São Cristóvão (SE):Patrimônio mundial entre 13 no Brasil

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Praça São Francisco em dia de festa

O Tô no Mundo revisita São Cristóvão (SE), única cidade em Sergipe a ter em seu sítio histórico um monumento chancelado como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade e um dos 13 do Brasil.

A 4ª cidade mais antiga do país foi primeira capital de Sergipe, fundada em 1590, e é nela que está erguida a Praça São Francisco, de valor universal por ser resultado das ordenações Filipinas e, portanto, espanholas, em terras de domínio português, considerado assim um exemplo material único do momento histórico em que Portugal e Espanha estiveram unidos sob uma mesma coroa.

Para melhor visitá-la, o Tô no Mundo dividiu a cidade em três complexos: de São Francisco, da Matriz e do Carmo. Os principais prédios históricos estão concentrados nestas três praças, o que facilita a visita a cidade de São Cristóvão.

Localizada a poucos 20km de Aracaju pela rodovia estadual João Bebe Água, a cidade faz remeter o pensamento ao Brasil colonial. No total, são mais de 15 prédios tombados pelo Patrimônio Histórico e Cultural somente na parte alta da cidade e é Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Brasil desde 23 de janeiro de 1967.

Praça São Francisco e Museu de Arte Sacra

São Francisco – A praça São Francisco é um conjunto monumental mais importante historicamente com prédios públicos e privados que representam o período de união das coroas de Portugal e Espanha (1580-1640). Ela une os padrões de ocupação seguidos por Portugal e as normas estabelecidas pela Espanha.

Basta chegar para observar um conjunto arquitetônico harmonioso. Do lado direito, a antiga Santa Casa de Misericórdia, hoje o Lar Imaculada Conceição. Do lado esquerdo, um enfileirado de casarios. Ao fundo, é de encher os olhos a vista da Igreja e do Convento de São Francisco ou de Santa Cruz, onde funciona o Museu de Arte Sacra. Do outro lado, o Museu Histórico de Sergipe com diversos casarões ao redor, um deles a antiga Ouvidoria. No meio da praça, um cruzeiro remota aos tempos do século XVI.

Não deixe de percorrer a praça, de entrar no Museu Histórico de Sergipe para conferir os quadros, fotografias, mobiliário do Brasil colônia; as salas que conservam a história do Cangaço, e a arquitetura do prédio. Logo após, visite o Lar da Imaculada Conceição, antiga Casa de Misericórdia. O prédio passou por reformas e há previsão de que abrigue uma pousada, porém, atenha-se aos detalhes de como foi o casarão em tempo de outrora. Observe os detalhes e adornos das portas, o pouco mobiliário que ainda resta, a capela, os jardins e o melhor, aprecie os famosos bricelets, biscoitinhos feitos de forma artesanal pelas freiras carmelitas.

Praça São Francisco e Convento

Conheça a Igreja e o Convento de São Francisco. Em estilo barroco, a construção do conjunto iniciou-se em 1693 através de doações da população local aos padres franciscanos. Quando São Cristóvão era a capital da Província funcionou, no convento, a Assembleia Provincial. O grande salão da Ordem Terceira era ocupado pela Tesouraria Geral da Província. Conta-se que serviu, também, para aquartelar as tropas do batalhão que combateu os seguidores de Antônio Conselheiro, em Canudos, em 1897.

Hoje o Museu de Arte Sacra, que também fica no complexo histórico, abriga um acervo considerado o terceiro mais importante do país. A maioria das peças pertenceu às famílias nobres da região e foram doadas ao museu. E haja história para ver e curtir.

Matriz – O segundo complexo histórico é o da Igreja Matriz. Para chegar até ela partindo da Praça São Francisco passa-se pela Rua dos Poetas, pela praça da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Vitórias (Praça da Matriz).

Há um sobrado denominado Balcão Corrido, o antigo fórum de justiça, a prefeitura e várias casarios, um deles chamado de Casa da Queijada, que vende queijadinhas, outro sabor encontrado em São Cristóvão.

Vista da igreja São francisco

A iguaria é feita de coco, leite, farinha de trigo e açúcar, nada de queijo, mas é bom se apressar, pois o conjunto arquitetônico do Convento da Ordem Terceira do Carmo lhe espera.

Do Carmo – É seguir pela esquerda da praça e chegar até o terceiro complexo. O conjunto compreende a Igreja do Carmo e a Igreja da Ordem Terceira (Senhor dos Passos), o Convento do Carmo e a sala Irma Dulce, onde a carmelita começou seus dias de reclusão. Pode-se observar pertences, bonecas, fotos e um memorial.

Na Igreja da Ordem Terceira ou do Senhor dos Passos, o Salão dos Ex-votos chama atenção. Como penitência e agradecimento por uma graça alcançada, fiéis depositam no salão réplicas de partes do corpo esculpidas em madeira, fitas, cruzes, livros, fotos, tudo, tudo que se imaginar.

