SE:Instituições públicas estão preparadas p/ algo q saia do trivial?

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“O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

Um leitor atento e técnico da área de segurança alertou que o episódio do pobre e pequeno jacaré no lago da orla serviu para mostrar a impotência das instituições públicas sergipanas. E graças a Deus não teve algo pior.

Como dizem sempre que perguntar não ofende, o leitor perguntou ao grande guru (que só existe na cabeça dele, pois perguntar qualquer coisa de fato a alguém pode implicar na corregedoria): As instituições públicas sergipanas estão preparadas para “qualquer coisa” que saia do trivial?

Por exemplo, as polícias (civil e militar) tem algum aparelho incapacitante de choque? Até onde o leitor lembra a PC e a PM ganharam uns kits do governo federal uns anos atrás, mas treinaram algum policial? Capacitaram os operadores?

Aquele caminhão do CBM que diziam estar quebrado, já foi regularizado?

Se houver um desastre no Tecarmo (Petrobras), há um plano de evacuação que alguém saiba por em prática na segurança pública?

Se houver um atentado terrorista, uma bomba posta em algum lugar? Há policiais capacitados para esse tipo de ocorrência? Se há, eles têm aparelhos específicos e traje antibomba, daqueles que a gente vê nos filmes, mas sabe que no Rio de Janeiro, por exemplo, já foi usado, é uma realidade?

No caso de um atirador ativo (pessoa que atira em diversos alvos, como aqueles garotos de São Paulo), algum grupo de policiais está capacitado para atender esse tipo de crise?

Quantas unidades policiais possuem escudo balístico, imprescindível para tomada de ambiente com atirador ativo? Esses escudos, se existem, estão na validade? Os policiais estão capacitados para usá-los?

Esse sistema de rádio que custou quase 30 milhões será que era somente mais uma propaganda do governo? Porque se alguém precisar de uma ambulância do SAMU precisa ligar para o CIOSP do próprio celular para fazer a solicitação. Se passar a informação via rádio eles mandam telefonar para lá. Aí imagine um desastre e toda a sociedade sem telefone, talvez com a capa do Batman alguém voe até lá e consiga acionar. Não é brincadeira, isso é um fato, se um operador de segurança chamar o SAMU através do rádio, os operadores do CIOSP mandam você fazer uma chamada telefônica, responder mil perguntas e só depois ele mandam uma, dos dois tipos de ambulância que eles tem.

A verdade – que o leitor e o blog só pode perguntar – e os dois não podem dizer a verdade, mas talvez as pessoas possam perceber que em Sergipe os profissionais de segurança pública são obrigados a brincar de soldadinhos de chumbo e orar a Deus, os que acreditam, para que o improvável nunca aconteça, pois se tem a certeza que isso custaria muitas vidas.

Observação: vão dizer que estão investindo milhões em compras de equipamentos. Aí o leitor deixou a última pergunta: Se derem um tacape a um leão, ele sabe o que fazer com isso? É bom o governo começar a investir em treinamento, pois os membros da segurança pública não conseguem aprender por osmose ainda não.

 

Sobre manifestações Ao contrário de alguns, o blog defende qualquer tipo de manifestação desde que não seja discriminatória e atente contra qualquer tipo de liberdade. Por exemplo, concordando ou não, é preciso entender que o Brasil ainda é uma democracia e por isso as manifestações estão aflorando a cada semana. O importante é o fortalecimento da democracia, da consciência popular e para um Brasil que siga em frente.

Práticas de nepotismo O senador Alessandro Vieira apresentou projeto de lei para definir mais claramente as hipóteses de nepotismo do serviço público. Ele quer uma lei específica parar acabar de uma vez com o favorecimento de parentes. Hoje uma súmula vinculante do STF é que define tudo, mas é necessário algo mais moderno e amplo.

Nepotismo em Sergipe é alto Em Sergipe, o nepotismo é escancarado. Em vários órgãos não só no governo estadual, mas nas prefeituras. Aliás, numa importante Secretaria municipal de saúde, uma comissionada, que tem importante cargo, com pena da irmã, agrônoma que perdeu um cargo em Salvador resolveu nomeá-la para gerente de transporte da pasta. O caso já foi denunciado.

