Sexo sem camisinha no Carnaval?

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Agir rápido pode evitar HIV

Oficialmente, a folia carnavalesca foi cancelada mas, em muitos locais, principalmente em regiões de praias, ocorreram pequenos blocos e até grandes aglomerações.

O carnaval é uma festa diferente: muita gente, por vários motivos, muda o comportamento. O excesso de bebidas alcoólicas é um fator de risco para esquecer os cuidados com a saúde. É frequente a mudança no comportamento sexual. O próprio perfil da festa leva a novas amizades e até novos encontros amorosos, podendo acontecer relações sexuais ocasionais.

Faço um alerta para aquelas pessoas que tiveram relações sexuais sem o uso do preservativo ou se a camisinha rompeu e ficaram preocupadas com relação à infecção pelo HIV: ainda é possível se prevenir contra o HIV. Vai depender do tempo decorrido entre a última relação sexual e tomada de decisão de se prevenir.

A tomada de decisão de se prevenir até as 72 horas após a última relação sexual

Diante do vacilo carnavalesco, é preciso agir rápido. Quando a pessoa resolve tomar decisão de se prevenir do HIV até as 72 horas após a última relação sexual desprotegida (o ideal é que essa decisão seja nas duas primeiras horas), ela deverá procurar uma unidade de urgência, onde está disponível a PEP – Profilaxia Pós – Exposição ao HIV. Trata-se de uma medida de urgência de prevenção à infecção pelo vírus HIV disponível gratuitamente na rede pública de saúde com eficácia maior do que 90%, onde a pessoa exposta fará o uso dos medicamentos antirretrovirais por 28 dias para evitar a multiplicação do vírus no organismo. Após os 28 dias de uso do medicamento antirretroviral, completados 30, 60 e 90 dias, deve ser feito o teste de HIV numa Unidade Básica de Saúde. É importante, nesse período investigar a presença de outras IST – Infecções Sexualmente Transmissíveis, realizando os testes de Sífilis e Hepatites B e C. É recomendada a vacina contra a Hepatite B. É importante ficar atento ao surgimento de possíveis feridas genitais e/ou corrimentos anormais, que devem servir de alerta e de indicativo para que se procure um serviço de saúde.

A PEP é recomendada para vítimas de violência sexual (sexo não consentido), bem como a todas as pessoas que tiveram relação sexual com penetração sem camisinha com um soropositivo que tem carga viral detectável ou alguém que não se sabe se tem ou não o HIV. O mesmo vale para o caso em que a camisinha estoura. Mas não é indicado para quem já tem o vírus. Por isso, no atendimento, tem que ser feito o teste rápido para o HIV. A PEP só será indicada se o teste da pessoa exposta for não reagente ou negativo e se a relação sexual foi com penetração e sem o preservativo. A PEP não deve ser usada para substituir a camisinha.

Essa profilaxia também não será indicada se o parceiro sexual da pessoa exposta for soronegativo. Geralmente, numa relação sexual ocasional, a pessoa exposta não tem informações sobre a sorologia do (a) parceiro (a) sexual.

E se a decisão de se prevenir contra o HIV surgiu após as 72 horas da relação sexual de risco?

Caso a relação sexual sem o preservativo tenha ocorrido há mais de 72 horas, a profilaxia (PEP) não será indicada. A pessoa deverá aguardar os 30 dias após a última exposição ao risco para realizar o teste de HIV. É o tempo da chamada “janela imunológica” – período entre a infecção pelo vírus e a produção de marcadores detectáveis pelos testes laboratoriais (os anticorpos). O teste precisa ser repetido com 60 e 90 dias após a situação de risco. Enquanto isso, a pessoa precisa usar o preservativo nas relações sexuais.

E se a pessoa exposta ao risco apresentar o teste de HIV reagente ou positivo, o que fazer?

Caso o teste de HIV da pessoa exposta ao risco tenha resultado reagente ou positivo, ela deverá ser encaminhada para o Ambulatório Especializado para realizar exames complementares e iniciar o tratamento para o HIV. A pessoa soropositiva deverá ser acompanhada também pela Unidade Básica de Saúde do bairro onde mora.

A PEP para exposição sexual consentida está disponível, em Sergipe, nos seguintes locais: nos Hospitais Regionais, nas UPA de Boquim, Neópolis e em Aracaju, na UPA do Augusto Franco e Nestor Piva. O Ambulatório Especializado para Tratamento do HIV está situado no Cemar Siqueira Campos e no Hospital Universitário.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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