Reforma política

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O senador Antônio Carlos Magalhães (PFL) sempre esteve à frente do noticiário nacional. É um político esperto, oportunista, irrequieto e homem de governo. Gosta do poder e sempre esteve nele durante a ditadura militar, quando se fez a Nova República e agora com o Partido dos Trabalhadores. Sabe provocar fatos políticos que mexem com a estrutura do país. Coisa, aliás, bem do seu estilo. Não sabe ser oposição e até no PT, que parecia impossível de chegar, conseguiu uma brecha para ultrapassar o arcaísmo dos radicais, Desde quando jantou ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em casa do ministro José Dirceu, junto com senadores bem selecionados, que não está conseguindo sair das manchetes dos principais jornais do Brasil.

 

Evidente que o Partido dos Trabalhadores está fazendo tudo isso em nome de um pragmatismo, para engrossar o seu bloco no Congresso Nacional. Está se acomodando com Antônio Carlos Magalhães, já conta com o presidente do Senado, José Sarney (outro que nunca deixou de ser poder) e vai expandindo as suas conquistas políticas em busca de uma maioria física, sem qualquer preconceito com o lado ideológico que a legenda tanto exibiu, durante os 30 anos de luta em favor da democracia, de uma melhor divisão de renda, contra as desproporções sociais e regionais, e em busca de um país que fosse bom para todos, como diz o slogan do Governo Lula. Como o poder fascina e remove ideais, tudo isso se transformou numa espécie de utopia emblemática, porque a realidade é o Planalto, o FMI, as elites sorridentes, os banqueiros com milhões e as viagens colossais de um presidente que tem algo parecido com Asterix e suas aventuras. Com uma diferença, o herói dos quadrinhos tomou uma posição contra Roma e jamais se deixou iludir pelos encantos de César.

 

A ação de Antônio Carlos Magalhães, que ainda não foi fechada e está em banho Maria, deve apressar a reforma política que se faz necessária nesse Brasil de tantas contradições, em que a sociedade precisa retomar a esperança de que se caminha para um avanço em direção a um crescimento sustentável, que dê condições e oportunidade a todos. Segundo o deputado federal Ivan Paixão (PPS), que transita em Brasília agarrado aos corrimões do Planalto, as grandes legendas, como PT, PSDB, PFL e PMDB querem uma reforma partidária que reduza o número de partidos e se dê maior integridade aos blocos políticos oficializados. Pensa-se também numa Confederação Nacional de Partidos, para unificar as siglas pequenas. Não dá para continuar com esse mercado livre de legendas, que não acrescenta nada a um projeto macro e só serve de entulho eleitoral.

 

O ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, que promove a dissidência do PPS, já anunciou que depois das eleições terá na agenda, como compromisso principal, o trabalho pela reforma político-partidária. Ninguém tem ainda uma noção de como ela virá, mas numa circunstância como esta, pode muito bem acontecer fusões de grandes legendas para criação de outras. O próprio presidente Lula da Silva, que está vislumbrado com o poder, fará de tudo para ampliar o seu projeto de força e, certamente, vai abrir o leque de composições em nome de um pragmatismo avançado. Quer a reeleição em 2006, mas tende a acabar com ela a partir do segundo mandato, dando maior longevidade a ele. O que ainda parece dúvida é se o povo vai aprovar esse modelo petista de governar, porque há indícios de que o crescimento ainda não se pode classificar de sustentável.

 

Entretanto, o mais importante dessa reforma política é que seja oficializado o financiamento público de campanha, para evitar privilégios de ricos e o uso de uma máquina administrativa que protege apaniguados. O processo eleitoral de hoje é uma exposição da corrupção,  comprovação da impunidade e a eleição garantida de quem tiver melhores condições financeiras e as piores intenções com o Executivo e Legislativo. Não dá mais para se repetir pleitos como o deste ano, em que alguns vereadores, aqui mesmo em Aracaju, estão fazendo campanhas milionárias, como se estivessem disputando mandatos majoritários. E o que se verá é um trabalho medíocre, mas esperto e desonesto.

