Sem surpresa

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O prefeito de Aracaju, Marcelo Déda (PT), anunciou, ontem, durante uma entrevista na Rede Ilha, sua pré-candidatura à reeleição. Também ontem, nesta coluna, ele já havia antecipado essa decisão, ao dizer que estava colocando o seu nome aos aliados e correligionários, para se manter à frente da Prefeitura por mais quatro anos. A decisão de Marcelo Déda foi, realmente, consolidada durante o final de semana que passou com o presidente Lula da Silva, em Brasília, e o ouviu sobre a possibilidade de permanecer à frente da Prefeitura. Lula considerou importante que ele se mantivesse prefeito, evidentemente para tentativa de vôos mais altos em 2006. Não se pode deixar de reconhecer, e o prefeito Marcelo Déda sabe disso, que um dos principais problemas será, sem dúvidas, a indicação do vice-prefeito. É possível que já a partir desta próxima semana, Déda comece a conversar com as bases do seu partido sobre a candidatura e depois com lideranças importantes que integram o seu bloco políticos, como é o caso do senador Antônio Carlos Valadares (PSB), deputados federais Jackson Barreto (PTB) e Heleno Silva (PL), para traçar o caminho de sua campanha, a formação da chapa e a estratégia para conquistar novas adesões. Quer manter o grupo coeso e sequer imagina a possibilidade de se dispersar. Marcelo tem consciência que a questão da indicação do vice-prefeito será o grande nó da questão. Acha que o seu companheiro de chapa tem que ter o apoio de todos os partidos do bloco, lealdade, sensibilidade política e capacidade de ampliar os entendimentos, além de quebrar possíveis arestas. Traçou o perfil do atual vice-prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB), a quem Marcelo Déda fez largos elogios e manifestou a sua satisfação em tê-lo como companheiro de administração nestes quatro anos. Com certeza, se os partidos optarem por manter a dupla no poder municipal, deixará Marcelo Déda satisfeito. O prefeito acha, entretanto, que a escolha dependerá de muita conversa, argumentação e um bom jogo de cintura, para que ninguém saia contrariado com o nome indicado. Dentro da militância petista há um forte grupo que defende chapa puro sangue. Mas não se trata de uma questão que possa interromper o bom relacionamento com os demais partidos. O que Marcelo Déda não vai permitir – sequer pensa nessa possibilidade – é que alguém coloque em discussão o nome do vice-prefeito, na obrigatoriedade dele sair candidato ao Governo do Estado em 2006. Isso não passa pela cabeça de Marcelo Déda, porque a sua teoria é que não se pode trabalhar 2006 nas eleições de 2004. Não haverá imposição de candidatos a vice. Os partidos aliados podem sugerir nomes, mas o companheiro de chapa será aquele que obtiver o consenso do grupo. Sem isso, não tem discussão. Aliás, o prefeito Marcelo Déda está muito a cavalheiro para conduzir esse processo de escolha do vice, porque não há outro nome em seu bloco de apoio, que possa disputar a Prefeitura com as mesmas chances de vitória. Então, é aconselhável que haja prudência na discussão sobre a indicação do companheiro de chapa, porque o prefeito pode até deixar de disputar a reeleição, caso haja algum conflito que ponha em risco a unidade do bloco de oposição. Déda não vai jogar duro, mas não aceitará imposições que ultrapassem os limites da compreensão, espírito público e tolerância. SANGRIA O prefeito de Aracaju, Marcelo Déda (PT), disse, ontem, que não está numa “sangria desatada”, que não possa deixar de disputar a reeleição. Caso haja uma dissidência do grupo por causa da indicação do vice, “posso até não ser candidato”. Déda espera o consenso. GOVERNO Marcelo Déda também deixa bem claro que a questão de disputar o Governo não pode ser levada como atração para o vice. Acrescentou que 2006 será outra eleição, que precisa ter uma nova discussão, porque se tratar de um quadro completamente diferente. ESCOLHA Marcelo Déda revela que a escolha do vice-prefeito não vai valer apenas a simpatia e o reconhecimento pessoal do prefeito. Mas o entendimento com as demais lideranças, quando as conversas se afunilarem. Realmente será daí que sairá o candidato a vice. WALDOMIRO Marcelo Déda não acredita que haja qualquer vinculação do chefe da Casa Civil, José Dirceu, com o caso do seu assessor Waldomiro. Lembrou que “nem mesmo os mais ferrenhos adversários de José Dirceu o acusou”. Admite que o erro foi não analisar o passado de Waldomiro. VALADARES O senador Antônio Carlos Valadares (PSB) depois que enveredou pelos caminhos da oposição o faz com muita dignidade e convicção. Para Marcelo Déda, que sempre conversa com ele, a sua visão e experiência são vitais para a renovação política de Sergipe. PESQUISA José Raimundo (Cabo Zé), pré-candidato à Prefeitura de Lagarto, disse ao governador João Alves Filho que quem se saísse melhor nas pesquisas seria o candidato “dele e meu”. Cabo Zé está animado e tem dados que demonstram que já superou o prefeito Zezé Rocha nas pesquisas realizadas em sua cidade. SUGESTÃO O superintendente da Polícia Federal, Kércio Silva Pinto, sugere que o ex-deputado