Severino Miracapilo

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Quem conhece bem o presidente da Câmara Federal, Severino Cavalcante (PP), tem absoluta certeza que ele dificilmente suportará essa situação em que se envolveu. É um homem doente, conserva uma diabete em alto grau e mesmo assim assalta geladeiras à noite para comer doces. Sua estrutura política é frágil e nunca esteve sob pressão do tipo que está passando hoje, até porque desde quando deputado estadual por Pernambuco permanência no anonimato e atuava nos bastidores.

Uma das únicas aparições freqüentes na imprensa de seu estado foi quando pediu a expulsão do padre italiano Vítor Miracapilo, em 1978, quando Marcos Maciel era governador do estado. Miracapilo era padre de Ribeirão, um município da Zona da Mata de Pernambuco, que se recusou a celebrar uma missão no 7 de Setembro, alegando que não havia independência no Brasil. A ação de Severino, um conservador da então Arena, que chamou o padre de subversivo e trabalhou pela sua expulsão, fez com que os militares determinassem seu retorno à Itália.

A esquerda não perdoou o obscuro parlamentar e o cunhou de “Severino Miracapilo”, apelido que carrega com constrangimento por onde anda em seu estado.

Severino Cavalcante iniciou sua vida política como prefeito da cidade que nasceu: João Alfredo. É a liderança mais expressiva do pequeno município e o nome mais importante da Zona da Mata neste momento que ocupa a Presidência da Câmara Federal. Foi deputados estadual por vários anos, entrosado no baixo clero, trabalhando nos gabinetes e mantendo a postura que defende até hoje, de fisiologista.

Integrava o bloco liderado pelo deputado federal Ricardo Fiúza e em 1994 elegeu-se deputado federal pela primeira vez. O Brasil só ouviu falar em Severino Cavalcante por três vês: 1ª – quando, como corregedor da Câmara, mandou arquivar o processo que pedia a cassação do cartola Eurico Miranda; 2ª – quando combatia o projeto da então deputada Marta Suplicy (PT), que permitia a união civil de homossexuais, e 3ª – agora, quando está envolvido no mensalinho, acusado de receber propina para manter um restaurante funcionando na Câmara Federal.

Severino Cavalcante é o retrato do Brasil atual, que transformou a ignorância em uma coisa politicamente charmosa e atraente. O seu estilão de pecuarista e plantador de bananas não casa muito com a postura de um presidente da Câmara Federal, cargo que o faz terceiro homem na escala hierárquica do país. Ninguém poderia esperar que um parlamentar eternamente plantado no baixo clero, que defende ardorosamente o fisiologismo, que deseja um tratamento dócil a corruptos e trabalha para satisfazer a um governo atolado na lama, estivesse fora de todo esse processo de corrupção que atinge os podres poderes, mais diretamente os parlamentares. É possível que ele não se salve da cassação.

As denúncias são contundentes, fortes e fácil de se comprovar. A Câmara tem obrigação de tomar uma posição firme para tentar reduzir o impacto que vem sofrendo há três meses, envolvendo o mensalão e outras ilícitos praticados por deputados e partidos políticos. Não dá para passar a mão na cabeça e é bom que se adote uma punição imediata a todos, para que se reestruture um poder em que todos os seus integrantes estão sob suspeita. Até hoje, os presidentes das legendas que receberam recursos do Partido dos Trabalhadores, através do caixa-2, não declararam com quem dividiram o dinheiro.

Severino, entretanto, não estaria presidente se não fosse a irresponsabilidade da maioria dos parlamentares, que não teve o cuidado de votar em um nome capaz, lúcido, independente e moderado, para assumir a Presidência da Casa. A questão partidária, o desejo de preferir um incapaz só para impedir que adversários cheguem ao poder, terminaram gerando um presidente tipo Severino, agora acusado de integrar o bloco dos corruptos. A sociedade a cada dia fica estarrecida com o que assiste e ler, porque se depara com fatos que envergonham uma nação que sonhou com um Brasil melhor para todos. Severino deve retornar amanhã ao país, não é homem de grande coragem e, diante das denuncias fáceis de comprovar, deve entregar o cargo já, já e renunciar. Severino acabou tão rapidamente quanto começou.

DELÚBIO
Um leitor atento volta a brindar a imprensa com a informação sobre a participação do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, em campanhas eleitorais de Sergipe.

No dia 07 de junho de 2004 o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do PT indica Delúbio para acompanhar candidaturas em Minas, Acre e Sergipe.

REUNIÃO
Em reunião realizada no dia 07 de junho a GTE decidiu efetuar um acompanhamento efetivo das campanhas, a partir da segunda quinzena daquele mês.

Esse acompanhamento seria “particularmente nos municípios prioritário”. Na divisão de estados, Delúbio Soares também ficou responsável por Sergipe.

DÉDA
O prefeito Marcelo Déda (PT) nega que tenha recebido recursos em dinheiro do Diretório Nacional, embora não tenha falado no acompanhamento através de Delúbio.

Déda destaca que sua campanha recebeu apenas o show da dupla Zezé de Camargo e Luciano e a apresentação do pianista Arthur Moreira Alves, tudo declarado no TRE.

OLIVEIRA
O secretário de Governo do Município, Oliveira Júnior, também recebeu o e-mail e constatou que Delúbio Soares está como acompanhante da campanha em Sergipe.

Explicou, entretanto, que o ex-tesoureiro jamais veio a Sergipe cuidar de alguma coisa relacionada às finanças do partido em Aracaju.

APOIO
Apesar de Jerônimo Reis não confirmar, segunda-feira todo o grupo político que ele integra estará anunciando apoio ao governador João Alves Filho (PFL).

Dará apoio ao governo do estado o prefeito Zezé Rocha, os vereadores aliados, lideranças políticas e demais membros que fazem o grupo político.

