RIQUEZA, POBREZA E AUTO-AJUDA.

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RIQUEZA, POBREZA E AUTO-AJUDA.

 

Existem palavras, frases ou expressões que falam muito, criam, às vezes, manias e, sobretudo, obsessões. Um desses termos é a expressão “ser rico”. Entre nós, brasilianos, ela tem duas conotações diametralmente opostas.

Uma é que ser rico é ter, é ser, é poder. É o que todos nós, implícita ou explicitamente, queremos, pois a riqueza é abundância, é fartura, é fertilidade é felicidade. Enfim, riqueza é o que todos aspiramos para nós e para os nossos.

A outra é que ser rico, aos olhos de determinadas pessoas e de algumas instituições também tem uma conotação muito diferente da primeira. Ser rico é vergonhoso, é constrangedor; chega a ser considerado desonesto aquele que consegue vencer na vida e se tornar um milionário.

Sedimentou-se em nossa cultura entendimento de que o cidadão somente fica rico se enganar alguém, se fizer conchavo político, se sonegar imposto, se for corrupto, se explorar empregado, se roubar…

Maldosamente, criou-se em torno da figura do rico um estigma de que todos são desonestos, avarentos, ambiciosos e somíticos que só pensam neles e em seus lucros, por conseguinte, são pessoas indesejáveis.

Diferentemente, a palavra pobreza é a antítese de tudo isso. A pobreza é a falta, a precisão, a miséria, a dependência. A pobreza é aquilo que, miseravelmente, nos persegue. Significa exatamente o que todos nós não queremos, nem para nós e nem para os nossos.

Não há como explicar esta carapaça de coisa ruim que foi criada em torno da expressão “ser rico”. Se acaso um jovem, na escola, afirmar que sonha em ser rico quando crescer, em ser um vencedor, com certeza corre o risco de escutar: rico pra quê? Vai roubar  quem?

Parece até que esta expressão conduz em si própria um delito.

Ironicamente, em volta do termo “pobre” também foi criado uma aura só que, inexplicavelmente, de coisa boa. A palavra pobre já tem uma conotação de conquista. Você conhece aqueles clichês do pobre bonzinho? “Sou pobre, graças a Deus;” “eu sou pobre, mas não sou ladrão;” “eu sou pobre, mas sou honesto.” Ao que parece só é honesto porque é pobre, se fosse rico, certamente seria desonesto? Conheço muitos pobres e ricos, honestos e desonestos.

Além do que o que é a riqueza ou a pobreza? Ou o que é ser rico ou pobre? Certamente não são apenas as posses de bens exclusivamente materiais. A riqueza vai além disso. Como a pobreza também não é apenas não possuir.

Por isso acredito que o foco está dirigido para um rumo equivocado. O que devemos abominar na verdade é a pobreza, aquela que nos envergonha todo dia quer seja num palácio ou num barraco de favela. É contra ela que todos temos o dever de lutar.

Não há aqui nada contra o pobre. A nossa aversão é à pobreza e parece que não estou sozinho nesta opinião, pelo visto ninguém gosta.

Então, por que, sub-repticiamente louvamos tanto à pobreza e repudiamos a riqueza?

Ou será que a louvação é ao pobre e a repulsa é ao rico?

É totalmente inexplicável este paradoxo. Às vezes sequer percebemos que ele existe.

Na verdade, a quem interessa esse embate? Quem se beneficia dele? Quem nos levou a pensar assim? O que é que você deseja para seu filho? Que seja, no futuro, uma pessoa rica e realizada ou uma pessoa pobre?

Sabemos que em outras nações o que é louvado é a riqueza, é o sucesso. É costume num dos países mais ricos do mundo, o pai dar uma nota de um dólar ao filho, no seu aniversário de 12 anos. O pai faz esta doação e diz: “faça a sua fortuna”. Aquela nota permanecerá na carteira daquele jovem até o final de sua vida. É o chamado “dólar da fortuna”. A doação, como valor monetário, é insignificante, porém carrega uma importantíssima mensagem que o filho tudo fará para não esquecer, que é exatamente a idéia do êxito, de sucesso, de riqueza que deve perseguir.

Talvez entre nós isso não funcionasse, pois, certamente taxariam esta atitude do pai, de “auto-ajuda” e, cá entre nós, por incrível que pareça, esta é outra palavra que em seu entorno foi criada uma barreira. Para a grande maioria dos brasilianos, a auto-ajuda é um assunto totalmente fora de contexto. Coisa de gente de segunda classe.

Se a mim fosse dada a oportunidade de sugerir a esses que mantêm contra a auto-ajuda tanto ceticismo, eu apelaria para a sua boa vontade e, humildemente, lhes pediria que repensassem, que lessem bons livros sobre o sucesso, boas biografias das pessoas que deixaram marcas positivas neste mundo. Sem dúvidas, estariam se auto-ajudando, pois essas obras nos fazem pensar diferente, nos dão coragem, disposição para enfrentar de forma mais tranqüila todas as dificuldades e, sobretudo, nos ajudam, ou nos auto-ajudam a transformar estas tais dificuldades em realizações. Eles nos levam sempre para a frente. Mostram-nos que a riqueza é bonita, e que feio mesmo é a pobreza, exatamente ao contrário do que muitos pensam.

Eu tenho um amigo que detesta qualquer coisa que pareça auto-ajuda, diz que é brega, é coisa de americano imperialista e por aí vai. Ele gosta mesmo é das trágicas profecias de Nostradamus, do Apocalipse bíblico e de quaisquer outros assuntos do gênero, que denotem choro e ranger de dentes.

O termo “auto-ajuda”, segundo o dicionário do Aurélio é: “Método de aprimoramento pessoal em que o indivíduo pretende buscar, sem a ajuda de outrem, soluções para problemas emocionais, superação de dificuldades etc.”

Aí eu pergunto: o que tem de mal nisso? Quem não aceita “auto-ajuda”, não deveria sequer, ler a Bíblia, pois acredito que nenhum livro no mundo nos dá mais apoio quando procuramos soluções para os nossos problemas emocionais ou queremos superar uma dificuldade, do que o Livro Sagrado.

Outro motivo pelo qual talvez a fórmula, já sedimentada na América do Norte, não funcionasse, no nosso meio, é, sem dúvidas, a preocupação, o medo que temos de criar, nos nossos filhos, um espírito materialista. Exatamente aquilo que, de forma subliminar, já imaginamos dos ricos. Achamos que todos os ricos são materialistas, que só pensam no vil metal, esquecendo do espiritual.

Desculpem, mas não é assim que se constata. Se tivermos um pouco de boa vontade, vamos ver ricos e pobres nos cultos, nas igrejas e centros espíritas. Não se justifica, portanto, esta preocupação.

Ser materialista ou espiritualista se aprende e se pratica por outras razões, nunca, simplesmente, por ser rico ou pobre. Existem materialistas ricos e materialistas pobres também.

Repito, não tenho a menor intenção de fazer qualquer apologia ao rico muito menos aviltar o pobre. O assunto tratado aqui é sobre a riqueza e a pobreza e a intenção é fazer uma reflexão sobre se é correta esta louvação à pobreza e, em contrapartida, a abjeção à riqueza e qual destes conceitos deveremos repassar para os nossos.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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