SOMESE – 75 ANOS DE GLÓRIAS

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      A mais antiga instituição representativa dos médicos de Sergipe em funcionamento está comemorando, nesta quarta-feira, setenta e cinco anos de existência. Refiro-me à Sociedade Médica de Sergipe – SOMESE – que tive a honra de presidir por dois mandatos, de 1993 a 1997.
     Entretanto, ela não é a primeira entidade representativa da classe médica de Sergipe. Em 1911 surge a Sociedade de Medicina de Sergipe, sob o comando dos médicos Daniel Campos e Helvécio de Andrade. Não dura muito, apenas um ano, mas nesse curtíssimo tempo, consegue publicar a primeira revista médica do estado.
       Nova tentativa de organização associativa somente acontece oito anos depois, com a criação da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Sergipe, em julho de 1919, agora sob o comando do médico clínico Francisco Quintiliano da Fonseca, com a participação ainda de jovens médicos que começavam a se destacar no cenário da nossa medicina,  entre eles os cirurgiões Eronides Carvalho, Juliano Simões e, especialmente, Augusto Leite.
       Na década de 20, até a data da inauguração do Hospital de Cirurgia, ocorrida em 1926, a entidade exerce papel preponderante na elaboração das políticas de saúde do governo Graccho Cardoso. Nesse período de efervescência científica, Graccho traz a Aracaju o sanitarista Paulo de Figueiredo Parreiras Horta, auxiliar de Osvaldo Cruz, que implementa importantes ações de saneamento e controle de endemias e que culmina com a criação do instituto que mais tarde, em justa homenagem, recebe o seu nome.
        Com o funcionamento do novo hospital, Graccho oferece a Sergipe finalmente um verdadeiro “ambiente cirúrgico”, nas palavras de Augusto Leite. Curiosamente, a partir daí, a entidade classista  entra  em fase de declínio e ninguém mais ouve falar dela. Somente em 27 de junho de 1937, agora com Augusto Leite na liderança do processo, surge a atual Sociedade Médica de Sergipe – SOMESE –  com sua diretoria tomando posse na sede da Biblioteca Pública.
        No período da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) não se tem registro de ações importantes da entidade médica, mas em 1945 ocorre o que pode ter sido o primeiro movimento organizado da categoria médica. Uma reunião plenária, com a participação de vários médicos, sob o comando de Eraldo Lemos e Antonio  Garcia, define as principais ações de luta da categoria: a criação do conselho de classe, que na oportunidade os presentes se manifestaram contrários e não aprovaram, a implantação de um piso salarial e a fixação de médicos nas cidades do interior do Estado.
       Augusto Leite mantém-se por doze anos no comando da Somese, sendo substituído em 1949 pelo pediatra José Machado de Souza. Seu sucessor, o alienista João Batista Perez Garcia Moreno, assume a presidência em 1952 e a devolve em 1954, a Machado de Souza.  Nessa fase, os médicos começam a sonhar com a instalação de uma escola médica, chegam a criar uma Sociedade Mantenedora em 1953  mas o processo não evolui. 
      Na década de 50 a SOMESE experimenta uma de suas fases mais áureas, de grande prestígio político. Seu presidente, o Dr. José Machado de Souza, exerce o cargo de vice-governador do Estado, no governo do udenista Leandro Maciel. Machado, com o apoio decisivo de Carlos Firpo, médico e diretor do Hospital Santa Isabel e ex-prefeito de Aracaju, passa o comando da SOMESE para o cirurgião Canuto Garcia Moreno. A partir dessa administração, forma-se um bloco forte e consistente que comanda a medicina de Sergipe por uma década, com realizações de grande importância para o seu desenvolvimento, destacando-se a fundação da Faculdade de Medicina em 1961, instalada por Antonio Garcia Filho após superar  indiferenças e obstáculos de todas as naturezas. À época, ele também presidia a Sociedade Médica de Sergipe.
       Ainda na década de 50, nacionalmente, a classe médica se organiza com a fundação da Associação Médica Brasileira – AMB, em São Paulo e  um sergipano participa ativamente desse momento histórico, fazendo parte inclusive de sua primeira diretoria: Eraldo Machado de Lemos. A partir da década de 40, seu nome é sempre citado em todos os movimentos médicos do Estado.
        A SOMESE ainda não possuía sede própria, suas reuniões aconteciam na Biblioteca Pública e no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe e somente  em 1968, na administração de Hugo Gurgel, com a ajuda do Governador Lourival Baptista, isso vem a acontecer.  À frente da SOMESE até 1969, Hugo conta com o apoio de valorosos companheiros, como  Alexandre Menezes, Gileno Lima, José Leite Primo, Dalmo Melo.
        A SOMESE participa dos primeiros passos para a fundação do Sindicato dos Médicos, criado na década de 60 e apoia a instalação da Unimed Aracaju, fundada em 1984 e que por dois anos funciona gratuitamente em uma sala da entidade. A Somese ainda tem participação decisiva e fundamental para a fundação da Academia Sergipana de Medicina, ocorrida no final do século XX ( 9 de dezembro de 1994), graças à determinação e ao esforço  do médico Gileno da Silveira Lima. Ainda hoje a Academia funciona na sede da SOMESE, com seu total e irrestrito apoio.
         As diretorias da SOMESE que se sucedem de Hugo Gurgel até então, cada uma com suas características e realizações, menos ou mais empreendedoras, vêm mantendo  acesa a chama do associativismo médico, com inestimáveis serviços prestados à comunidade. No momento em que se comemora essa efeméride, não custa cobrar dos colegas médicos o compromisso de prestigiá-la, participando com entusiasmo  da vida de sua entidade maior. 
        Traçando um paralelo histórico, não foi por acaso que as duas maiores conquistas da medicina sergipana do século passado, o Hospital de Cirurgia e a Faculdade de Medicina, tiveram como fundadores respectivamente os presidentes das entidades médicas de então, em pleno exercício de suas funções: os doutores  Augusto Leite, comandando a Sociedade de Medicina e Cirurgia e Antonio Garcia Filho, liderando a Sociedade Médica de Sergipe.

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