São camisas, mas não são tão convencionais

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Numa conversa casual, um amigo perguntou às quantas eu andava pelas artes da costura. Sigo meio incerta, admito. Se por um lado a satisfação existe, por outro as eventuais decepções são ferozes. Depois do drama, ele, que conhece todo o meu entusiasmo por tecidos e afins, comentou sobre uma marca de camisas daqui de Sergipe, a Clash Yourself. E eu fiquei encantada.

Marina: “Clash Yourself é um recado para as pessoas se diferenciarem da massa” (foto:divulgação)

Se o nome soou familiar e você não conhecia a marca idealizada pela aracajuana Marina Nogueira, certamente, aludiu à icônica The Clash – banda de Punk Rock britânica criada no finzinho da década de 70 e aclamada pelos amantes da música até hoje. O nome, entre outras coisas, veio como uma homenagem aos integrantes que curtiam usar camisas de botão coloridas. É do Rock, aliás, que Marina tira boa parte das suas referências para criar peças que sempre têm um quê de inusitado, seja nas estampas, nos tecidos ou até mesmo na modelagem. “Cada peça é única e busco colocar algo diferente em todas”, destaca Marina, que tem 20 anos e estuda Publicidade e Propaganda na Universidade Federal de Sergipe.

Para os mais curiosos, ela conta que a ideia de criar uma marca de camisas nasceu do desejo de trabalhar com moda. Diante da impossibilidade de se matricular num curso voltado para a área em outro estado, a solução encontrada foi fazer as coisas acontecerem por aqui mesmo. E me parece que Marina está se saindo muito bem. Além de sua marca ter identidade bem definida para quem está só começando, ela também consegue incluir as últimas tendências no seu repertório de forma bastante saudável. O tradicional e o democrático da camisa de botão entram em choque com as cores fortes, a mistura de tecidos e os cortes assimétricos. O resultado? Quase sempre harmonioso.

Estampas e mistura de tecidos fazem parte do DNA da marca (foto: divulgação)

A produção em si é terceirizada, mas Marina não perde de vista cada etapa do processo produtivo da sua marca. “A maior responsabilidade é minha. Cuido do design das peças, da venda, da loja online, do contato com os clientes e da área financeira”, detalha. A moça também conta com a ajuda de amigos para questões de artes e fotografia e, claro, com a ajuda da mãe. A compra de tecidos, por exemplo, uma das tarefas cruciais para o sucesso das coleções, conta com a assessoria dela.

Por falar nisso, quem já trocou as lojas repletas de araras e cabides por aquelas cheias de rolos de tecidos alguma vez sabe que, em Aracaju, é impossível não esbarrar em alguns problemas. Reza a lenda que os negócios ficam, praticamente, concentrados nas mãos de uma única família. Seja como for, o fato é que a variedade de uma loja para outra não é tão grande e os preços são bem parecidos. “Não é fácil. Mas o mais importante é saber se adaptar ao que se tem em mãos, uma das boas regras do ‘Do It Yourself’ (faça você mesmo). É preciso tirar o máximo do que tem ao alcance e não desperdiçar nenhum centímetro”, completa.

Transparência e assimetria também estão na coleção (foto: divulgação)

Para quem curte transparência, pode apostar numa camisa de chifon. Se conforto é o primordial, as peças em viscose são ideais. Além disso, a Clash Yourself também traz modelos mais sofisticados confeccionados em seda que, como se sabe, caiu no gosto das chamadas fashionistas nos últimos tempos. As coleções ainda não são sazonais, já que a produção é em pequena escala e a marca não conta com loja física. “Mas todo mês temos novidades, o que mantém nossos produtos sempre novos e de acordo com as tendências”, esclarece. E se você ficou curioso para saber o que vem nos próximos tempos, Marina adianta. “Tons de neon que eu amo”. Pois é, taí uma marca para ficar de olho, não?

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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