Somos informados ou direcionados?

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  Neste período eleitoral foram vários e-mails recebidos, analisando o papel da imprensa não só em Sergipe, mas em todo país. Agora, com o segundo turno da disputa para a presidência da República, nacionalmente vários analistas políticos voltam a questionar o papel da imprensa. Um leitor de Sergipe enviou para a coluna ontem alguns argumentos interessantes. Abaixo a analise do leitor com a opinião deste jornalista.

  A suposta classe média e a elite sergipana e nacional realmente podem se considerar bem informada? A pergunta que proponho, muito mais que um recurso de retórica se baseia numa constatação que qualquer um de nós pode obter ao questionar não mais que uma dezena de pessoas. Sugiro que qualquer um tenha a curiosidade de interpelar um amigo, um vizinho, alguém  do círculo social, nos seguintes termos: Você assiste a algum telejornal além do  Jornal Nacional? Você lê alguma revista semanal além da ” Veja” ? Você conhece a ” Carta Capital” ? A ” Caros Amigos” ? O site Agência Carta Maior? O Observatório da  Imprensa?

  Não mais que essas simples perguntas podem ser desdobradas em uma análise mais profunda. A superficialidade da cobertura da imprensa, muitos mais ligada a uma opção  política e ao atendimento dos interesses dos patrocinadores do que na descrição da  realidade nacional é claramente observada no noticiário telegráfico e simplista.

 Sabe-se com nitidez, que a mídia reproduz num círculo vicioso o seguinte modelo : O  telespectador e o leitor de jornal e revista  ” não tem muito tempo a perder” . “A mensagem deve ser concisa, direta e a manchete deve ser atrativa e polêmica”. Por outro lado, o “consumidor” aceita esse modelo e com isso realimenta sua idéia de que a mensagem recebida é a única necessária e a suficiente.

  A verdade é que o segundo turno eleitoral está fazendo com que estudiosos, analistas e profissionais do ramo identifiquem a ocorrência de um fenômeno de descolamento da influência dos veículos da mídia na definição das intenções de voto. Alguns não entendem porque mesmo a chamada grande mídia tendo um comportamento anti-Lula, o candidato à reeleição vem mantendo-se à frente das pesquisas eleitorais. Chegam a comparar com a eleição de Collor, em 1989, onde a grande mídia exerceu enorme influência.

 O professor da UNB, Venício Lima, ao debater sobre o assunto lembrou que “os analistas políticos sempre acreditaram que são formadores de opinião. Gostam da idéia de que a opinião deles é a que normalmente vai prevalecer. Eles pensam que são opinião pública”. Já o colunista da Carta Maior Emir Sader criticou duramente a posição dos colegas trazendo como causa da força de Lula o conjunto de políticas promovido pelo governo. “Não vão aprender, colocaram a culpa no povo, com a esperança – como disse Lula – de dissolver o povo, de substituir o povo por outro, dos seus sonhos. Quem é essa imprensa, para se reivindicar a missão de fiscalizar os governos? Que moral tem para isso? Quem lhes entregou esse mandato? Pelo voto popular, ninguém. Eles se reivindicam a si mesmos”.

   Aqui em Sergipe, boa parte da mídia também foi manipulada. Parece que os meios de comunicação precisam mudar em alguma coisa, principalmente terem mais cautela e serenidade. Uma parcela significativa da população começa a acordar contra a manipulação e o direcionamento. Espera-se que daqui há alguns anos não seja necessário perguntar novamente: somos informados ou direcionados?

 

Manifesto por uma mídia democrática e independente

Foi enviado ao Ministério Público Federal um Manifesto por uma mídia democrática e independente assinado por diversas entidades representativas da sociedade brasileira, mostrando, entre outras coisas, dados referentes a semana que antecedeu ao primeiro turno das eleições, que registram uma brutal escalada de parcialidade e improbidade da grande mídia brasileira. Leiam o primeiro parágrafo: “Considerando que o direito ao acesso à informação é um direito fundamental nas sociedades democráticas modernas; que os meios de comunicação são concessões públicas e, portanto, devem prestar contas à opinião pública — ao invés de pretenderem conduzi-la e adestrá-la —, e que não pode haver eleições livres quando apenas um lado detém o monopólio das menções positivas na mídia, nós, que assinamos este documento na condição de consumidores de informação e eleitores brasileiros, manifestamos nossa indignação e nosso repúdio diante da acintosa parcialidade e do completo partidarismo com que parcela muito expressiva da grande mídia brasileira, isto é, os meios de comunicação de alcance nacional, têm atuado na presente conjuntura eleitoral”. Leia o manifesto completo em: http://www.petitiononline.com/b1a2j3o4/petition.html