PARTIDO
Todos os integrantes do grupo político hoje liderado por Zezé Rocha deixa o PTB e vão ingressar em outra legenda, a qual não foi anunciada.

A demora na decisão aconteceu pelas conversas extensivas que aconteceram e por algumas intervenções. É certo, entretanto, que o martelo foi batido.

DUTRA
Durante entrevista, ao assumir a Secretaria de Articulação Política, o ex-senador José Eduardo Dutra (PT) disse que não há jeito do seu partido se coligar com o PSDB em todo Brasil.

Avalia isso em razão da manutenção da verticalização que não tem mais tempo para cair. Dutra já anunciou que é candidato ao Senado Federal.

TUCANO
Para o PSDB a situação não é boa porque dificulta a candidatura dos seus membros, porque não existe perspectiva de uma candidatura majoritária ao governo.

O ex-governador Albano Franco não sai candidato ao governo do estado e dificilmente vai para uma aventura em busca do Senado. Deve disputar a Câmara Federal, apesar de Bosco Costa.

DISCURSO
O prefeito Marcelo Déda está em Brasília e foi ao Ministério do Planejamento. Também busca subsídios para prepara o discurso que fará para a direção do BID, dia 13 em Washington.

O objetivo é levantar financiamento do banco para infraestrutura e defender acesso mais fácil aos empréstimos para os municípios.

ENTREVISTA
O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, e a deputado Denise Frossard (RJ) estão em Aracaju e hoje de manhã concede entrevista a jornalistas.

Vai falar da conjuntura atual do Brasil, envolvendo a crise política e os escândalos que atingem o presidente Lula e a Câmara Federal.

PALESTRAS
Roberto Freire e Denise Frossard farão palestras para estudantes de Direito da Tiradentes e visita os calçadões no centro comercial de Aracaju.

Almoçam com o governador João Alves Filho e a senadora Maria do Carmo e manterão contatos com os novos filiados, defendendo uma maior integração do partido.

PAIXÃO
O deputado Ivan Paixão, que recebe Denise e Roberto, acha que a verticalização só será votada se houver desobstrução da pauta.

Acredita que a verticalização será o único ponto da Reforma Política a ser aprovado, porque a maioria dos partidos quer.

MESAS
Terça-feira passada, em um restaurante num dos shoppings de Aracaju, havia três mesas ocupadas por grupos políticos distintos.

José Eduardo, Rosalvo Alexandre, Marcelinho e Lucia Falcon  estavam em uma mesa. Albano Franco e Ulices Andrade em outra. Eduardo Amorim e a família também almoçavam lá.

Notas

PALOMARES
O professor Palomares manda e-mail dizendo que sempre foi contra o voto nulo, mas diante do que tem visto por aí, talvez a melhor resposta que se possa dar a “essa corja de políticos é anular o voto”. Lembra que se 50% ou mais de eleitores anulares seus votos, a eleição será anulada e os candidatos não podem disputar de novo.

Ele sugere que se divulgue isso, porque pouca gente sabe e acaba votando no “menos pior”. Conclama: “vamos reprová-los com o voto zero. Vamos mostrar insatisfação com toda a corrupção e falta de ética de nossos políticos”.

FORO ÍNTIMO
Uma leitora envia e-mail e faz importante observação: “a OAB é um órgão que defende a cidadania, combate à injustiça, e os advogados (dirigentes e conselheiros) atuam sem remuneração, unidos e preocupados diretamente no dia a dia do cidadão brasileiro, principalmente das injustiças e desmandos”.

Continua: “não entendo como a OAB também é responsável pelo julgamento das representações movidas contra advogados. Não faz sentido que colegas de profissão condenem um dos seus e é aí que entra o corporativismo”.

SUGESTÃO
A leitora acha que “as representações contra advogados deveriam ser julgadas por juizes, desembargadores ou pelo Ministério Público, caso contrário a Ordem dos Advogados do Brasil estará indo de encontro à própria cidadania, que tanto defende, porque dificilmente uma classe unida terá interesse em punir um dos seus membros”.

Conclui “a partir do momento em que o Ministério Público, que defende a sociedade, o cidadão, se conscientizar desse detalhe e mudar o rumo das representações contra advogados, com certeza a OAB será completa nesse dia”.

É fogo

O governador João Alves Filho (PFL) vai reiniciar uma série de inaugurações no interior na próxima semana.

João Alves Filho fez crítica ao programa Fome Zero, do governo federal, classificando-o de clientelista.

O governador João Alves Filho disse que o ideal é que o governo federal abrisse frentes de trabalho para resgatar a cidadania da população.

O senador José Almeida Lima (PMDB) tem conversado com lideranças da capital e interior para fortalecimento do partido.

O ex-governador Albano Franco (PSDB) circulou pelo shopping Jardins em companhia do empresário José Carlos Paes Mendonça.

O presidente do Banese, Jair Araújo, satisfeito com os resultados das agências bancárias que tem cumprido o tempo de 15 minutos para atendimento aos clientes.

O deputado federal João Fontes (PDT) também trabalha muito para fortalecer a legenda em Sergipe. Tem viajado por todo o interior.

O deputado Francisco Gualberto (PT) garante que o Brasil, na prática, não está independente, porque continua colonizado pelos EUA.

O deputado Antônio dos Santos (PSC) apresentou projeto que cria comissão, para vistoriar pontes e viadutos.

O Ministério Público de Sergipe quer coibir o uso indiscriminado de agrotóxico em cidades do interior e na capital.

A Varig manteve a segunda colocação no ranking de passageiros transportados no mercado nacional em agosto.

Desde ontem que a Receita Federal liberou as consultas ao quarto lote das restituições do Imposto de Renda Pessoa Física 2005.

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