Robert King Hall e a Educação Rural em Sergipe

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Adriana Mendonça Cunha
Graduanda em História pela UFS
Integrante do Grupo de Estudos do Tempo Presente (CNPq/UFS) e do
Grupo de Pesquisa em História da Educação: Intelectuais, Instituições e Práticas Escolares (CNPq/UFS)
Orientador: Jorge Carvalho do Nascimento

O Brasil das décadas de 1930 e 1940 foi marcado por diversas reformas educacionais. Assim que assumiu o recém-criado Ministério da Educação e Saúde, no Governo Vargas, Gustavo Capanema empreendeu uma campanha de reforma do ensino secundário e de combate ao analfabetismo, problema que afligia a maior parte da população brasileira. Anos depois, ao se tornar presidente em 1946, Eurico Gaspar Dutra deu continuidade à política de reformas educacionais e aproximação com os Estados Unidos.

Depois de muitos debates, em 1946, o governo federal lançou um programa de construção de escolas primárias rurais que seriam criadas por todo o país. O projeto era coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP), que distribuía os recursos aos estados e dava as diretrizes básicas para as construções e funcionamento das escolas.

Em Sergipe, o convênio com o governo federal foi assinado pelo então governador, José Rollemberg Leite, que incumbiu o professor Acrísio Cruz de dirigir o Departamento de Educação, passando este órgão a receber fundos para a construção de estabelecimentos educacionais rurais pelo interior do estado. Na época, Sergipe possuía apenas três escolas secundárias, cinco grupos escolares em Aracaju, e doze no interior.

Rollemberg Leite foi responsável por empreender uma série de reformas e construção de novas escolas por todo o estado. Foram financiadas cerca de 150 escolas primárias rurais, espalhadas pelo interior, passando Sergipe a servir de Plano Piloto das Escolas Rurais, por ser um estado pequeno e com condições favoráveis ao projeto do INEP, visto que a maioria da população vivia na zona rural.

Com o programa sendo ampliado por todo o país, o diretor do INEP, Murilo Braga, decidiu criar um curso de aperfeiçoamento para professoras das escolas rurais, visando preparar estas profissionais para atender ao novo tipo de educação que o projeto desejava criar: moderno e que ajudasse no progresso e fixação do homem ao campo.

Foi a convite de Murilo Braga que o professor e pesquisador norte-americano, Robert King Hall, coordenou, em 1949, no Rio de Janeiro, um curso de problemas de educação rural, para professoras provenientes de vários estados brasileiros. Hall era professor do Teachers College, da Universidade de Colúmbia, e já era conhecido no Brasil por suas pesquisas sobre a educação brasileira.

Após a conclusão do curso, no Rio de Janeiro, em dezembro de 1949, Hall veio a Sergipe conhecer de perto o funcionamento do projeto do INEP, visitando escolas rurais construídas nas cidades de Divina Pastora, Riachuelo e Laranjeiras. Em junho de 1950, aqui esteve para ministrar o curso de educação rural para professoras rurais sergipanas, que acompanharam o curso em Aracaju, entre os dias 10 e 18.

Podemos, então, entender a vinda do professor Robert King Hall a Sergipe como reflexo de dois processos: a estreita relação entre o Brasil e os EUA durante o governo Dutra, e o sucesso de um programa de nível nacional no estado. O primeiro, permitiu que pesquisadores norte-americanos se interessassem, cada vez mais, em estudar e conhecer o Brasil. Muitos deles, a exemplo de Hall, chegaram a ser financiados pelo governo norte-americano e brasileiro. O segundo, mostra como o comprometimento do governo local com as reformas educacionais, em curso no país, propiciou a Sergipe destaque nacional.

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