Qu`est-ce que c`est monsieur le gouverneur? (Que é isso senhor governador?)

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  Qualquer estudante do ensino médio conhece pelo menos um pouco a história do rei da França, Luis XIV, monarca absolutista que ficou conhecido como “Rei-Sol” e pela celebre frase “o Estado sou eu” (L”État c”est moi”). Em toda história mundial foram vários os ditadores que se achavam dono do mundo e das pessoas. Graças ao espírito dos homens de então todos eles, de Luís XIV, passando por Napoleão, Hitler e tantos outros nos dias atuais estes absolutistas do “eu sozinho”, amargaram derrotas fragorosas.

   No sistema político-administrativo brasileiro, o governador é a principal autoridade do Estado.  Além de governar ele é o representante que deve dar exemplo, principalmente no zelo e no cumprimento das funções constitucionais. Um governador que prega a desobediências as instituições organizadas pode gerar uma crise sem precedentes entre poderes, trazendo sérios prejuízos para toda sociedade. Infelizmente em pleno século XXI, alguns governantes continuam com a ideologia de Luis XIV “o Estado sou eu”, e tentam a todo custo passar por cima das instituições, e das leis para satisfazer seus desejos, que na maioria das vezes não representa os anseios do povo, mas apenas suas convicções pessoais.

   Nos últimos anos o Brasil vive uma verdadeira transformação na relação entre os poderes e órgãos constituídos. Nunca os papeis do Ministério Público Federal e da Polícia Federal foram tão destacados no desempenho de suas funções. Nunca se viu tantos políticos e grandes empresários sendo investigados e presos.

   Na última sexta-feira, não só este jornalista, mas diversos leitores – através de e-mails – demonstraram indignação com a declaração do governador João Alves Filho (PFL), candidato à reeleição, que num momento de pura insensatez disse que “a ação da Polícia Federal foi arbitrária e excessiva”. Nem mesmo os envolvidos nas denúncias, nem os presos na Operação Fox, tiveram a coragem de se expor publicamente para contestar a ação da PF e do MPF. Coube ao chefe maior do Estado tomar as dores, e de público contestar todo o trabalho realizado. O mais interessante que este mesmo governador, nos seus discursos faz menções aos escândalos nacionais que envolvem o PT.  Esquece ele que, por trás de tudo também tem o trabalho da PF e do MPF. Há dois meses, o governador foi para a imprensa numa atitude de “o Estado sou eu”, dizer que soltou o sindicalista Nivaldo Fernandes, preso num episódio para lá de confuso. Porém, este mesmo governador foi incapaz de ir para imprensa exigir que fossem tomadas providencias imediatas por conta do sumiço dos jovens do Mosqueiro, cuja ação criminosa vem sendo creditada a policiais de Sergipe.

    Quando muitos pensavam que não era verdade a declaração do governador publicada nos jornais da sexta-feira, eis que nos jornais de ontem ele publica uma nota mais dura ainda, onde acusa o MPF de agressão contra ele e da Operação Fox ter sido uma “orquestração montada”. Está claro na nota de ontem, que João Alves Filho tenta passar que a Operação Fox foi uma medida política do Governo Federal e tenta transformar o fato contra o governo Lula e logicamente contra o PT. Uma atitude sem precedentes do governador e imensamente perigosa. Tenta jogar a sociedade contra duas instituições extremamente sérias para ganhar dividendos eleitorais junto aos envolvidos no escândalo.

    Quem não se lembra que na eleição de 2002, quando foi eleito governador pela terceira vez, João Alves disse que estava reciclado (e se recicla pessoas?), com idéias jovens para mudar Sergipe. Lamentavelmente em nome de votos, João Alves mostrou que continua rezando na mesma cartilha de Luis XIV, com a famosa frase “o Estado sou eu”. Pela nota divulgada pelos procuradores federais e pela reação contrária ao governador junto à sociedade organizada é o momento de perguntar: “Qu`est-ce que c`est monsieur le gouverneur?  (que é isso senhor governador?), os tempos mudaram e quem não percebe isso pode ser atropelado pela própria história, que é bastante cruel com aqueles que pensam que podem mandar em tudo e em todos.

 

Operação I

Algumas pessoas tiveram a sensação de que a operação “Fox” realizada pela polícia Federal iniciou com a prisão de prefeitos, servidores e empresários e terminou com a soltura dos mesmos, fato que ocorreu em menos de 24 horas. Quem assim imaginou cometeu um ledo engano. A operação que iniciou com investigação promovida por técnicos da CGU a partir de 2004, continua linda, firme e forte.

 

Operação II

Se forem verdadeiros os boatos que circularam na última sexta-feira em Aracaju, muitos empresários, administradores e ex-administradores devem estar de malas prontas, porque a informação propagada dava conta de que os documentos apreendidos já possibilitaram a constatação de crimes praticados com envolvimento até aquela data, de nada menos que quarenta pessoas.

