Semana decisiva

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A próxima semana será decisiva para os candidatos proporcionais e majoritários às eleições do próximo ano. Até sexta-feira todos terão que definir seus partidos, dentro de uma perspectiva de vitória. Caso não seja aprovado o Projeto de Reforma Política, as transferências e permanências partidárias podem ser intuitivas e estarão sujeitas às peripécias das coligações, em caso da manutenção da verticalização ou ao alívio de algum acerto na possibilidade aparentemente real de sua queda. A verticalização é a grande preocupação de todos os cidadãos que vão disputar as eleições, porque ela pode limitar condições e impedir uma maior flexibilidade nos entendimentos de base, exceto naqueles partidos que não terão candidatos a presidente do estado – e já definir em não darem apoio a ninguém – como é o caso do PL e PTB.

 

O ex-governador Albano Franco (PSDB), por exemplo, ainda não tomou uma posição política porque está esperando que a verticalização despenque. Teme que isso não aconteça, porque a orientação do tucanato é pela permanência da coligação fechada para presidente, que obrigatoriamente seja seguida nos estados. Há especulações de que PFL e PSDB podem se unir para disputar a presidência da República o que, certamente, provocará um transtorno em Sergipe, já que ainda há um fosso que separa as duas lideranças mais significantes dos partidos. Nas duas legendas, principalmente no interior, existem lideranças, até mesmo alguns prefeitos, que gostariam de votar nos dois porque, indiscutivelmente, são eles que acumulam voto nas regiões do estado. Albano e João sabem que não têm condições de sair juntos, porque o eleitor politizado não permite mais uma dupla que vem se revezando desde 1982. Os dois já não suportam o cheiro de acordão e demonstram desinteresse em qualquer tipo de conciliação, mesmo que isso representasse êxito para os blocos liderados pelos dois.

 

Até o momento o ex-governador Albano Franco não definiu candidatura. Sabe que não tem nenhuma dificuldade para eleger-se deputado federal e pensa nisso caso não encontre uma saída com menos obstáculos para chegar ao Senado. Setores da oposição – inclusive o prefeito Marcelo Déda – já se aproximaram do ex-governador, principalmente o senador Antônio Carlos Valadares (PSB), que trabalha para Albano apoiar a candidatura de Déda ao governo do estado. Membros de boa plumagem tucana torcem o nariz quando ouvem falar numa coligação com o Partido dos Trabalhadores. Todos eles acreditam que cumprirão o acordo e estarão fincados na campanha do prefeito, mas têm certeza que a militância petista não votará em Albano e muito menos trabalhará pela sua eleição, porque o PSDB será sempre o principal adversário petista a nível nacional. O ex-governador estaria nessa disputa cega, sem ter certeza absoluta do que será melhor para os seus aliados.

 

Além disso, tem um fato importante, que deve ser resolvido: para onde caminhará José Eduardo Dutra, atual secretário de Articulação Política do município, que certamente não deixou a presidência da Petrobrás para ser deputado federal. Eduardo sonha com a vida no Congresso Nacional e há informação de que, em seu gabinete na estatal, o aparelho de televisão era eternamente ligado no Canal Senado. Eduardo também faz reserva sobre o que pretende disputar, mas antes do entrosamento político com o ex-governador Albano Franco, o prefeito Marcelo Déda confidenciou para um amigo que tinha compromissos em apoiar Dutra para senador. E agora?   

 

Para o PSDB em Sergipe o melhor poderia ser a queda da verticalização. Assim, seria lançado um candidato a governador tipo laranja e Albano Franco seria candidato independente ao Senado. Alguns eleitores votariam nele para senador e em Déda para governador. O mesmo aconteceria com os eleitores de Albano que preferem votar na reeleição de João Alves.

 

AÇÕES

Segundo uma fonte do Ministério Público, está sendo preparada uma série de ações, por improbidade administrativa, contra o governador João Alves Filho (PFL).

