Rubens Lisboa Musiqualidade

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L A N Ç A M E N T O

 

Cantora: MARIA RITA

CD: “SEGUNDO”

Gravadora: WEA

O aguardado novo CD de Maria Rita, a grande revelação da música brasileira contemporânea, está chegando às lojas com um aparato de divulgação comparável àquele em que foi empregado no seu disco de estréia. Com tal recurso, a gravadora WEA espera, dentro do período de um ano, alcançar vendas pelo menos iguais ao trabalho inaugural da artista, as quais ultrapassaram a invejável marca de 700 mil cópias.

 

O talento de Maria Rita é inegável e quem já a assistiu ao vivo em um show comprova isso facilmente. A artista ainda se mostra por vezes tímida, uma característica de sua personalidade, mas a potencialidade inata e o domínio cênico estão lá, inteiros.

 

É que a garota possui o dom de cantar presente no seu DNA. Filha caçula da maior cantora que o Brasil já teve, Elis Regina, ela ainda teve a sorte de ter como pai um dos melhores pianistas e arranjadores nacionais, César Camargo Mariano. Evitar as constantes comparações com a mãe parecia ser uma tarefa que Maria Rita optara por se livrar o mais rápido possível. Nas entrevistas iniciais, deixava isso claro. Mas o timbre vocal parecidíssimo com o da mãe, as divisões quase idênticas e a forma similar de projetar a voz mostravam ser esta uma tarefa hercúlea.

 

Em seu novo CD, intitulado inteligentemente de “Segundo”, Maria Rita mostra-se mais segura e determinada em sua arte. Tanto que foi ela, ao lado de Lenine, quem produziu o disco. Resolveu continuar abraçando o esquema “piano-baixo-bateria” já empregado no primeiro CD, e escolheu canções em que pôde passear por várias vertentes da nossa música popular.

 

O repertório, porém, fica, no todo, aquém daquele constante do disco anterior. E a opção por somente se utilizar dos três instrumentos acima citados, desta vez termina prejudicando algumas canções e é coisa que deve ser repensada num próximo disco. Exemplo claro disso é a faixa “Despedida”, interessante afoxé inédito de autoria de Marcelo Camelo (um dos compositores favoritos da cantora) que resulta frouxo sem um arranjo de base mais consistente.

 

As regravações de “Minha Alma” (do Rappa) e de “Sobre Todas as Coisas” (de Edu Lobo e Chico Buarque) mostram-se corajosas, uma vez que já foram gravadas anteriormente por mais de um intérprete e poderiam soar desnecessárias. A primeira já foi registrada, além da própria banda, por Vânia Bastos e por Leila Pinheiro. A versão de Maria Rita, todavia, faz-se mais impactante. A segunda, uma obra-prima, já teve registros de feras como Gilberto Gil e Maria Bethânia, mas ganhou sua gravação definitiva com a leitura feita por Zizi Possi, a qual supera, inclusive, a feita agora por Maria Rita.

 

Dentre as inéditas, merecem destaque duas canções de Rodrigo Maranhão (as ótimas “Caminho das Águas” e “Recado”), uma bela parceria de Fred Martins e Francisco Bosco (“Sem Aviso”) e uma pungente criação da nova safra de Moska (“Muito Pouco”). Outros bons momentos ficam com o contagiante samba “Conta Outra” (de Edu Tedeschi), que Maria Rita já vinha cantando em seus shows, e com a supergraciosa “Ciranda do Mundo” (de Eduardo Krieger). Escondida alguns segundos após a última faixa, pode-se encontrar a canção “Mantra” (outra de Rodrigo Maranhão, agora em parceria com Pedro Luís), um charme a mais para o ouvinte.

 

Quem optar por adquirir a versão dupla (CD + DVD) vai vislumbrar, no vídeo, bons motivos para constatar que a comparação de Maria Rita com Elis Regina ainda vai durar um certo tempo…

 

N O V I D A D E S

 

·                     No próximo dia 06 de outubro, no SESC Consolação, em São Paulo, o cantor e compositor Marco Vilane (baiano de nascimento e sergipano de coração) estará realizando o show de lançamento oficial do seu segundo CD. O disco, que se intitula “Coisa Alguma”, conta com a participação especial de Dominguinhos e é o primeiro lançamento da nova gravadora Básico Brasil. Vilane cantará também algumas músicas do seu trabalho de estréia, o ótimo “Avesso”, e estará sendo acompanhando por Álvaro Alexandre (guitarra), Beto Vasconcelos (baixo) e Amaro Vaz de Souza (bateria). Muita luz pra toda a rapaziada!

 

·                     O ex-titã Nando Reis inaugura parceria com o cantor Wando, aquele de antigos sucessos como “Moça” e “Fogo e Paixão”. Os dois compuseram a canção “Minhas Amigas” que já está confirmada no primeiro DVD do chamado “cantor das calcinhas”, o qual deverá sair em outubro pela gravadora Som Livre. Por sua vez, Nando já prepara o repertório de seu novo CD que será lançado no comecinho de 2006.

