem sabe que a todos pode atacar, para fazer gracejo, nenhuma graça ou por desgraça desta terra sem Deus e sem Alá.

“Alá, meu bom Alá, mande água pra Iaiá! Mande água pra Ioiô!”

Eta terra desgraçada em pouca vergonha que em tendo tanta água está faltando água para beber e faltará energia porque vem da água a nossa energia.

E estão nos dizendo que a solução é a termeletricidade que nunca nos vai faltar, como se sem-vergonhice fosse combustível de inflamação plena.

Quando todo mundo sabe que o que nos plenifica é a inoperância, a gastança e a incompetência.

Agora mesmo, ouvi no noticiário que o Governo de Sergipe não irá reajustar o IPVA pelos índices de inflação.

Esta decisão é um crime!

O reajuste pela inflação deveria ser um preceito obrigatório, por lógica e seriedade das contas públicas.

Pensar diferente é renúncia fiscal! Uma renuncia não pedida, nem requerida.

O IPVA é igual ao IPTU, o Imposto de Renda, o aviltante SPU e até a enfiteuse da cova no cemitério; todos tem que ser reajustados anualmente neste berço da inflação.

Numa economia como a nossa que é refém da inflação não se pode abdicar dos reajustes de todos impostos. Pensar diferente é imaginar um Estado subserviente a demandas irresponsáveis.

Ah! Diz o burocrata. “O estado não irá perder arrecadação. A julgar pelo ano que passou que se vendeu muito carro, neste ano de 2015 as vendas de automóveis novos superarão tal queda de arrecadação”.

Com um argumento tão ingênuo quanto imbecil, que conta com o ovo ainda não gerado no útero da galinha, em esperas da gala do galo, não será surpresa o fatiamento e o não pagamento do salário do servidor público.

“Ah! Mas há uma inadimplência do IPVA. Tem muita gente que não paga há muito tempo, alguns por décadas! Agora nós vamos botar o inadimplente no SERASA”.

Só agora? Agora quando? Na próxima calenda?

E as delendas contra os altos salários que resistem a tetos, subtetos, contra-tetos e outros excretos?

Há por ventura uma maneira de solucionar tal sangria desatada!

Há! É só botar a cabeça para funcionar.

Copiemos, eis a solução, afinal “Na natureza nada se cria, tudo se copia”.

Que Dona Dilma com ousadia e sem terrorismo mire-se na legislação fazendária do regime militar, aquela que foi revogada em benesses irresponsáveis de Nova República.

Se nem o céu é confiável limite para os salários principescos da máquina pública, que não sejam tão parcamente limitadas as alíquotas de cobranças do Imposto de Renda para a pessoa física.

E para consubstanciar esta ideia que bem merecia o emprego em ressurreição de Fênix, transcrevo um gráfico obtido no site da Receita Federal:

Alíquotas do Imposto de Renda Pessoa Física ao longo dos anos.

No gráfico acima observa-se que entre 1946 e 1988 as alíquotas máximas do Imposto de Renda oscilaram entre 50 e 66%, diferente de hoje que só atinge 27%, em premiação da Nova República aos ricos, e aos que enriquecem sob resguardo das mordomias da lei, com o Estado pagando em demasia a poucos e esfaimando a tantos.

Todavia, muitos irão querer apagar essa ideia, afinal de contas o noticiário e o petrolão está na ordem do dia, e todo mundo quer ficar bem na foto!

Mas se pensar nessa ideia, é querer dizer que a vaca estará tossindo, seria bom que uma consulta popular referendasse tal mudança.

Ver-se-ia quem defenderia o contrário, afinal se a vaca não tossiu ainda, é preciso que ela rumine, como falou um ministro em comparação tão inteligente quão necessária.

Que a vaca rumine!

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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