Alguns recados já foram enviados…

A razão, segundo a fonte, é para tentar pressionar o João Alves Filho a conceder um aumento exorbitante aos membros da instituição.

CONSELHO

O governador João Alves Filho (PFL) aconselhou ontem os políticos se somarem para fazer mais obras em favor da população e que não prejudiquem quem está fazendo alguma coisa.

João Alves não vê problema nenhum em uma parceria entre as oposições e ele neste momento, lembrando que as disputas acontecem apenas no período eleitoral.

 

VERTICALIZAÇÃO

A Câmara Federal deve votar, terça-feira, o fim da verticalização, acabando com a obrigatoriedade dos partidos acompanharem as alianças nacionais.

Haverá dispensa do intervalo entre uma votação e outra (interstício) dessa matéria, para que ela possa ser votada pelo Senado antes de sexta-feira.

ALÍVIO

A disposição do Congresso em concentrar esforços para a queda da verticalização anima a maioria dos candidatos proporcionais e majoritários em todos os estados.

Em Sergipe, por exemplo, já tem gente com que pertence a uma legenda, mas já está com assinatura de filiação em outra, esperando apenas a queda da verticalização.

 

AUDIÊNCIA

O empresário José Amorim terá um encontro com o governador João Alves Filho (PFL) para anunciar que o PSC vai apoiá-lo nas próximas eleições.

Segundo Amorim, o partido, que teve um crescimento considerável em Sergipe, pretende lançar candidatos a deputados estadual e federal.

 

CONFIRMA

O senador Sérgio Cabral (PMDB) confirmou ontem que o ex-governador Antony Garotinho comunicou que o PSC vai marchar com o PMDB em todo o país.

“Exceto onde o partido não tiver candidato”, disse.

Segundo Sérgio, Garotinho deixou bem claro que em Sergipe o PSC vai apoiar a candidatura do senador José Almeida Lima (PMDB), que é pré-candidato ao governo.

 

VALADARES

O senador Antônio Carlos Valadares (PSB) acha que a votação da reforma política depende dos partidos políticos na Câmara.

Valadares defende a prorrogação de todos os prazos, inclusive o de filiação partidária, para que as eleições do próximo ano tenham critérios diferenciados.

 

REFORMA

Valadares quer a queda da verticalização, porque a considera um arbítrio e a federação de partidos, que une as legendas que não atingem o índice da Cláusula de Barreira.

O senador também defenda o financiamento misto de campanha (publico e privado) e a redução de gastos para conquistar um mandato.

 

AGRICULTURA

Já está decidido: o ex-deputado federal Sérgio Reis (sem partido) assume a Secretaria da Agricultura no próximo dia 3 de outubro.

Sérgio Reis está viajando e retorna na próxima semana, quando terá audiência com o governador João Alves Filho.

 

LIMINAR

A presidenta da Câmara Municipal de Pacatuba, Alcir Santos Silva, concedeu uma liminar em favor do prefeito daquela cidade, Luís Carlos Santos (PFL).

Aconteceu na quinta-feira à noite, quando o prefeito enviou um relatório à Câmara, para mostrar que as denuncias feitas contra ele foi feita por pessoa que não mora em Pacatuba.

 

ACUSAÇÃO

O prefeito Luís Carlos é acusado de fazer um contrato de risco com uma agência de publicidade, em que autoriza o repasse de 0,7% do orçamento para a empresa.

O vereador Arnaldo Andrade (PMDB) diz que o denunciante é de Pacatuba. Os vereadores estranharam a concessão de liminar por Alcir Santos, porque isso é atribuição do juiz.

 

CONVERSA

O ex-governador Albano Franco (PSDB) teve uma conversa com o vice-prefeito do Rio de Janeiro, Otávio Leite (PMDB) e trataram das questões políticas, inclusive de Sergipe.

Otávio, que é sergipano, acha que Albano Franco deve ser candidato a senador, dentro de um projeto independente.

