Sobre as eleições do PT Sergipe

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Desde o início de agosto, quando foram oficializadas as candidaturas à Presidência Estadual, que a eleição do Partido dos Trabalhadores em Sergipe é um dos principais assuntos em debate na mídia e na sociedade locais. Quase que diariamente, blogs, sites, colunas políticas, programas de rádio e jornais impressos pautam o tema. Até emissoras de televisão estiveram, por mais de uma vez, no Sindicato dos Bancários (onde aconteceu a votação do primeiro turno) no último domingo para acompanhar o processo eleitoral.

Não são poucas as razões pela quais as eleições do PT despertaram tanto a atenção da sociedade e da imprensa sergipanas: a divisão do bloco majoritário em duas candidaturas; a possibilidade de espaço para uma nova principal liderança pública do partido no estado; e as sinalizações de como esse processo eleitoral implicará nas movimentações do partido em 2014.

O PT, não apenas em Sergipe, é o partido-vidraça. De um lado, é criticado por segmentos conservadores e reacionários que não admitem os índices de desenvolvimento econômico e social e de combate à pobreza, à miséria e às desigualdades que o estado e o país vêm alcançando na década petista no Governo Federal e nos sete anos do partido à frente do Governo do Estado. Esses segmentos representam o que há de mais atrasado na política e se colocam claramente contra os direitos dos mais pobres. De outro lado, o PT recebe críticas de outros setores da esquerda (alguns situados, inclusive, dentro do próprio partido) que avaliam que poderia e ainda pode ser feito mais e melhor pelo partido que nasceu e se constituiu para organizar e conscientizar a classe trabalhadora. Esses devem ser respeitados, ouvidos e ter suas críticas acolhidas pelo partido. Por estar nessa posição em que todos os “olhos” da política se voltam para o PT, o partido poderia optar em realizar uma eleição silenciosa, sem debate público e sem qualquer instrumento de acompanhamento popular.

Mas o PT fez diferente. E se devemos “dar a César o que é de César”, aqueles que discutem política devem reconhecer que o processo que o PT atravessa nesses últimos meses é uma experiência democrática pouco vista no cenário político do país. Nesses meses de eleição interna, não apenas os dirigentes e militância do PT debateram o PT, mas a própria população se manifestou, de diversas formas, a respeito do que pensa sobre o Partido dos Trabalhadores. Nenhum outro partido se abriu e expôs as suas potencialidades e as suas fragilidades internas como fez o PT. Nenhum partido revelou com tamanha transparência o quanto há de posições divergentes internamente.

Até o próximo dia 24, quando acontece o segundo turno da disputa à Presidência Estadual, as eleições do PT continuarão em evidência na agenda de debates sergipana. Debate também não pode faltar entre os candidatos Rogério Carvalho e Márcio Macedo nesses poucos dias que antecedem a votação. O resultado do primeiro turno, inclusive os mais de mil votos recebidos pela terceira colocada – a deputada Ana Lúcia -, demonstraram que, por mais que tentem afirmar o contrário, no PT Sergipe nada está definido antes do voto do conjunto dos filiados e filiadas.

Agora, cabe aos dois candidatos à Presidência Estadual, mas não só a eles e sim a toda a militância, uma responsabilidade: entender que mais que um agrupamento ou outro, mais que um tendência ou outra, mais que um candidato ou outro, é o Partido dos Trabalhadores em Sergipe como um todo que deve sair fortalecido dessas eleições. Isso exige que o debate até o dia 24 e os debates pós-eleições internas tenham como fim preparar o partido para os desafios que estarão postos nos próximos anos. Desafios que não serão poucos.

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