 

Enquanto isso o desespero continua…

E o desespero toma conta de alguns profissionais da comunicação que têm cargos gordos no Governo do Estado, mas na verdade prestam seus “serviços” em determinado órgão de imprensa. Tem um que não assina o que escreve e está desesperado porque usa o espaço para publicar “jabás” de alguns deputados e de quebra agora acender uma “vela para Deus e outra para o diabo” com a assessoria de um polêmico senador. Para desespero de alguns, o espaço desta coluna será mantido da mesma forma. Aliás, a diferença aqui é que as criticas e elogios continuarão, para João, Deda, Albano e todos os outros. Não tem meio termo, não tem verba publicitária de Governo do Estado ou empresas governamentais, nem agora nem no próximo ano. Enquanto alguns só pensam em cargos comissionados este colunista só pede respeito a imprensa. Essa é a diferença! Por isso o desespero de alguns órfãos do atual governo  com  o aumento da venda de maracujina nas farmácias de Aracaju.

 

Por falar em cargos comissionados…

De um leitor: “Um assunto que desperta minha curiosidade e indignação, é o uso que se faz dos cargos públicos o famigerados “CCs” e outros, para servirem como cabide de emprego dos familiares, agregados, protegidos dos “lideres” ou mais apropiadamente “chefes” políticos derrotados, que historicamente tem se utilizado principalmente da Casa Civil para essa arrumações. Corre a “boca pequena” que a folha de pessoal da Casa Civil é nominalmente maior do que a da Secretaria de Educação. Com sua rede de informação privilegiada não seria possível fazer esse levantamento e clarear esse assunto para a sociedade sergipana?”. Vou tentar caro leitor, vou tentar. Quem sabe a partir do dia primeiro de janeiro essa relação seja revelada…

 

Coluna errou quando colocou Albano como fiel da balança

No decorrer do período das convenções partidárias a coluna errou feio ao analisar que o apoio de Albano Franco seria o fiel da balança na eleição estadual. Ontem, um leitor atento lembrou deste fato, que não foi apenas analisado por esta coluna, mas por vários meios de comunicação. “Me lembro que muito se falava em Albano. O homem era disputado por todos. O valor do passe desse “atleta político” estava nas alturas. Até Zé Eduardo comprometeu sua eleição esperando por Albano. Me lembro que quando João apresentou Albano para a plateia enlouquecida no ginásio Constâncio Vieira,  parecia que ali estava a certeza de uma reeleição garantida. João e Albano, Albano e João,  um filme já assistido antes. Hoje eu me pergunto, não será  que valorizaram Albano demais? Não foi um exagero achar que Albano era um  divisor de águas e que decidiria a eleição para uma lado ou para outro? Hoje  os números mostram um João derrotado e um Albano humilhado em terceiro lugar para deputado federal”. É, o leitor tem razão.

 

Outros movimentos  Pró-Deda

No último final de semana a coluna publicou uma entrevista com representantes do movimento suprapartidário Liberte-Se, em defesa das candidaturas de Deda, José Eduardo e Lula. A coluna recebeu alguns e-mails registrando que a candidatura de Deda também teve outros movimentos, como o Muda Sergipe, o Amigos Bancários e Educação em Ação, que contaram com a participação e a coordenação de militantes, educadores, bancários e profissionais de várias áreas.

 

Ivan Leite lembra uso do sufixo SE, pela Emsetur

Ainda sobre a entrevista de representantes do movimento Liberta-SE, o atual prefeito de Estância e ex-secretário de Indústria, Comércio e Turismo, no Governo Albano Franco, entre os anos de 1995 a 1998, Ivan Leite, lembrou que “a idéia de utilizar o sufixo SE em maiúscula dando o duplo sentido de : – de se, a si próprio, e de SE o estado de Sergipe , começou naquele período”.Ivan lembra que era presidente da Emsetur à época Luiz Eduardo Costa, que deve se recorda dos outdoors tipo “Divirta-SE”.

 

Deda enfrenta a agonia do 2º turno na campanha pró-Lula

Um fenômeno ocorre atualmente na campanha que Deda vem realizando em Aracaju e vários municípios pró-Lula. São poucos os candidatos eleitos ou não que estão acompanhando a campanha no dia-a-dia. Com exceção de Jackson Barreto, o mais votado para deputado federal em todo Estado, são poucos os políticos que estão nos atos.  A coluna vai lembrar dos que se elegeram e os que não se elegeram. Aliás, se muitos que sumiram agora vão aparecer muito depois da posse de Deda no Governo do Estado. Arrepare! Como bem diz Osmário.