 

NA ESPERA

Albano Franco está na espera da aprovação da reforma política, que deve acontecer até a próxima sexta-feira, para oferecer condições dos candidatos tomarem uma posição.

Para Albano o melhor seria a queda da verticalização, mas a informação de Brasília é de que o PSDB apóia a manutenção da obrigatoriedade de coligação.

 

DUTRA

Um membro do bloco de apoio ao prefeito Marcelo Déda avaliou que o ex-presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra, “é candidato a tudo, dependendo das circunstâncias”.

Ele defende a tentativa de um acordo com o ex-governador Albano Franco, embora tenha consciência que isso vai depender da queda da verticalização.

 

 

Notas

 

REFORMA

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) adiou a votação do Projeto de Lei (PL) 5855/05, do Senado, que estabelece regras para reduzir os custos de campanhas eleitorais e coibir o uso de caixa dois por candidatos e partidos. Nove deputados pediram vista do projeto por duas sessões plenárias.

O pedido foi feito após o término da leitura do parecer elaborado pela relatora, deputada Iriny Lopes (PT-ES). A proposta poderá ser votada pela comissão na próxima terça-feira e deve chegar ao plenário até sexta-feira.

 

PROIBIÇÕES
O PL 5855, já aprovado pelo Senado, proíbe showmícios e restringe a divulgação de pesquisas eleitorais. Esse projeto ganhou prioridade para que sua tramitação pelas outras comissões seja agilizada. Foi rejeitada a possibilidade da proposta tramitasse em caráter conclusivo somente pelas comissões.

O projeto, que será votado pelo plenário, é um dos quatro em tramitação no Congresso que modificam a legislação eleitoral e que precisam ser aprovados até o dia 30 para serem aplicados nas eleições de 2006.

ESFORÇO

A Câmara fará um esforço concentrado, na próxima semana, para votar parte dos projetos da reforma política antes do prazo legal de 30 de setembro. Na segunda-feira, às 14 horas, haverá uma sessão extraordinária para tentar votar as cinco medidas provisórias (MPs) que bloqueiam a pauta.

O líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), assumiu na reunião de líderes o compromisso de que será retirada a urgência constitucional de três projetos de lei que também trancam a pauta na Câmara.

 

É fogo

 

A CCJ aprovou projeto que aumenta para dois anos o prazo mínimo de filiação dos candidatos em caso de mudança de partido.

 

Atualmente, o prazo é de apenas um ano. Para os candidatos que estiverem na primeira filiação partidária, o prazo continua sendo de um ano.

Com a aprovação do projeto, os deputados esperam aumentar a fidelidade partidária, diminuindo a troca de legendas.

 

O deputado João Fontes (PDT) está chateado com o tratamento que setores da imprensa estão lhe dando, sobre o episódio com o deputado Valverde (PT).

 

João Fontes diz que fez uma defesa da senadora Heloisa Helena, que foi insultada de forma preconceituosa pela parlamentar petista.

 

Os deputados Ivan Paixão, Jackson Barreto e o senador Valadares estiveram com o ministro Ciro Gomes para tratar sobre a revitalização do São Francisco.

 

O arcebispo de Aracaju, dom José Palmeira Lessa, fez palestra na Assembléia, destacando a campanha da fraternidade.

 

O ex-prefeito de Estância, José Nelson (PMDB) deve disputar uma vaga na Assembléia Legislativa. Confia no eleitorado de sua cidade.

 

O ex-deputado estadual Luis Mittidieri (PFL) vai tentar o seu retorno à Assembléia Legislativa. Tem Boquim como sua principal base.

 

O presidente do Banese, Jair Araújo, voltou rapidamente às suas atividades, depois de um susto em relação à saúde. Perderá alguns quilos e vai moderar no excesso de trabalho.

 

As companhias aéreas do mercado brasileiro cancelaram, em agosto, uma parcela maior de vôos domésticos previstos, em comparação ao mês anterior.

 

Os auditores fiscais da Receita Federal realizaram assembléias ontem para aprovação de novas paralisações.

 

brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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