VEJA: Gustinho Ribeiro vaiado em Lagarto NE Notícias: “O deputado federal, Gustinho Ribeiro, não foi bem recebido na sua cidade natal. Durante os festejos juninos da cidade, Gustinho, que é casado com a atual prefeita de Lagarto, foi convidado ao palco onde ocorria os shows e foi vaiado por boa parte dos presentes.” Confira o vídeo:

 

Senadora defende política de turismo mais agressiva e estratégica E continua repercutindo a pesquisa do Mtur – que o blog citou ontem – mostrando que Sergipe ficou fora da lista dos destinos brasileiros mais procurados em junho, justamente no mês dos festejos junino. O “País do Forró”, só serve para gastar rios de dinheiro com campanhas publicitárias pífias que não atingem o público alvo. A senadora Maria do Carmo levantou a voz contra esse marasmo defendendo uma política de turismo mais agressiva e estratégica para que o Estado entre realmente no roteiro nacional e internacional..

Sol e praia Um fato curioso, de acordo com a senadora, é que segundo a pesquisa, quase a metade dos clientes das agências de viagens que responderam a sondagem, fazem a opção por viajar para locais que tenham sol e praia. “Ou seja, estamos de falando de Sergipe, pois temos sol praticamente o ano inteiro e invejáveis praias na capital e em municípios próximos, como a praia do Saco, Abaís, Caueira, Pirambu, Atalaia Nova. Isso, sem falar no nosso Cânion de Xingó, em Canindé do São Francisco, e na riqueza histórica de cidades como São Cristóvão e Laranjeiras”, citou Maria.

Seminário de Segurança contra Incêndio amanhã, 03 O Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe e o Sebrae promovem nesta quarta-feira, 3, ás 8h, no Hotel Real Classic, o Seminário de Segurança contra Incêndio. O evento busca disseminar informações sobre a importância da adoção de medidas de segurança em edificações e locais de reunião de público como forma de prevenir incidentes com fogo.

Público alvo O Seminário é destinado a empresários, arquitetos, estudantes, síndicos de condomínios, engenheiros e profissionais que atuam na área de combate a incêndio em empreendimentos públicos e privados. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site www.cbm.se.gov.br.

Abertura O encontro será aberto com a palestra ‘Desafio das atividades de vistoria e análise do Corpo de Bombeiros’, ministrada pelos capitães Filipe Santos e André Melo. As atividades prosseguem com as palestras ‘Regularização das empresas de baixo risco’, também ministrada pelo capitão Felipe Santos, e ‘O efeito das chamas em estruturas de concreto armado’, esta sob a responsabilidade do engenheiro civil Leonardo Medina Rosário. Mais informações podem ser obtidas no Quartel do Comando Geral do Corpo de Bombeiros e pelo telefone 3179-2065.

Crioterapia Capilar A oncologista Erijan Andrade e a enfermeira Raphaela Prudente realizaram uma palestra na noite de quarta-feira, 26, sobre Crioterapia Capilar para a equipe multidisciplinar. A técnica utiliza uma touca térmica com baixas temperaturas para prevenção da alopecia capilar (queda do cabelo) durante o tratamento oncológico por quimioterapia.

Vasos sanguíneos De acordo com Erijan Andrade, a Crioterapia utiliza do frio para diminuir o diâmetro dos vasos sanguíneos que temos no couro cabeludo no momento da quimioterapia. “A touca Elastogel é congelada entre -30° e -20° graus, assim diminuindo o aporte sanguíneo e o metabolismo no couro cabeludo o que impede que a quimioterapia cause a queda do cabelo”, explicou.

Autoestima A principal vantagem desta técnica é o impacto positivo na autoestima da mulher durante o tratamento. “A Crioterapia começou com o câncer de mama, pois a mulher, muitas vezes, acaba perdendo a mama e ao perder mais um símbolo de sua feminilidade, o cabelo, entrava em um ciclo de tristeza, baixa autoestima e perda do estimulo para fazer o tratamento oncológico.

Manutenção do cabelo A queda do cabelo é um símbolo do seu tratamento oncológico, logo sua queda traz o estigma da doença oncológica que por muito anos não havia tratamento curativo efetivo. Um tratamento de adjuvância de mama, por exemplo, são 16 quimioterapias, mais ou menos seis meses. Então a mulher para conseguir manter uma qualidade de vida durante todo esse tempo é difícil, pois sem o cabelo a mulher deixa de sair, não vai para um aniversário, para uma formatura, por vergonha. Por isso que manter o cabelo é tão importante”, destacou Erijan.