 

Campanha I

Embora alguns insistam em discordar, a verdade é que depois das prisões efetuadas na última quarta-feira, a campanha eleitoral em Sergipe não será mais a mesma. Será difícil para alguns administradores reconhecidamente envolvidos, ter cabeça suficiente para continuar patrocinando algumas candidaturas com a mesma disposição. E quanto aos administradores que não foram envolvidos no primeiro momento, não tenham dúvidas de que eles vão repensar a forma de agir, convidando pessoas qualificadas para ocupar as funções de Controle Interno e de Licitações, alterando substancialmente o “modus operandi” de administrar.

 

Campanha II

É possível que no setor público algumas licitações estivessem em andamento para gerar ajuda de campanha e é bem provável que elas sejam abortadas até mesmo por decisão dos empresários envolvidos. Sem dúvida alguma a operação “Fox” alterou o desempenho de algumas candidaturas e no mínimo três fortíssimos nomes que disputam a Assembléia Legislativa vão sentir bastante o acionamento do freio. O certo é que a ação da PF deixou a sucessão estadual abalada e se for verdadeira as últimas informações, a sucessão sergipana ficará nos próximos dias esfacelada. Os últimos comentários davam conta de que setores influentes da política sergipana seguiram para Brasília na expectativa de que consigam reverter o quadro. Podem até conseguir, mas quem conhece a determinação dos atuais procuradores federais não aposta um centavo sequer nessa possibilidade!

 

Enquanto isso…

Corre o boato que no 3° andar de um QG da comunicação em um  lugar não muito distante, um individuo com um sotaque do sul do país, teve o telefone grampeado e foi descoberto uma verdadeira rede de pagamento sem notas, faturas e tudo.  Tudo em dinheiro vivo. Basta ter contato com alguns “amigos do poder”. Dizem que o número do celular é  8816 – 7…

 

Vice I

Um senhor aparentando ter uns 60 anos de idade aguardava pela liberação do corpo de um parente que se encontrava nas dependências do IML, quando curiosamente aproximou-se de um moderno outdoor afixado numa casa que fica vizinho ao prédio da SSP. O fato é que o senhor começou a ler o que tinha escrito na enorme placa e cada vez mais ele ia se distanciando da mesma, quando um cidadão foi ao seu encontro, pegou-lhe pelo braço e fez a seguinte advertência: “Moço, o senhor está indo pra o centro da rua e pode ser atropelado a qualquer momento, ninguém está entendendo porque é que o senhor está se afastando tanto dessa placa”.

 

Vice II

O ancião imediatamente respondeu: “É que eu sou de Simão Dias, só enxergo bem de longe e até agora não conseguir enxergar o nome do vice que é meu conterrâneo”. O cidadão explicou que devem ter esquecido de colocar o nome e que isso é admissível em algumas coligações. O ancião aceitou a explicação e retornou para frente do IML, talvez ele tenha concluído que é mais fácil entender os mortos.

Atrasado

Um leitor dessa coluna nos enviou um e-mail dizendo que concorda em número, gênero e grau com a afirmação feita pelo deputado federal João Fontes (PDT), de que: “As pesquisas deveriam ser liberadas apenas para consumo interno dos partidos e das coligações. Muitas vezes os partidos compram pesquisas e os números saem dirigidos para beneficiá-los”. O que o leitor disse que não entende é porque Fontes não utilizou a força do mandato que o povo lhe concedeu, para tentar fazer valer essa idéia durante as discussões que se estabeleceram no Congresso Nacional sobre regulamentação para divulgação de pesquisas eleitorais.

 

Buraco

Na última sexta-feira esta coluna publicou uma foto de um buraco na rua Guarapari, que estava tomando toda a rua. No mesmo dia a Emurb enviou máquinas e homens para o local. O serviço foi feito até o sábado.  Para quem critica a Prefeitura dizendo que está parada, ledo engano. Neste caso, a Emurb foi rápida para solucionar o problema.

 

 

Compras

Sobre o artigo publicado na sexta-feira, com o título “Acima da Lei” onde este colunista lembrou que as prefeituras deveriam realizar as compras pelo sistema “Comprasnet”, o prefeito de Estância, Ivan Leite (PSDB), informou que o município é o pioneiro e o único até o momento em fazer compras pelo pregão eletrônico em Sergipe.  A Prefeitura usa o sistema disponibilizado pelo Banco do Brasil, que ajuda também treinando e orientando a Comissão Permanente de Licitações. Ivan disse ainda que foi feita uma parceria com o CDL de Estância, com o objetivo de permitir a participação dos comerciantes locais – através de computadores existentes naquela entidade – o acesso aos pregões realizados pelo município. Um exemplo que deveria ser seguido pelos outros.

 

 

Merecido

O jornalista Osmário Santos recebe nesta segunda-feira, às 20h, o prêmio “Líderes e Vencedores”, promovido a cada dois anos pela Associação Comercial e Empresarial de Sergipe – Acese.  A homenagem a Osmário é pelo trabalho que ele vem realizando em defesa do rio Sergipe. Parabéns!!!

 

 

Frase do Dia

“É de se estranhar que o Governador do Estado, sem conhecimento das provas existentes no inquérito, adote de público a defesa dos suspeitos, investindo de forma leviana contra os órgãos públicos encarregados da investigação e do cumprimento das medidas determinadas pela Justiça”. Trecho da nota divulgada pelo Ministério Público Federal em repúdio as declarações do governador João Alves.

 

 

 

 

 

 

 

 

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