Observe o altar-mor das igrejas e as peças sacras restauradas recentemente. O forro da capela-mor da Ordem Terceira foi restaurando e nesse processo se descobriu que embaixo da pintura havia um verdadeiro mosaico barroco. Possui ainda um pequeno claustro interno que deve ser visitado.

Também veja o jogo de sombra e luz refletidos nas portas e colunas entre as igrejas e o convento. Na sacristia da Ordem Terceira há afrescos em todo o teto e também chama atenção pela imponência da pia em pedra calcária utilizada para lavar as mãos das Irmãs Concepcionistas.

Outros monumentos – Se observado, o passeio começou na Praça São Francisco e percorre mais duas praças, ou seja, os principais prédios históricos estão concentrados em três praças principais, o que facilita a visita a cidade de São Cristóvão.

Partindo da Praça do Carmo ou Senhor dos Passos em direção ao acesso à Aracaju pela rodovia João Bebe Água, conheça ainda a Igreja do Amparo (antes exclusiva para homens) e a do Rosário dos Pretos.

Sala dos Penitêntes Convento do Carmo

Observe os detalhes bem mais simples do que as outras igrejas. Esta última era permitida apenas para negros. O altar não tem tanta imponência e só há uma torre bem menos longínqua.

Cidade Baixa – Na cidade baixa há uma antiga estação de trem, uma bica onde os são-cristovenses se divertem no final de semana, mas necessitando de reforma urgente, ou seja, a visita é dispensável. O atracadouro abriga um restaurante. O centro comercial e a feira livre também podem render boas fotos e é onde se pode encontrar mais um sabor são-cristovense, os famosos peixes na palha (moquequinhas). Afinal, como em toda cidade histórica, a cidade baixa também tem seus encantos e há seus altos e baixos.

Como chegar

Partindo de Aracaju, pode-se chegar a São Cristóvão pela rodovia estadual João Bebe Água e pela BR 101. A primeira, foi parcialmente duplicação e há muitas curvas, porém, chega-se mais rápido, a pouco mais de 20km. A segunda, é bem mais movimentada e mais longe, pouco mais de 30km. Os dois trajetos são fáceis e há boa sinalização.

Convento e Igreja do Carmo

Dicas de Viagem

  • A Casa da Queijada fica na Praça da Matriz, nº 56. Também se pode encontrar outros tipos de quitutes a precinhos bem convidativos. Na casa de Dona Marieta, na frente da rodoviária, na cidade baixa, bem no centro da cidade, também é referência para compra das queijadas.

  • O Município ainda possui bens remanescentes de antigos engenhos, que possuem valor cultural e que merecem ser preservados. Apenas duas capelas rurais de antigos engenhos em São Cristóvão possuem tombamento, a do Poxim e a de Itaperoá, próximo a Itaporanga d'Ajuda

  • Na saída da cidade pela Rodovia João Bebe Água, a 2 km do centro histórico, há o Cristo Redentor, erguido em 1924, sobre as bases da antiga capela de São Gonçalo.

  • Em Aracaju há agências de viagem que fazem o passeio “Cidades Históricas” por São Cristóvão e Laranjeiras. O passeio é bastante agradável, mas cuidado com o horário de abertura do museu e igrejas. Informe-se na própria agência antes de ir.

  • São Cristóvão ainda preserva a procissão de Senhor dos Passos, que atrai religiosos, estudiosos e pesquisadores de toda parte do país. Há também a procissão do Senhor Morto e das Matracas, realizada à noite, na Semana Santa.

Vista do complexo do Convento São Francisco

Saiba quem são os outros 12 patrimônios da humanidade brasileiros, com texto abaixo do jornalista Geraldo Gurgel (Ministério do Turismo)

Pampulha, em Belo Horizonte (MG), foi reconhecida no último domingo, 17 de julho, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Assim, o Brasil passa a contar com 11 bens culturais tombados pela entidade na lista de 1.031 sítios com o reconhecimento.

Para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Conjunto da Pampulha está na origem da produção arquitetônica e urbanística do Brasil Moderno e deve ser compartilhado por toda a humanidade. A Pampulha conta com as quatro primeiras obras assinadas por Oscar Niemeyer, construídas entre 1942 e 1943, com jardins de Burle Marx, painéis de Candido Portinari e esculturas de Alfredo Ceschiatti e José Alves Pedrosa. A obra da Lagoa da Pampulha é composta pela Igreja São Francisco de Assis, o Cassino, a Casa do Baile e o Iate Clube.

Brasília (DF) é Patrimônio Mundial desde 1987. O conjunto urbanístico e arquitetônico, construído a partir do Plano Piloto de Lucio Costa, inaugurado em 1960, se insere no projeto nacional de modernização do país do então presidente Juscelino Kubitschek. Destacam-se, a Praça dos Três Poderes com os palácios do Planalto, Supremo Tribunal Federal e Congresso Nacional, todos projetos por Niemeyer.