PELO ZAP DO BLOG CLÁUDIO NUNES – (79) 99890 2018

4º aniversário do Boteco Aruana Em 14 de setembro será comemorado o 4º Aniversário do Boteco do Aruana. E a equipe organizadora da festa que está se tornando uma tradição na região da Zona de Expansão vem preparando uma festa de primeira. Nesta edição o folião terá a versão All Inclusive mais top da cidade, com whisky (Red Label), água de coco, água mineral, refrigerante, caipiroscas, cachaça Salinas, mesa de friso e caldinho de feijão para fortalecer as energias com os selo boteco Aruana de qualidade. (Acarajé e espetinhos serão vendidos separadamente no evento). Para abrilhantar o evento serão várias atrações musicais no próprio Boteco Aruana. A festa começará a partir das 15h do dia 14 de setembro e se estenderá com o Openbar até às 19h. Camisas à venda ( R$130 – à vista ou R$140 no cartão em até 3x) e com quantidade limitadíssimas para melhor acomodar os clientes e amigos!. Para maiores informações 79 99912-2525.

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ARTIGO

Tratado de Panos e Vinhos! Por Antônio Samarone

O Tratado de Methuen, foi um acordo comercial assinado entre Portugal e Grã-Bretanha em 1703, e que vigorou até 1836. Por esse acordo o vinho de Portugal entrou livremente na Inglaterra e os produtos industrializados ingleses invadiram Portugal.

Portugal, como era de se esperar, tomou um grande prejuízo. Para cobrir os déficits, o ouro do Brasil que estava em Portugal se transferiu para os cofres ingleses. Por isso se afirma que o ouro do Brasil ajudou a fazer a revolução industrial.

O acordo União Europeia/Mercosul é semelhante. O Brasil é competitivo em commodities, produtos primários (carne, soja, açúcar e etanol), e a Europa nos mandará alta tecnologia, equipamentos e produtos industrializados. Isso não pode ser vantajoso para o Brasil. As trocas são desiguais. É um retorno ao nosso status colonial.

O acordo UE/Mercosul também inclui compras governamentais, ou seja, as empresas europeias podem participar das licitações no Brasil. Pergunta-se as nossas empresas estão em condições de disputar as licitações europeias?

Vamos esperar o texto do acordo para se saber quais as demais concessões que o chanceler Ernesto Araújo aceitou. “Ora pro nobis”!

Me disse um amigo otimista: tem um lado bom, o Brasil vai ter que respeitar o meio ambiente, direitos trabalhistas, sociais e os direitos humanos. Hum, o Brasil nunca respeitou esses tratados internacionais de direitos. Vamos aguardar!

Mais textos de Samarone aqui: https://blogdesamarone.blogspot.com/

ARTIGO

Uma Palavra sobre Mandelstam Por GILFRANCISCO :Jornalista e professor

gilfrancisco.santos@gmail.com

 

“A Revolução de Outubro não podia deixar de influenciar o meu trabalho uma vez que me privou da biografia, da sensação de importância pessoal. Eu lhe sou grato por ela ter acabado de uma vez por todas com o bem-estar intelectual e a sobrevivência baseada em renda proveniente da cultura… À semelhança de muitos outros, eu me sinto devedor da revolução, mas lhe ofereço algo de que ela por enquanto não está necessitando”.

          Óssip Mandelstam

Mandelstam é um poeta russo comparativamente pouco conhecido dentro e fora do seu país, mas é talvez o melhor daquela galáxia dos bons poetas, ofuscados pelo stalinismo, capaz o bastante para nos fazer acreditar na sua inquestionável palavra, de impiedosa independência, sua recusa a reverenciar os temas ideológicos do momento.

Nascido em Varsóvia (Polônia), na época pertencente à Rússia Ocidental, Óssip Emilievitch Mandelstam, em 15 de janeiro de 1891, filho de uma família abastarda de comerciantes judeus, que cultivava o hábito da boa leitura. Desde cedo o jovem Óssip sentiu verdadeiro fascínio pela leitura, vivendo rodeado de Schiller, Goethe, Shakespeare, Kerner, Puchkin, Liermontov, Turguiêniev, Dostoievski, Tolstói e, posteriormente, pela cultura francesa – particularmente com a poesia de François Villon, revelando uma grande tendência para a literatura, predominantemente para a poesia.    Mas desde sua juventude viveu em Pálovski e São Petersburgo até 1907, onde cursou o colégio Tenechev, uma das melhores escolas do seu tempo.  Óssip estudou numa escola técnica e depois Filologia e História na Universidade de Petersburgo.