 

Não há outro jeito. Para se construir um novo Brasil é preciso oferecer condições para se ter um legislativo forte, um judiciário ágil e justo para todos e um Executivo transparente e menos autoritário. Só assim se faz o Brasil do sonho de todos…

 

SEMENTEIRA

A assessoria de comunicação da Petrobrás avisa que não foi detectada nenhuma irregularidade no projeto de recuperação do Parque da Sementeira, em Aracaju. Parecer do procurador João Bosco Araújo acatou a defesa da Petrobrás sobre a inelegibilidade de concorrência para esse trabalho e arquivou o processo.

 

DEPUTADO

A informação da Petrobrás é para esclarecer denuncia do deputado federal Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), que acusou o Governo de usar a Petrobrás para serviços do tipo. Segundo o deputado, o Governo estava utilizando a Petrobrás para, através de ONGs, construir obras em municípios administrados pelo PT e citou Aracaju.

 

ARGENTINA

O presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra (PT), não virá a Sergipe este final de semana, participar de campanhas eleitorais. José Eduardo viaja à Argentina, para participar de reunião da Petrobrás Energia, da qual é o presidente do Conselho Deliberativo.

 

DINHEIRO

O deputado João Fontes (Psol) diz que no Brasil se costuma fazer política com o dinheiro público. “É impossível, para quem não tem vínculos com o governo, disputar um mandato”. Para o parlamentar, “ou o governo financia a campanha de todos os candidatos, ou fica muito difícil enfrentar essa imoralidade”.

 

REFORMA

João Fontes admite que depois das eleições deve-se apressar a reforma política e partidária, onde se encontrará uma saída para o financiamento de campanhas. Segundo o deputado, o presidente Lula da Silva tem dado declarações de que pretende acabar com a reeleição, estendendo os mandatos no legislativo e executivo.

 

INQUÉRITO

A aprovação e instalação de uma CPI, na Câmara de Vereadores, para apurar excessos de gastos na campanha municipal, foram aplaudida pelo deputado federal João Fontes. O deputado sugere, como contribuição pessoal, que seja investigado, de imediato, os funcionários que são pagos pela folha da Emsurb.

 

ONDA AZUL

“Venha abraçar Susana e aderir ao movimento Onda Azul”. A convocação é de um grupo que vai incrementar a campanha de Susana, como aconteceu com a “Onda Verde”, das eleições de 2002. Amanhã, a partir das 11 horas, em uma festa reservada, será lançado o movimento Onda Azul. Acontecerá em um clima de festa, no sítio de Terêncio, no Mosqueiro.

 

MARCÉLIO

O vereador Marcélio Bomfim (PDT), candidato à reeleição, faz sua campanha sem integrar as bases aliadas do prefeito Marcelo Deda (PT) ou do governador João Alves Filho (PFL). Marcélio Déda entende que, no atual momento político, tanto faz estar com Marcelo Deda, com João Alves Filho ou com o presidente Lula da Silva.

 

PIRAMBU

Elio José Lima Martins (Elinho) teve a sua candidatura a prefeito de Pirambu impugnada pelo TSE, por ser considerado cunhado do prefeito André Moura. O ministro relator Francisco Façanha Martins negou segmento ao recurso por não caber reexame de provas no Tribunal.

 

RECORRE

O advogado de Elinho, Almir Hottmam de Lara Junior, vai interpor agravo regimental para que o julgamento seja pelo pleno do TSE. Hottmam considera que a decisão de impugnação de Elinho foi monocrática (feita por um só ministro) e vai apelar para o pleno.

 

DÓRIA

O ex-vereador Ruy Dória (PTdoB) acha que é possível fazer uma renovação na Câmara Municipal de Aracaju, com políticos sérios. Ruy tenta retornar ao parlamento e está apostando que o seu partido chega lá com dois parlamentares, com chances para três.

 

GARIBALDE

O presidente regional do PDT, Luiz Garibalde, confirma que não está subindo no palanque do candidato José Renato (PRP), mas dá cobertura aos candidatos a vereador do partido. Além disso, segundo Garibalde, tem viajado ao interior com freqüência para apoiar candidatos do PDT.

