Ser ou não ser, eis a questão

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Lisboa, 4 de maio de 2008

 

Caros leitores e eleitores:

 

Estou pensando em dar um tempo na campanha eleitoral e curtir o São João em Sergipe, afinal o Forro Caju, convenhamos, é muito mais animado e cheio de mulheres maravilhosas, que essas reuniões intoleráveis com conselhos políticos, equipes de marketing e coisas do gênero.

 

Aliás, depois que recebi Rôla em minha casa, tenho pensado muito sobre se quero mesmo participar dessa campanha eleitoral. Creio que precisarei receber Rôla novamente (no bom sentido é claro, pois sou espada convicto) para ver se mudo mesmo alguns conceitos.

 

Evidentemente, não estou desistindo da minha candidatura. Apenas refletindo de coração aberto sobre a minha vocação política e pesando os prós e contras da guinada radical que representaria a minha mudança para a barbosópolis. Totó Penteado acha que eu posso governar pela Internet. É uma possibilidade.

 

As elites retrógradas parecem não querer referendar o meu nome na convenção do Partido dos Aposentados Bonitões. Aliás, elas não querem mudar nada mesmo, pois provavelmente não aprovarão o nome de ninguém e vão acabar apoiando quem lhes der mais dinheiro para a caixinha do partido.

 

No fundo, pessoalmente acho melhor. Imagina perder as minhas sarapitolas e pinocadas com Sulamita, minha secretária bilíngüe e boazuda, só para ter que ficar andando do semi-árido ao agreste a comer buchadas e a apertar mão de líder comunitário de interior. Sou um intelectual urbano, maus amigos, não mereço este suplício!

 

Mas não quero decidir isso agora, é tempo de arear a fivela e tomar uma s brejas Além do mais, não vou à terrinha desde que fui pego em flagrante num amasso histórico com uma belíssima nativa na Ponte do Imperador. Só mais tarde é que me foi revelada a sua verdadeira identidade, chamava-se José Porfírio, uma autêntica traveca itabaianense. Mas se até o Roanaldinho se enganou, quem sou eu para não fazer o mesmo? É o que vos pergunto.

 

Aliás sinto-me na obrigação de dar algumas dicas básicas ao fenômeno nas suas suas futuras investidas sexuais. Ronaldinho, meu filho, da próxima vez que você deixar a namorada em casa e for procurar por garotas de programa nos pontos onde ficam os travestis, observe alguns detalhes a saber:

 

A voz rouca e anasalada das bibas. Mulheres têm voz de mulher, já travestis têm aquela voz esquisita que não engana ninguém. O gogó geralmente ainda é bem acentuado. Mulheres não têm gogó, travecas têm.O pé geralmente é grande como pé de homem. Mulheres geralmente calçam 36, 37, travecas vão de 40 a 42.

 

Certa feita o saudoso vovô Bouçinhas também se enganou quanto à travestis. Contou-me ele que estava num ponto de travecas a procura de uma saliência para por fim ao tédio de uma fria madrugada.

 

Pois bem, depois de conversar com uma figura, convidou-a para entrar no carro e embicou em direção a um motel. Lá chegando qual não foi a sua surpresa: a traveca era uma mulher de verdade e não portava um borgulho entre as pernas como esperava o vovô. O que fez o velho então? Ao invés de partir para a baixaria como o nosso fenômeno futebolístico, vovô deu entrada no Procom, por propaganda enganosa e acabou ganhando a causa.

 

Inteligente, o vovô. Tive a quem sair.

 

Até semana que vem.

 

Um abraço do

 

Apolônio Lisboa.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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