Uma estada em Paris, em 1907, contribuiu para suscitar nele profundo interesse pelo simbolismo francês. Começou sua atividade literária em 1910, quando publicou alguns poemas na revista Apolo (1909-1917), famosa na época por aceitar colaborações de tendências, principalmente simbolistas e acmeístas.

Um dos pais do acmeísmo, corrente fundada em 1912, da qual faziam parte Anna Akhmatova, (1886-1966); Nikolai Gumilov; (1886-1921) e Mikhail Zúzmin, (1875-1936), que representava a tendência individualista extrema em arte, pregavam a teoria da “arte pela arte”,  a “beleza pela beleza”, permaneceu no movimento por pouco tempo, é o autor do manifesto, O Amanhecer do Acmeísmo.

“Os acmeístas compartilham com os tempos  fisiologicamente brilhantes da Idade Média o seu amor pelo organismo e pela organização… Ao determinar à sua própria maneira a dignidade específica de um homem, a Idade Média sentiu e reconheceu isso em todas as coisas, com inteira independência dos seus méritos… Sim, a Europa marchou através de um labirinto formado por uma delicada cultura, quando em abstrato a existência pessoal, desprovida de adornos, foi valorizada como uma maravilha… Daí a íntima aristocracia que vincula todo o povo e que é tão alheia ao espírito de igualdade e fraternidades da Grande Revolução… A Idade Média não é desejada porque possuía em grau bastante elevado o sentido de limite e de divisão… A nobre mistura de racionalidade e de misticismo e a sensação do mundo como um equilíbrio vivente, identifica-nos com essa época e leva-nos a extrair um certo sentido de força de obras que surgiram no caminho do romance por volta de 1200…”.

O mundo poético de Óssip Mandelstam, como todo acmeísta fascinado pelo colorido intenso e sublime as formas do objeto, ele nos apresenta os objetos vinculados as leis que somente ele identifica-os. Profundo admirador de Andréi Biely (1880-1934), após sua morte escreveu versos o homenageando, foi também um grande conhecedor da poesia francesa, italiana e alemã.

Sua estréia em livro data de 1913 com a publicação de  A Pedra, dedicado às pesquisas rítmicas e reflexões sobre a linguagem. Segundo Krystyna Pomorska, estudiosa do formalismo russo, diz que o livro “trouxe para essa poesia um certo afastamento parnasiano, uma tonalidade clássica e uma imagética baseada na mitologia clássica. Os motivos de predominância catastrófica interligada à quietude clássica tornam Mandelstam mais próximo do Simbolismo (particularmente o simbolismo francês) do que qualquer outro representante do Acmeísmo. O seu estilo, ou a sua escrita, é típica da poesia cultivada”. (01)  Vimos que, em sua primeira etapa, o poeta Óssip Mandelstam sofreu a influência simbolista, somente mais tarde sua poesia denota o reflexo vivo da realidade.

Considerado o maior dos acmeístas, poeta de inspiração clássica, se uniu com suas líricas nítidas e buriladas, a maneira elíptica e imaginativa do cubo-futuristas. Isso se observa, por exemplo, no breve texto Solóminka, de 1916, em que alucinadas e inconexas metáforas vão acumulando numa lenta progressão.

Tudo isso põe a arte poética de Mandelstam numa área muito próxima ao futurismo. Não é de se estranhar que ele tenha escrito textos de admiração pela obra de Vielimir Khliebnikov (1885-1922).

Mandelstam também nutria forte admiração por outro amigo: “Ler os versos de Pasternak é como purificar a garganta, reforçar o alento, renovar os pulmões; esses versos devem ser bons para curar a tuberculose. Não há atualmente em nosso país poesia mais saudável…” Em Pasternak, a palavra se faz ainda mais que em outros poetas futuristas, corpórea e palpável como um objeto e adquire relevo tão proeminente que, às vezes, parece descobrir o ângulo que forma suas superfícies, apresentando uma poesia de concepção quase volumétrica, o mesmo acontecendo com Mandelstam. Ambos os poetas nos oferece, pois, um exemplo de cubismo poética, inclinado a dar realce aos volumes das palavras e justapor num novo equilíbrio, distintos planos verbais.