 

·                     O novo CD de Ivete Sangalo somente deverá chegar às lojas em novembro próximo, mas já tem título: “As Supernovas”. Trata-se de uma alusão à série de compilações lançadas nos anos 80, tão em moda ultimamente, cujas capas traziam mulheres bonitas, geralmente em poses sensuais feitas em cima de motocicletas. Os quarentões com certeza irão se lembrar…

 

·                     Depois de lançar dois CD’s ao vivo consecutivos, a banda mineira Jota Quest põe nas lojas, no começo de outubro, um novo disco gravado em estúdio e intitulado “Até Onde Vai”. Apesar de o repertório ser formado, na sua maioria, por músicas inéditas, a gravadora Sony & BMG escolheu, como primeira música de trabalho, a releitura de “Além do Horizonte”, canção de Roberto e Erasmo Carlos, cujo registro original foi feito pelo Rei em 1975.

 

·                     Luiz Brasil, que é um dos melhores violonistas brasileiros e já tocou com gente de ponta como Caetano Veloso e Maria Bethânia, está lançando seu primeiro CD solo intitulado “Brasilêru”. De repertório autoral, o CD reúne oito temas. Entre eles, “Cipó” (parceria com Dadi Carvalho) e “Menino Meu” (parceria do artista com Arnaldo Antunes e Cézar Mendes).

 

·                     A esperta Mart’nália já está em estúdio registrando as canções que farão parte de seu próximo CD. Certamente virá coisa muito boa por aí porque a garota é muito talentosa tanto como cantora como quanto compositora. E viva o samba!

 

·                     Daniela Mercury virou dona de sua obra fonográfica. Com a rescisão do contrato com a Sony & BMG, a cantora ficou com as matrizes de seus discos e tem o direito de reeditá-los no Brasil e no exterior. Aliás, Daniela acabou de lançar “Carnaval Eletrônico” na Espanha e já tem pronto um novo CD, embora tenha chegado às lojas recentemente, via Som Livre, o álbum “Clássica”, no qual a baiana interpreta grandes e conhecidas canções da nossa MPB.

 

·                     O segundo CD da roqueira baiana Pitty chega ao mercado com a missão de consolidar o nome da artista entre o público mais jovem. Na verdade, até a gravadora Deckdisc se espantou com a boa repercussão do disco de estréia que chegou a alcançar índices bastante consideráveis de execução e vendagem. Mas o fato é que a cantora chegou em boa hora porque veio preencher uma lacuna existente no cenário nacional desde que Rita Lee virou titia, abandonando as guitarras distorcidas e abraçando as baladas. No novo trabalho, composto de treze canções (todas de sua autoria), Pitty acena alguma evolução com relação ao seu “Admirável Chip Novo”. Embora o timbre de voz não seja dos mais agradáveis, a mixagem bem feita termina por encobrir certos defeitos maiores, como a dicção às vezes ainda um tanto enrolada. Há algumas canções bem resolvidas que podem chegar às paradas de sucesso. É o caso de “Memórias” (a melhor do CD), “Déjà Viu” e “Quem Vai Queimar”. Para mostrar versatilidade, há ainda uma canção a la Kid Abelha (“Na Sua Estante”), uma com letra em inglês (“Ignorin’u) e um tema instrumental com ares de mantra psicodélico (“Querer Depois”).  Se o investimento de divulgação for pesado, pode pegar de novo…

 

·                     A TV Zero se uniu à Luni Produções e sob a direção de Roberto Bertiner surgiu o filme “A Pessoa É Para o Que Nasce” que registra, através da música, a trajetória de três ceguinhas cantadoras de coco, as hoje conhecidas Ceguinhas de Campina Grande. A conseqüência desse registro, como não poderia deixar de ser, resultou em um CD duplo. No primeiro, são as próprias Ceguinhas quem interpretam cocos de roda tradicionais e anônimos, pedaços de sambas, de valsinhas nostálgicas e de toadas dolentes que elas ouviram ao longo da vida e registraram em suas memórias. No segundo, artistas consagrados abraçam a causa e dão voz às mesmas canções, mas emolduradas por arranjos que, na maioria das vezes, aparecem revestidos por camadas eletrônicas. São vários os nomes presentes (Os Paralamas do Sucesso, Otto, Pedro Luís e a Parede, Elba Ramalho, Junio Barreto, Mombojó, Zé Renato e Teresa Cristina, entre outros), mas os maiores destaques ficam por conta das faixas “Como É Bom a Gente Amar” e “Noite Enluarada”, interpretadas respectivamente por Lenine e pela banda Pato Fu. Um trabalho bem legal!

 

RUBENS LISBOA é compositor e cantor


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