Rumos frente às crises mundiais

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A crise econômica mundial e a nova administração norte-americana geram mais incertezas do que respostas. Este foi um dos consensos na 3a Conferência Nacional de Política Externa e Política Internacional, cujo tema é O Brasil no Mundo que Vem Aí, realizada no Itamaraty, no Rio de Janeiro.

 

Embora com ressalvas, todos avaliaram como positiva a mudança do governo norte-americano que com Obama à frente, vem demonstrando maior pré-disposição para o diálogo e o fortalecimento das instituições internacionais, bem como uma postura menos unilateral e mais negociadora, sobretudo nas áreas de mudança do clima e de combate à pobreza.

 

É muito difícil que Obama mude a lógica essencial da estrutura americana de poder, das políticas de defesa e interna. O panorama atual exige do Brasil maior articulação com os grandes Estados em desenvolvimento, como China, Índia, Argentina, entre outros.

 

O presidente do Banco Mundial (Bird), Robert Zoellick, defendeu a abertura dos mercados internacionais para o etanol produzido a partir de cana-de-açúcar, como é caso do produto brasileiro, como uma das medidas para conter a crise global provocada pela alta nos preços dos alimentos. Segundo o chanceler brasileiro, Celso Amorim, os subsídios agrícolas, concedidos principalmente por países ricos como Estados Unidos e os da União Européia, provocam a fome no mundo, disse ainda que o álcool obtido a partir da cana-de-açúcar não afeta áreas de produção de comida, nem causa desmatamento na Amazônia.

 

A ONU acredita que o mundo está no caminho certo para reduzir a pobreza extrema pela metade até 2015, mas adverte que o lento desenvolvimento das economias africanas e a alta dos preços dos alimentos colocam em risco a obtenção dessa meta.

 

A meta de fazer com que em 2015 a pobreza extrema seja reduzida pela metade em relação à registrada em 1990 (como propõem os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio) é alcançável, o que representa “uma grande conquista”.

 

De fato, a porcentagem da população mundial que vive com menos de US$ 1,25 ao dia caiu de 41,7% (1990), para 25,7% (2005). Em números absolutos, a pobreza também diminuiu, já que cerca de 1,4 bilhão de pessoas viviam em situação de pobreza extrema em 2005, frente ao 1,8 bilhão em 1990, segundo o relatório elaborado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU.

 

A redução mundial da pobreza se deve, na maior parte, aos grandes avanços econômicos dos países do sudeste da Ásia, que compensam o limitado êxito do continente africano. Os mais pobres no sudeste e no leste asiático passaram de 56% da população da região (1990) para 17,8% (2005). Em contraste, a redução da pobreza extrema na África Subsaariana nesse mesmo período passou de 55,7% para 50,3%, segundo o estudo.

 

Além desses dados, 2006 foi o primeiro ano em que a mortalidade infantil anual ficou abaixo dos 10 milhões, graças à melhoria das condições de higiene e ao acesso a serviços de saúde na Ásia, norte da África e América Latina. A redução da desigualdade de gênero na educação permitiu que nesta década se abrissem “as portas das salas de aula às meninas” e que sua escolarização crescesse mais rápido que a dos meninos em todas as regiões do mundo entre 2000 e 2006.

 

Brasileiros e indianos são os mais cuidadosos com o meio ambiente, demonstrando essa preocupação em seu estilo de vida, segundo uma lista elaborada com base em atitudes e hábitos de consumo em todo o mundo, divulgada nos Estados Unidos. Segundo a pesquisa, os moradores de países em desenvolvimento são os mais preocupados com o impacto de seus estilos de vida no meio ambiente e seus hábitos de consumo refletem tais inquietações.

A maior consciência ecológica foi registrada no Brasil e na Índia, empatados no começo da lista com 60 pontos, seguidos de China (56,1), México (54,3), Hungria (53,2) e Rússia (52,4). Com 44,9 pontos, os americanos ficaram na lanterninha.

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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