A produção poética de Mandelstam pré-revolucionária está latente a idéia da responsabilidade do criador ante seu tempo. O verso tradicional, por seu compasso e ritmo, se distingue por complexidade semântica. Por isso foi considerado por alguns críticos como antiquado, arcaico e outras acusações mais graves.

São anos em que se estabeleceu na Criméria, onde seu misticismo sofre novas reflexões vitimadas pelas atrocidades da Guerra Civil. Neste período Óssip é preso pelos soldados brancos, suspeito de ser um agente secreto bolchevique, mesmo simulando loucura, desequilíbrio mental. Mais tarde Mandelstam sentiu-se atraído pelas pinturas dos venezianos I. R. Tintoretto (1518-1594) e Tizian Vecelio (1488-1576).

Por força das circunstâncias e do seu temperamento, Stalin (1879-1953) sempre se identificou com um universo de violência: na conquista do poder, na preservação e consolidação do poder, no exercício diário do poder. O stalinismo tornou-se sinônimo de intolerância, de prepotência, de arbitrariedade doutrinária, de esmagamento impiedoso dos adversários, tudo isso com requintes do que alguns chamam de “crueldade oriental”.  A perplexidade que, na época de Stálin, se transformou em repulsa, fê-lo escrever e ler a um grupo de amigos um fastidioso poema que o levou à prisão em 1934.

Nikolai I. Bakharin (1888-1938), político soviético que opôs a Stalin, condenado no processo dos 21 (1938) e executado; a pedido da esposa do poeta é procurado para interceder na prisão de Óssip. Graças a sua ajuda, foi comutada a condenação aos trabalhos forçados, por um exílio de três anos em Chedrin. Vejamos o poema causador do seu confinamento.

Vivemos, sem conhecer a terra em que pisamos,
A dez passos nossas falas não se ouvem,
Mas onde surge uma meia conversa
O montanhês do Kremlin não a perde.  (02)

Seus dedos são gordos, inchados como vermes,
E as palavras, pesadas, são definitivas.
Riem seus bigodes de barata
E suas botas brilham.

Uma corja de chefões atarracados
Serve-lhe à volta de brinquedo – semi-homens.
Como ferraduras forja ukazes
Para atingir na testa, no sobrolho, na virilha.

Cada execução é uma festa
E é largo o peito do osseta.

Na versão do poema que caiu nas mãos da polícia secreta russa, os dois últimos versos da primeira estrofe eram:

Tudo o que se ouve é o montanhês do Kremlin,
O assassino matador do camponês.

Óssip menciona no último verso do poema, o termo osseta, que é a língua do grupo irânico oriental, falada no Cáucaso central, por aproximadamente 400 mil locutores. Havia rumores persistentes de que Stalin tinha sangue osseta. A Ossetia é uma região do Cáucaso, dividida entre a Rússia e a Geórgia (onde Stalin nasceu) e seus habitantes, do grupo iraniano, são bastante diferentes dos georgianos.

De retorno a Moscou em 1937, é preso novamente e enviado a um campo de trabalhos forçados na Sibéria, permanecendo na cidade de Vorôniej até a morte, segundo dados oficiais, a 27 de dezembro de 1938, em trânsito para Vladivostiok, doente, faminto e enlouquecido.

Óssip Mandelstam deixou obra poética pouco numerosa, além de reminiscências e escritos teóricos. Nos últimos anos, apareceram na Rússia diversos inéditos seus, bem como recordações de contemporâneos e estudos críticos, como o de Marina Tzvetaieva (1892-1941), A Prosa do Poeta (1926), em que se tem frisado o valor de sua contribuição à poesia russa.

Somente em 1991 a Rússia pôde voltar a ler um de seus maiores poetas, Óssip Mandelstam. Seus poemas foram proibidos e todos os originais que se conseguiu localizar foram confiscados e destruídos. Para preservá-los do esquecimento, a viúva do poeta, Nadiejda Mandelstam, decorou-os um por um, transformando-se literalmente numa obra completa viva do marido. Pôde assim contrabandeá-los aos poucos, cada vez que era possível ditá-los a alguém que ia sair da União Soviética, para que fossem publicados no Ocidente, entre 1964 e 1969. Deve-se o mérito de ter contribuído para a edição das Obras Reunidas , em dois volumes (Inter-Language Literary Associates, Washington, 1964. Vejamos o poema Como tantos outros, de 1920.

