Será um “racha” institucional?

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O experiente e sábio líder político e empresarial Augusto Franco, certa vez instado por um de seus auxiliares sobre os segredos para vencer em Sergipe respondeu de bate pronto. “Quem vencer aqui (em Sergipe) vence em qualquer parte do mundo”. A tradução correta para essa frase é: aqui tudo é mais difícil, tudo é mais complicado. Por que isso? Talvez seja pela total ausência de visão de alguns dos nossos líderes e seguidores!? Senão vejamos. Há dias venho relutando a entrar neste tema. Mas não me contive ao deparar com manchete de jornal que diz textualmente: “Ato público marca racha político do Estado com o presidente Lula”. O motivo da manifestação será o malfadado projeto de transposição das águas do rio São Francisco.

Nada anormal na realização do ato contra a transposição, afinal de contas, muitos detalhes deste projeto ainda estão no obscurantismo. Um deles e talvez o mais importante é a real vazão do rio em sua foz. Outro é a diretiva a ser dada a essa transposição. Irá beneficiar o consumo humano ou projetos de irrigação? Esses dois pontos, ao menos na cabeça de centenas de pessoas, ainda não estão devidamente esclarecidos. Até ai tudo bem. Mas pretender que um ato dessa natureza, que reunirá apenas opositores do Governo federal, represente “um racha do Estado” com o presidente Lula, é algo no mínimo hilário. Antecipo que aqui não pretendo e nem estou julgando o órgão de comunicação e nem seus profissionais, os quais traduziram apenas aquilo que presenciaram e ouviram no debate acontecido sexta-feira passada na Assembléia Legislativa sobre o tema. 

A observação critica aqui vai para aquele ou aqueles que fizeram tal observação insensata e surrealista. Ora, como o ato representará um “racha do Estado com o presidente Lula” se a maioria das lideranças que está organizando-o fazem oposição a seu governo? Dezenas de outros argumentos põe por terra essa falácia de “racha do Estado”, no entanto, me prenderei apenas a esse. Se o ato contra a transposição também contar com a participação direta das lideranças políticas que dão apoio ao governo Lula, ai sim, estaremos presenciando um “racha”, não do Estado, mais da base de sustentação do Governo federal em Sergipe.

Além do mais, o Estado é um ente federativo e caso decida romper com o governo federal, representará uma ruptura institucional, o que poderia nos levar até a uma guerra separatista. Quero crer que quem desembainhou frase tão antiinstitucional, não raciocinou antes. E é muitas vezes pela ausência de racionalidade que sergipanos ilustres deixam de contribuir para nosso desenvolvimento e crescimento econômico, social e político. Que seja feito o ato contra a transposição das águas do velho Chico, como forma de se contrapor a um projeto insensato e irracional. No entanto, essa insensatez e irracionalidade do Governo Federal não justifica o “racha do Estado”, até porque esse tipo de discurso cheira a proselitismo eleitoral.

É por essas e outras que talvez a frase dita por Augusto Franco há mais de vinte anos continue atual.

Muro tucano
Acredite quem quiser, quando Albano Franco diz não estar preocupado com a queda ou manutenção da verticalização das coligações partidárias e quando Almeida Lima diz não estar preocupado se assume ou não o comando do PSDB em Sergipe.

josearaujo@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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