Só há erro onde se quer

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Em tempos pandêmicos de Covid, o noticiário nos alarma de outro modo.

Na imprensa sulista, o importante é o Queiroz, catado como piolho, à pente fino, por vasto esquadrão, militarmente armado até os dentes roídos ou encastoados, em demonstração excedente de total insuficiência, a firmar a desimportante e real atuação de promotores, juízes e policiais, carentes todos de desempenho na mídia, ao vivo, em som, e a cores, a explicitar seus labores inúteis, regiamente pagos pelo erário.

Do Queiroz, dizem os que escarafuncham o lixo social, praticava uma “rachadinha” de alguns milhares de Reais, com um dos filhos do Presidente Bolsonaro, hoje Senador muito votado, desvios acontecidos enquanto tal político era Deputado Estadual no Estado do Rio de Janeiro.

À falta de desvios bilionários que ficaram perdidos nas sombras do passado em Mensalão, Petrolão, e tantos “ãos”, ainda não deslindados nesse Covidão, o Queiroz, sem ter culpa provada, já ficou preso incomunicável por cerca de dez dias e sua mulher ameaçada, ambos agora retidos em casa, portando tornozeleira eletrônica, só para mostrar que o Estado é eficiente no coibir esse crime ainda não tipificado.

Tipificado para que, se isso não precisa?

Que fizeram, Queiroz e sua mulher?

Nada! Por enquanto, nada! São suspeitos, e suspeitos apenas estão, acusados de praticarem ‘rachadinha’!

– “Tem crime maior?” – Pergunta-me aquele indivíduo que se assombra com eventual mau comportamento de outrem, e que não se enxerga no espelho, isso desde que Jesus incomodava os Fariseus e sua gente, por caiados sepulcros assim transparecidos.

– “’Rachadinha’ – diz-me um seu novo corifeu encafifado: – ‘rachadinha’ se não chega a ser um ‘trabalho escravo’, não deixa de ser um abuso contra o hipossuficiente, uma espoliação daquele que aceita assumir uma eventual assessoria parlamentar” -, regiamente remunerada, – digo eu – e trabalhando pouco, muito pouco, ou quase nada, sem cumprir horário, nem obrigação, desde que aceite repartir a remuneração imerecida e vorazmente recebida.

Digo assim, porque é voz comum, nas “oiças de matildes”, ser a ‘rachadinha’, algo tão comum, que não há nessas repartições controles precisos de ponto, em presença e atuação; tudo ficando sob a responsabilidade de quem nomeia, intermeia e entremeia, e lhe perfaz melhor ajuda ao seu próprio pé-de-meia.

E nesse baculeio, quem cerze e borda, chuleia, caseia e bem rateia é sempre aquele vadio que “vadeia”, e granjeia o bom patrono que o nomeia.

Infeliz, restando o erário e a Receita Federal, sempre inermes em descobrir quem é e quem não é, realmente; o vilão defraudador.

E neste mesmo sacolejo, há milhares de assessores insubstituíveis,… Quantos há?, ninguém o sabe!

Há, porque sempre houve, e haverá, ninguém o duvide, nos Parlamentos, no Executivo, no Judiciário, nos Tribunais e em todos os órgãos gestores, executores e controladores! Milhares de Queiroz, “queirózeis” múltiplos, por ladravazes.

Estarei eu ao afirmá-lo, querendo isentar o Queiroz tornozelado?

Não!

Só não entendo o aparato que o caçou e prendeu!

Não estivesse “o meliante” dormindo, sob ação de sonífero potente, talvez fosse crivado de balas, por melhor efeito, para ditar insinuações trevosas de resistências ao encarceramento.

“Queirozes e rachadinhas” à parte, ouço no noticiário em menor escândalo, que um ciclista foi atropelado por um automóvel em alta velocidade na Rodovia José Sarney.

A julgar pelo noticiado, o condutor trafegava em extrema celeridade, com sinais suspeitos de embriaguez, travando, um “racha”, quem o sabe?, e não uma rachadinha!

O jovem morto, um advogado, um homem feliz e sorridente, usava a bicicleta em cuidados de manutenção de sua boa saúde e forma física.

O condutor, um beberrão irresponsável, bem sabia que ninguém pode ao ingerir álcool dirigir um veículo automotor.

Isso, porém, sempre vale só para os outros!

Igual às “rachadinhas”, se existe algo errado, vale apenas para aqueles que são flagrados.

E este erro, um lapso apenas, que absurdo!, não é nem um crime e talvez seja uma simples e tosca infração de trânsito.

Dirão alguns tratar-se de um crime doloso, ou culposo, ou mero acidente inculposo.

Sendo o que for, não será um fato bem destacado como as rachadinhas por ato inescrupuloso.

Será um simples assunto de advogados e especialistas.

E no final por dissabor da vida, o culpado será o jovem que fazia o ciclismo errado, no lugar azarado, sem falar que alguém dirá que a pista deveria estar livre para o bêbado desenfrear o seu gozo alcoólico em plena esbórnia de perturbação.

Que fazer? Reclamar de Deus ou dos homens?

Se vale reclamar de Deus, vem de Jó a lição terrível, sem protestar contra o Criador que o fez padecer sem lhe causar desgosto por viver: “Se aceitamos o bem das mãos de Deus, por que não haveremos de aceitar o mal?”

Se tudo vem de Deus, a realidade nos afiança, que o mal nos acontece por contingência do viver.

Nesse contexto, há um livro notável, perdido atualmente em minha biblioteca, e que irá ficar assim, sem que eu o procure, temendo poeiras em ameaças de Covid.

Trata-se de uma reflexão ao livro de Jó, o santo homem de Deus, posto à prova em sua fé, estudo feito por Harold S. Kushner, com o título: “Quando coisas ruins acontecem a pessoas boas”.

Um tema que suscita muitas respostas, inclusive algumas que ensejam a Deus uma pedagogia terrível: “Coisas ruins também acontecem com pessoas boas. pois só assim, (ó que estupidez, incomensurável!) os aprendizados as tornarão melhores.”

Lição que outros insistem: “A dor é a sua oportunidade de cura. Aproveite-a!”

Tudo porque a dor só é curada com o tempo.

E há tempo para tudo: sorrir, chorar e até imprecar, porque Deus, em sua infinita sabedoria sabe que os homens são imperfeitos.

Como na lei dos homens só existe erro catalogado onde se quer, o cúmulo da imperfeição humana não é a rachadinha, mas um bêbado permanecer, impune e imune, sem pagar pelo seu erro.

Que Deus enxugue as lágrimas dos que sofrem.

 

 

 

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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