SOMESE – 70 ANOS DE GLÓRIAS

A mais antiga e atuante instituição representativa dos médicos de Sergipe em funcionamento está

Eraldo Lemos
comemorando, neste sábado e  em grande estilo, seus  setenta anos de existência. Às 20 horas, no Teatro Tobias Barreto, haverá solenidade com a presença de autoridades e dirigentes da Associação Médica Brasileira, quando será prestada uma homenagem especial ao médico Eraldo Lemos, 85, um dos mais atuantes líderes da classe médica de Sergipe. Ele participou da Assembléia de fundação da Associação Médica Brasileira, ocorrida em 1951, em São Paulo, comandada pelos professores  Jairo Ramos e Alípio Correia Neto, terminando este como primeiro presidente da AMB e Eraldo como sub-tesoureiro. A primeira diretoria possuía apenas 8 cargos.

Em 1937, com Augusto Leite na liderança do processo, foi fundada a Sociedade Médica de Sergipe. Ele manteve-se por 12 anos no comando da entidade, sendo substituído em 1949 por José Machado de Souza. Seu sucessor, o alienista Garcia Moreno assumiu a presidência em 1952. Em 1954, regressou Machado de Souza.  Na década de 50 a SOMESE experimentou uma de suas fases mais áureas e de grande prestígio político. Afinal, seu presidente, Dr.Machado,  era o vice-governador do Estado comandado pelo udenista Leandro Maciel. Leandro conseguiu eleger seu sucessor: Luiz Garcia. Machado, com o apoio decisivo de Carlos Firpo, passou o comando da SOMESE para Canuto Garcia Moreno. A partir dessa administração, formou-se um bloco forte e consistente que comandou a medicina de Sergipe por uma década, com realizações de grande importância para o seu desenvolvimento, só para citar a fundação da Faculdade de Medicina em 1961, por Antonio Garcia Filho. Além de Secretário da Educação, Saúde e Cultura, ele comandava a Sociedade Médica de Sergipe.

Eraldo Lemos, que reside em Aracaju, aos 85 anos, apresenta ainda hoje uma condição física invejável e uma memória privilegiada. Homem culto, além da Medicina, formou-se também em Direito e exerceu funções de jornalista, escritor, poeta, e político de erudita oratória. Foi Deputado Estadual, Federal e Suplente de Senador por dois mandatos. Na história da Medicina de Sergipe, nas décadas de 40, 50 e 60, seu nome esteve presente liderando movimentos, sempre à frente do seu tempo. Pois bem, esse vulto sergipano será o único homenageado, na solenidade dos 70 anos da SOMESE, pela Associação Médica Brasileira, que lhe fará a entrega de uma placa especial, pelo Presidente da entidade José Luiz Gomes do Amaral e pelo ex-presidente Eleuses Vieira de Paiva. Após a homenagem, haverá um concerto da Orquestra Sinfônica de Sergipe e a apresentação do músico Wagner Tiso. Encerrando a programação, acontecerá uma festa de congraçamento no Salão de Exposições do Centro de Convenções.

Eraldo Machado de Lemos nasceu em 06 de maio de 1922, na Fazenda Paraúna, Brejo Grande-SE, situada na foz do Rio São Francisco, filho de Manoel Machado de Lemos e Isaura Machado de Lemos. Formou-se pela Faculdade de Ciências Médicas do Rio de Janeiro (atual UERJ), na turma de 1947. Exerceu as atividades profissionais de médico em Sergipe e na Bahia. Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Uiversidade Federal de Alagoas em 1954, chegando a exercer a atividade profissional de advogado. Foi líder estudantil, Presidente do Diretório Acadêmico nos seis anos da Faculdade de Medicina, Secretário Geral e Presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Participou da Assembléia de fundação da Associação Médica Brasileira  e foi da sua primeira diretoria  em 1951, comandada pelo Prof. Alípio Correia Neto. Atuou na Associação Baiana de Medicina. Deputado Estadual de 1947 a 1951. Teve grande participação e importância nos movimentos da categoria médica na década de 50. Deputado Federal por dois mandatos, de 1966 a 1974 e Presidente Nacional do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários – IAPC, de 1957 a 1959, nomeado pelo Presidente Juscelino Kubitschek, onde realizou plano verdadeiramente inovador do ponto de vista social, permitindo aos segurados a aquisição da casa própria. À época, contava apenas com 35 anos de idade. Como jornalista, publicou diversos trabalhos sobre economia, previdência social, demografia e assuntos políticos e foi membro da Associação Baiana de Imprensa. Foi agraciado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio Grande do Sul com o título de Sócio Benemérito e com o título de Cidadão Carioca, outorgado pela Câmara de Vereadores do Distrito Federal, hoje Rio de Janeiro, na década de 50. Em 14 de junho de 1960, foi condecorado pelo próprio Presidente JK com a “Medalha de Instalação do Govêrno da República”, pelos valiosos serviços prestados por ocasião da transferência da Capital da República para Brasília. Seu irmão, Mário Machado de Lemos, também médico, foi Ministro da Saúde.

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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