Remar, correr e amar

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Aceitei o desafio de participar de uma prova que envolvia a remada e a corrida de rua (SUP RUN). Usei a lógica: para quem está engatinhando no triatlo – nadando, pedalando e correndo: fazer alguns quilômetros de remada e depois correr seria moleza. A ensolarada manhã de domingo transformou o que antes era razoável em algo difícil.

Os três quilômetros de stand up paddle (sup) foi algo tão desafiador quanto enfrentar a primeira subida da K-21 na Serra de Itabaiana. Não é exagero. É preciso preparação para encarar esses momentos ocasionais. Eu colocava força de um lado e de outro no remo e parecia que o infinito estava próximo. Bem que eu poderia ter esperado o pôr do sol. Mas não, haviam seis quilômetros de corrida pela frente.

Nunca imaginei que seria possível unir esses dois esportes: stand up paddle e corrida de rua. Acredito que foi uma união que deu certo. Após mais de meia hora indo de um ponto a outro, remando, literalmente, contra a maré, consegui chegar à terra firme. Com os pés na lama, precisei de um pouco de água antes de calçar o tênis.

Tentei correr atrás do prejuízo após navegar por mais de meia hora no rio. Nos dois primeiros quilômetros consegui puxar um ritmo mais forte. Mas ai a máquina começou a pifar. O calor deu o seu abraço, daqueles bem forte e carinhoso. A água gelada conseguiu aliviar um pouco o mormaço. Precisei diminuir a intensidade da corrida até o final.

Achei que as seis voltas no circuito de um quilômetro ao longo da extensão da Orla Pôr do Sol fosse atrapalhar o psicológico. Pelo contrário, a grande quantidade de pessoas gritando e incentivando foi sensacional. Só precisava ficar atento para pegar as pulseiras das voltas.

Mesmo com o corpo reclamando após a remada e com o ritmo de corrida menor, achei que  estava indo bem. Isso mesmo, apenas achei. Foi quando contei duas ultrapassagens de Alan Bezerra, um dos melhores atletas do estado, que estava participando no revezamento. Lembrei dos tempos do futebol na quadra do bairro quando alguém dizia: “esse time está montado”. Uma coisa é ser ultrapassado uma vez, mas duas é demais. Um dia chego lá.

Na oportunidade também fiz a minha segunda experiência com vídeo. Correria para um lado e para o outro. Bem difícil gravar, remar e correr. Se não fosse a ajuda do meu amigo Waldson as coisas não teriam dado certo. Quase perdi a largada fazendo as imagens.

Cheguei muito feliz por ter completado a prova sem dores. Ao longo de quase dois meses fiquei de molho por conta de uma lesão na lombar e deixei passar várias provas. Esse foi o meu retorno. Confesso que estava com medo, principalmente em relação a remada que sobrecarrega as costas. O medo deu lugar a confiança.

A prova SUP RUN entra na lista das 1.000 Corridas Antes de Morrer como a 34º. Agora faltam 966. Antes que perguntem, não corro pensando na lista – isso aqui é apenas um estímulo que faz parte da brincadeira, mas sim porque estou amando esse esporte. Qual será a próxima?

Att.: Arthuro Paganini

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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