 

NÃO SAI

O governador João Alves Filho (PFL) tem revelado a seus aliados que não deixará o partido e nem seguirá qualquer nova tendência. Lembra que foi um dos dez fundadores do PFL, desenvolveu a legenda e nela permanecerá até o dia em que houver uma reforma e haja necessidade de mudança de nome.

 

INTERIOR

O prefeito Marcelo Déda (PT), candidato à reeleição, disse que o seu grupo político tem procurado fortalecer as bases no interior, visando as eleições de 2006, seja quem for o candidato. Da mesma forma vem fazendo o governador João Alves Filho, porque são os eleitos de hoje que darão sustentação política aos candidatos a governador do estado.

 

Notas

 

CRÍTICAS

O senador José Almeida Lima (PDT) criticou duramente a posição do desembargador do TRE, do Rio de Janeiro, Marcos Faver, que defende o acatamento, pela Justiça Eleitoral, do pedido de registro do candidato que esteja sendo processado criminalmente, embora ainda não tenha sido decisão com trânsito em julgado. “Nada mais absurdo do que essa proposta”, disse Almeida e continuou: “sobretudo quando parte de um desembargador. Fazer uma proposta tão estapafúrdia quanto esta, que agride a democracia, é um retrocesso”.

 

REFORMA

O senador Almeida Lima criticou a Reforma do Judiciário, que tramita no Senado Federal. “Se o cidadão é bandido, que p julgue imediatamente. Não é concebível que processos durmam nas gavetas. Se há um acúmulo grande de processos, para que ser a Reforma do Judiciário?”, perguntou o senador. Almeida acha que a reforma que tramita no Senado “atende apenas à elite do judiciário. Não vimos no Congresso nenhum lobby para fazer a justiça tramitar com rapidez. Só vimos Lobby dos que compõem a cúpula do judiciário”

 

PESQUISA

Almeida Lima também criticou a divulgação de pesquisas eleitorais. Acha que elas influenciam o eleitor, o que gera um resultado eleitoral corrompido: “nem os institutos de pesquisa honestos, nem a pesquisa correta presta um bom papel nesse país. Imagine a pesquisa desonesta?”- perguntou o senador. Para o senador, as pesquisas prejudicam o financiamento do candidato que não aparece em primeiro lugar: “apontem uma pessoa ou empresa que queira financia, como a lei garante, candidato que apareça derrotado”, sugeriu ele.

 

É fogo

 

Nesta sexta-feira todos os candidatos à prefeitura de Aracaju vão promover passeatas e carreatas pelas principais avenidas de Aracaju.

 

A candidata do PPS à Prefeitura de Aracaju, Susana Azevedo, está fazendo um programa eleitoral com mais projetos de Governo.

 

O candidato do PRP, José Renato Sampaio, continua desacreditando nas pesquisas e acha que vai surpreender com o número de votos.

 

O deputado federal João Fontes não quis participar de nenhuma campanha eleitoral em Aracaju, embora converse muito com José Renato Sampaio.

 

O deputado federal Jorge Alberto, candidato a prefeito pelo PMDB, não viajou a Brasília para votação na Câmara Federal, o que fez muito bem.

 

Todos os deputados que viajaram para o chamado esforço concentrado em Brasília, já retornaram a Aracaju e não fizeram nada.

 

A deputada Ana Lúcia Menezes (PT) está cobrando à Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, uma visita ao Cenam, para verificar as condições em que vivem os menores.

 

Apenas para uma pequena informação, a maioria dos menores do Cenam estão acima dos 16 anos, têm corpos bem malhados e são capazes de enfrentar qualquer outro homem.

 

A Assembléia Legislativa declarou guerra ao projeto de transposição das águas do rio São Francisco, sem que seja feita a revitalização.

 

De 21 a 24 Sergipe recebe todos os secretários de Fazenda do país, que formam o Conselho Fazendário (Coifas), que discute arrecadação e outros itens da área.

 

A Petrobras deu início à construção do gasoduto de Campinas ao Rio de Janeiro, primeira rede do projeto da estatal que pretende interligar todos os pais com uma malha de dutos que chegará ao Nordeste.

 

O conglomerado Unibanco liderou, em agosto, pela segunda vez consecutiva, o ranking das instituições financeiras que mais receberam queixas de clientes.

 

Por Diógenes Brayner
brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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