Goiás Velho (GO) é testemunha da ocupação e da colonização do Brasil Central nos séculos XVIII e XIX. As origens da cidade estão ligadas à história das bandeiras que partiram de São Paulo para explorar o interior do Brasil. O conjunto arquitetônico, paisagístico e urbano do centro histórico de Goiás foi reconhecimento como Patrimônio Mundial em 2001. Destacam-se as igrejas do Rosário, de Santa Bárbara, de Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora da Abadia e a Catedral de Santana.

Diamantina (MG) foi o maior centro de extração de diamantes do mundo no século XVIII e teve papel importante na ocupação do interior do País. A cidade é uma demonstração de como os aventureiros à procura de riquezas e os representantes da Coroa Portuguesa adaptaram os modelos europeus a uma realidade local, criando uma cultura original. O centro histórico foi tombado pela Unesco em 1999.

Ouro Preto (MG) cresceu entre um estreito e sinuoso vale e as encostas das chamadas Minas Gerais. A riqueza da região explica o nome original, Vila Rica e capital mineira, em 1720. A cidade tem as mais significativas obras do barroco brasileiro e foi cenário do movimento pela independência do Brasil, a Inconfidência Mineira, cujo mártir, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, tornou-se o patrono cívico do país. Seu conjunto arquitetônico e urbanístico, foi declarado patrimônio mundial em 1980, o primeiro bem cultural brasileiro inscrito na lista da UNESCO.

Olinda (PE), vizinha à capital, Recife, remete ao início da colonização portuguesa no Brasil, no século XVI, no período da cana de açúcar. O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico foi tombado pela UNESCO com cerca de 1.500 imóveis de diferentes estilos arquitetônicos: igrejas, mosteiros e conventos coloniais do século XVI, fachadas de azulejos dos séculos XVIII e XIX e obras neoclássicas e ecléticas do início do século XX. A vegetação é exuberante.

São Luís (MA), localizada na ilha de São Luís do Maranhão, na baía de São Marcos, é um exemplo excepcional de cidade colonial portuguesa. Seu núcleo original foi fundado pelos franceses, em 1612, e também esteve sob o domínio holandês. O centro histórico de São Luís tem cerca de quatro mil imóveis dos séculos XVIII e XIX. Entre os mais significativos estão o Palácio dos Leões, a Catedral, o Convento das Mercês, a Casa das Minas, o Teatro Artur Azevedo. A capital foi inscrita como Patrimônio Mundial em 1997.

Salvador (BA) tem no Pelourinho importantes exemplares do urbanismo ultramarino português, aliado a uma topografia singular. O centro histórico é formado basicamente por edifícios dos séculos XVI ao XIX. Se destacam os conjuntos monumentais da arquitetura religiosa, civil e militar. O traçado de suas ruas, ladeiras e becos, formam um dos mais ricos conjuntos urbanos de origem portuguesa. Sua inscrição na Lista do Patrimônio Mundial foi ratificada pela Unesco em 1985.

Congonhas (MG) tem no santuário de Bom Jesus de Matosinhos, construído no século XVIII, uma das obras-primas do barroco mundial, reconhecida pela UNESCO em 1985. O conjunto é formado pela igreja, em estilo rococó, adro e escadaria externa monumental decorada com estátuas de 12 profetas em pedra sabão; e seis capelas, denominadas de Passos, ilustrando a via crucis de Jesus Cristo. As 66 esculturas de madeira em tamanho natural, abrigadas nas capelas, compõem um dos maiores acervos de imagens sacras no mundo. As obras são de Francisco Antônio Lisboa, o Aleijadinho.

São Miguel das Missões (RS), originária das Missões Jesuítas Guaranis, reúne monumentos da antiga missão indígena de são Miguel Arcanjo. O conjunto de cinco povoados foi implantado também em território indígena da Argentina, durante o processo de evangelização da Companhia de Jesus nas colônias da Espanha nos séculos XVII e XVIII. São Miguel foi tombada pela UNESCO em 1983.

Rio de Janeiro (RJ) –  Suas paisagens entre a montanha e o mar também foram reconhecidas pela UNESCO como Patrimônio Cultura da Humanidade. No século XVI, na Baía de Guanabara, os europeus fundaram São Sebastião do Rio de Janeiro. Ao longo de mais de quatro séculos, a cidade foi palco de eventos históricos, como a mudança da Corte Portuguesa para o Brasil, em 1808, fato único no mundo. Estão incluídos monumentos como o Pão de Açúcar, o Corcovado, a Floresta da Tijuca, o Aterro do Flamengo, o Jardim Botânico e a praia de Copacabana.

Serra da Capivara (PI) – O Parque Nacional Serra da Capivara e seus cerca de 400 sítios arqueológicos, preservam vestígios da mais remota presença do homem na América do Sul e, também, foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial. O parque tem painéis de pinturas e gravuras rupestres de grande valor estético e arqueológico, além de preservar parte da caatinga. As descobertas realizadas no Sítio Arqueológico Boqueirão da Pedra Furada, por exemplo, levantaram a hipótese de que o homem poderia ter vivido, nesse local, há 60 mil anos.

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