Só aprendemos pelo amor ou pela dor

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É claro que o amor ao qual quis se referir o filósofo não foi somente ao amor vulgar: aquele que hoje poderíamos traduzir pelo: eu amo o meu carro, a minha casa de praia, o meu passeio anual à Europa…, nem ao amor erótico; amo fulana (o) por causa do seu cabelo, de seus lábios, de seu porte atlético ou de suas formas sensuais…, nem ao amor romântico; Ah! Eu amo meu/minha namorado (a) por que ela (e) é a minha vida, meu dia, meu sol, o ar que respiro e a estrela que guia os meus passos.

Mesmo porque estes são apenas alguns aspectos, talvez até os mais pobres, por sinal, do amor e que por isso mesmo não se prestam como remédio para o sofrimento, causando, quase sempre, mais sofrimento.
Referia-se o mestre ao amor essência, aquele que nem gozo é. E, visto pela lente dos que amam o vulgar, não é amor, trata-se, na verdade, de sacrifício.

O amor ao qual ele mais queria aludir era exatamente ao amor da renúncia, ao amor desinteressado, ao amor de doação, ao amor da entrega.

Este é sem duvida o verdadeiro amor. Porém, somente quem o tem pode doá-lo. Ou seja, primeiro é essencial que a própria pessoa se ame para que então, possa amar. Ninguém, naquele tempo e nem hoje, pode dar o que não tem. Logo, se eu não me amo não poderei dar aquilo que eu não tenho para comigo mesmo a alguém ou a uma causa.

Como o amor é tudo na vida de uma pessoa, aquele que não se ama e, consequentemente, não distribui amor, tem por obrigação natural, visto que é impossível se viver sem amar, buscar suplementos para este vácuo existencial noutros lugares, daí a doença.

Os doentes buscam, às vezes, no vício, na droga, na emoção vulgar, ou na depressão, mormente nestes tempos do “fast”, do rápido, do veloz, do ligeiro, do sem tempo, em que não nos é dado o devido espaço para aprendermos, desenvolvermos e distribuirmos uma harmoniosa convivência com os nossos.

Vivemos a banalização da estrutura e, para que esta banalização seja suportada, alguns debandeiam para ócio inútil da perversão, da bebida, das baladas, das droga da realização do sonho imediato e momentâneo do “aqui e agora”, do “carpe diem”, – viva o hoje pois o manhã poderá não chegar.

Falta o sonho, falta a essência, falta o compromisso, falta o amor. Ou melhor, vivemos a vulgarização de todos estes valores capitais subtraídos, lamentavelmente, na construção do porvir, do amanhã.
Tudo isso, por não ter havido exatamente, no tempo da semeadura por parte dos gestores familiares, educacionais e sociais a competência, a boa vontade e nem o tempo necessário para que fosse plantada nas juvenis consciências a essência do útil conhecimento, do amor, da vida.

E, estamos por isso mesmo, criando cada vez mais gerações de doentes por não termos e nem sabermos como programar em seus corações o verdadeiro amor, repito: o amor do sonho, o amor da entrega, o amor da renúncia, o amor do comprometimento, o amor da essência.

Aí a história vai se repetindo e valiosas vidas vão se indo, na avalanche da desregrada proporção. Podemos contabilizar em apenas uma semana, mesmo sem falar nas barbáries que nos rodeiam mais de perto: Amy Jade Winehouse e Anders Behring Breivik.

A primeira, apenas 27 anos, doente, cantora de sucesso mundial, nascida e criada na histórica, culta e desenvolvida Londres.

O segundo, Norueguês, 32 anos, homem alto e loiro, de aparência claramente nórdica, autor confesso do duplo atentado na Noruega: vestido com um uniforme da polícia entrou atirando  de forma indiscriminada na ilha norueguesa de Utoya, num acampamento juvenil onde estavam reunidos entre 400 e 600 jovens, matando pelo menos 85, além de, momentos antes, ter explodido o Palácio do governo daquele pais deixando, também ali, um saldo doloroso de sete mortos e tudo, ironicamente, em nome de uma fé.

Citamos apenas estes dois doentios casos lamentáveis de falta de amor, porém, os nossos noticiários estão repletos destas violências que disseminadas pelas ondas dos bytes e dos bits, nos incomodam. Chegamos mesmo a acreditar que acordamos viventes e, quando nos recolhemos para dormir, somos apenas sobreviventes, dado a desmesurada banalização da vida, do amor e da paz.

Onde está a causa? Não a temos e nem podemos culpar apenas o presente com todas as tecnologias, com todo seu desenvolvimento, com todos os seus problemas, pois a violência sempre existiu, sempre houve esta banalização. Acredito que tudo está, exatamente aí, e, é aí também, que está a grande oportunidade de aprendermos: aquele que não quer aprender com a história, sobretudo, com os erros da história, estará, sem dúvida, condenado a repeti-lo.

É na construção diária e constante de cada vida que está a oportunidade da escolha. Será que somos nós mesmos os responsáveis? Seremos exatamente nós, gestores familiares, doentes e nem nos damos conta?

Como disse Madre Tereza de Calcutá: “Do berço ao túmulo, a maior necessidade do ser humano é o amor, o verdadeiro amor.” Será que nós, enquanto pais, estamos dando o verdadeiro amor aos nossos filhos? Que breve também serão pais e repetirão, naturalmente, o mesmo com os seus filhos, numa sucessão infinita, o amor que estão recebendo aqui e agora?

PENSE NISSO!

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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