Como tantos outros, quero

por-me a teu serviço,

Embriagar-te com estes meus lábios

Que a aridez dos impulsos das gretas.

 

A palavra não sacia

a secura ardente de minha boca,

sentir uma vez mais,

o desabitar sonolento da brisa.

 

Os impulsos já são sombras,

porém tua luz me chama

e vou rumo a ti – eu mesmo

réu rumo ao tormento.

Nem amor, nem felicidade

posso dar-te por palavra:

Ah trocaram meu sangue

por outro mais violento.

 

Só um instante mais

e direi ao vazio

que não és senão dor

­quanto de ti me chega.

O mesmo que uma culpa

Atenazas-me rumo a ti me atrai

tua delicada boca de cereja,

arrebatada de última doçura.

 

Voltar para onde te espero, tenho

medo se tu me faltar.

Nunca te desejei

como agora. E todos meus desejos

revertem logo em realidades.

Os impulsos já são sombras,

porém tua luz me chama.                                                                                                                                                       

Óssip Mandelstam é um dos maiores escritores do período soviético e do século XX. Suas primeiras produções ensaísticas começam no período ginasiano, quando escreve O Crime e o Castigo em Boris Godunóv (1906) como trabalho para a escola. Depois viria o ensaio François Villon (1910), publicado na revista Appolón (1913), O Amanhecer do Acmeísmo (1912/1913), corrente da qual foi um  dos principais representantes ao lado dos poetas Nikolai Gumilov e Anna Akhmatóva, O Interlocutor (1914), Pior Tchaadáiev (1914), Skriábin o Cristianismo (1915) e outros textos em prosa.  Publicou ainda os livros: Tristia (1922), O Ruído do Tempo (1925, reminiscências, publicadas no Brasil em 2000 pela Editora 34), O Selo Egípcio (1928), Viagem à Armênia (1930, reminiscências publicadas no Brasil em 2000 pela Editora 34), Lamark (1932), Sobre a fala alemã (1932).

 

01) POMORSKA, Krystyna. Formalismo e Futurismo. São Paulo, Perspectiva, col. Debates nº60 (trad. Sebastião Uchoa Leite), 1972.
02) BERNARDINA, Auroro Fornoni. Mandelstam, a Elegância da Forma. O Estado de São Paulo, 19. Jan. 1991.

 

PELO TWITTER

www.twitter.com/FlavioDino Eu vejo, eu ouço. Agressões contra o Congresso Nacional e o Supremo, pedidos de “intervenção militar”, tentativas de desqualificar a liberdade de imprensa, defesa de ilegalidades absurdas e abjetas, brigas fascistas. É só uma questão de abrir bem os ouvidos para ouvir certinho.

www.twitter.com/PimentelLuciano Tive a satisfação de participar, na manhã de hoje, da posse da nova Diretoria e Conselho Fiscal da Associação Sergipana do Ministério Público (ASMP), uma entidade com mais de 70 anos de história. Os empossados representarão a entidade no biênio 2019/2021.

www.twitter.com/SenadorRogerio Não construir a minha vida tirando vantagem da minha condição monocular. Fui diagnosticado aos 10 anos. Sou cego do olho direito. Eu tenho uma deficiência física, é real! E me sinto honrado em ser o autor da Lei Amália Barros que busca a inclusão! Diga sim aos #monoculares .

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Frase do Dia
“Não há progresso, nem mesmo coragem, sem reflexão e silêncio.” Bazin.

Limpadores de para-brisa abusam nos semáforos em Aracaju. Até quando? Em vários pontos de Aracaju alguns limpadores de para-brisa abusam. Nada contra, mas é preciso respeitar. Primeiro pergunta para depois jogar a água suja com o detergente. A foto é do semáforo em frente ao restaurante Miguel sentido Beira Mar/Centro. São vários “limpadores” que fizeram ponto no mangue e entram no local e de repente sai de uma vez só por trás dos veículos e jogam a água com o detergente sem pergunta se o motorista quer ou não. E quanto é mulher é pior, eles abordam incisivamente. Vai acontecer alguma tragédia quando algum motorista revidar os abusos. Na foto são dois: no lado esquerdo o leitor só conseguirá ver o cotovelo de um que está pendurado do lado do motorista e o outro com chapéu. Notem que após “limparem” o vidro traseiro o carro ficou mais sujo ainda com a água com o “detergente” escorrendo até embaixo. Até quando?
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