Antônio Francisco Garcez, foragido há nove meses, se entregue à Polícia. Seria uma forma dele provar que realmente é inocente. O ex-deputado é acusado de ser um dos mandantes do assassinato de Joaldo Barbosa. REUNIÃO O deputado federal José Carlos Machado (PFL) participa, terça-feira, de reunião da Comissão Externa que avalia os estragos da chuva no Nordeste. Machado já disse que só vai visitar a Bahia e Sergipe, porque os demais Estados são de interesse dos parlamentares que os representam. EXÍGUO José Carlos Machado acha muito exíguo o tempo que a Comissão Externa formada por parlamentares passará em cada Estado: “não dá para ver nada”. Uma tarde em Sergipe, que é o menor Estado, a Comissão deve reunir os prefeitos das cidades atingidas, conversar com a defesa civil e com o governador João Alves Filho. DETENTOS A transferência de detentos para o Adauto Botelho tem sido motivo de críticas de parlamentares e moradores da região. O deputado José Carlos Machado acha que só dois tipos de presos podem ir para o Adauto Botelho: “o cego dos dois olhos e o sem pernas”. FITA O líder do Governo, Venâncio Fonseca (PP), já tem em seu poder a fita gravada do programa de Gilmar Carvalho, em que ele chama os deputados de “corja”. Gilmar Carvalho havia desmentido o insulto e disse que se provassem que ele taxara os colegas de “corja”, poderiam leva-lo à Comissão de Ética. VAI OUVIR Venâncio já resolveu levar para o plenário, na segunda-feira, um aparelho de som, para que todos os parlamentares ouçam, nitidamente, quando Gilmar chama os colegas de “corja”. Logo em seguida, a fita será encaminhada à Comissão de Ética, como pediu o deputado, quando será aberto o processo. PROCESSO O processo, caso seja aberto pela Comissão de Ética, não será jurídico, mas político. A pena vai de advertência, suspensão e cassação de mandato. Segundo um dos advogados de Gilmar Carvalho, ele terá direito a ampla defesa, através de advogados. Tem muita gente interessada na cassação do parlamentar. Notas DOCUMENTO O Fórum Empresarial de Sergipe, com representantes de 17 entidades que o integram, entregou, ontem à tarde, o documento da classe, que oferece uma série de sugestões para reduzir as dificuldades do comércio local, com a abertura do Compras Net, que favorece a empresas de outros Estados. O documento pede um reestudo do programa e solicita também que todas as tomadas de preços e cartas convites fiquem fora do Compras Net, atendendo apenas ao comércio local e reduzindo as perdas. PREGÃO Foi cancelado o pregão eletrônico que o Estado iria realizar segunda-feira próxima, para compras de veículos, do qual iriam participar montadoras de todo o país, o que prejudicaria as revendas no Estado. Segundo uma fonte do Governo, a razão do cancelamento foi a falta da publicação do decreto sobre o ICMS. Houve um movimento para sensibilizar o Governo em relação ao prejuízo que as empresas de Sergipe teriam com o pregão. Com a suspensão, é possível que seja criada uma forma de não atingir aos empresários do setor. MÁQUINAS A Polícia Federal está trabalhando intensamente para fazer um levantamento dos locais que operam com as máquinas caça níqueis, para que a partir da próxima semana solicite à Justiça os mandados de busca e apreensão de todas elas. Alguns estabelecimento que ainda detém as máquinas estão evitando utiliza-las. Para um levantamento da situação, a Polícia Federal realizará uma ampla operação envolvendo bares, restaurantes e padarias, lacrando e apreendendo as máquinas caça-níqueis que estejam em funcionamento. É fogo O prefeito Marcelo Déda (PT) que não quer ter um vice de conveniência, “mas um vice de convivência”. O Partido dos Trabalhadores não fará nenhuma composição com o PSDB em Aracaju ou qualquer outra cidade do interior. Mesmo assim, o deputado Ulices Andrade (PSDB) diz que o partido não lançará candidato a prefeito na capital e que apóia Marcelo Déda. Marcelo Déda considera que o Partido dos Trabalhadores não detém o monopólio das boas intenções. Também comete as suas endiabruras. O Pré-Caju e o carnaval favoreceram para uma queda na arrecadação do Estado, considerada normal no mês de fevereiro. O Governo do Estado fará algumas mudanças no secretariado para atender àqueles que vão disputar as eleições municipais. O grupo de Zezé Rocha (PTB) está com problemas em lagarto. Tem aliado seu que não o deseja mais na Prefeitura. Existem muitas reclamações de pessoas ligadas ao ex-prefeito Zezé Rocha que não está satisfeita com o seu trabalho e o vê sem condições de ganhar as eleições. O ex-deputado Ivan Leite (PSDB) está animado com o apoio que vem recebendo de lideranças comunitárias e políticas de Estância, na disputa pela Prefeitura. Apesar do desastre administrativo, o prefeito Jovani Bento (PMDB) não esconde que é candidato à reeleição. A deputada Susana Azevedo, pré-candidata pelo PPS, está trabalhando para que o Adauto Botelho não hospede marginais. O Governo não cogita modificar a Medida Provisória que proíbe o funcionamento de bingos e caça-níqueis no país. Por Diógenes Brayner brayner@infonet.com.br

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