 

Fundo para compra de computadores

Uma denúncia está sendo formulada num importante órgão federal para que seja apurada a denúncia de que o Fundo criado por uma lei estadual para compra de computadores para os professores tenha sido sacado dias antes da eleição de primeiro de outubro. Se a denúncia é verdadeira ou não, é preciso investigação, agora que está suspensa as compras de mais 3.800 computadores para professores que estão cadastrados isso é verdade.

 

Texto de Ricardo Leite em 2001, defendendo a ponte Aracaju/Barra

“Plano aparentemente mirabolante, a ponte Rio-Niterói de 14 quilômetros foi construída apesar dos incrédulos e pessimistas. Hoje é da iniciativa privada — transferência permitida por Lei Federal. Cruzar um rio, buscar a outra margem é um desejo inato de todos nós. A vida é cheia de rios, cabe a nós construirmos nossas pontes. Simbolicamente, a ponte Aracaju-Barra representará a disposição de enfrentarmos as barreiras naturais, com tecnologia e destemor, buscando o progresso do Estado e uma vida melhor para nossa gente. Seguramente já estivemos mais longe. Quem viver verá”. Parágrafo final do artigo “A Ponte para o Progresso”, do advogado Ricardo Leite, em 2001, quando era secretário do Instituto Tancredo Neves e o presidente era Marcos Prado Dias.

 

Em Propriá, problemas graves na Deso

Em Propriá, as reclamações são muitas contra o responsável pelo atendimento da empresa na cidade que é apadrinhado do prefeito Luciano Nascimento. São várias denúncias envolvendo até mesmo roubo e a direção da empresa não faz nada. Uma das denúncias feitas da conta de que quando um usuário vai fazer um acordo da dívida que tem com a Deso, devido as contas atrasadas, ele pede que a pessoa traga um determinado valor, e quando o usuário pede o recibo ou algo que comprove o pagamento ele diz que não é necessário. Essas denúncias foram feitas em uma emissora de rádio local e nada foi feito. Passada as eleições o responsável da Deso em Propriá começou a cortar as contas de quem está em atraso. Detalhe: só corta das casas onde sabe que os usuários votaram em Deda.  E a direção da Deso? Fecha os olhos. Aliás, se abrirem os olhos têm que começar a faxina dentro da própria sede da empresa.

 

 

Entrevista de Deda na Folha de São Paulo

Com o ´titulo “Déda diz que “estilo paulista” fracassou no PT – Partido “não pode ficar preso a um centro de gravidade que transforma disputas paroquiais em crises nacionais”, diz governador eleito”, o governador eleito concedeu a entrevista abaixo a Folha de São Paulo que foi publicada na edição de ontem. Leia toda entrevista concedida ao jornalista da agência Folha, Thiago Guimarães. Descolado dos recentes escândalos que cercam o PT, o governador eleito de Sergipe, o petista Marcelo Déda, 46, quer que o “PT que está dando certo” tenha voz no partido. Representante de uma geração de petistas que afirma querer distância de mensalões e dossiês, Déda advoga a quebra do “centro geográfico” do PT em São Paulo. Ele afirma que o “estilo paulista” de condução da legenda fracassou e deve incorporar a influência das novas lideranças que saem das urnas. O petista, que irá governar o menor Estado da Federação, afirma que a eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não pode implicar a anistia de correligionários envolvidos em escândalos. Por isso defende a expulsão de petistas envolvidos na crise do dossiê contra tucanos e aposta na melhora eleitoral de Lula em seu Estado -no qual o presidente teve o pior resultado no Nordeste no primeiro turno. Formado em direito e pai de quatro filhos -três do primeiro casamento e um do segundo-, Marcelo Déda Chagas nasceu no município de Simão Dias (110 km de Aracaju). Militou no movimento estudantil e aos 25 anos, em 1985, foi segundo colocado na eleição para prefeito de Aracaju. No ano seguinte foi eleito deputado estadual com votação recorde no Estado: 32 mil votos. Em 1990, voltou a ser derrotado na disputa pela Prefeitura de Aracaju, mas foi eleito deputado federal em 1994 e reeleito em 1998. Em 2000, foi eleito prefeito de Aracaju. Reeleito em 2004, renunciou em março deste ano para concorrer ao governo do Estado. Venceu já no primeiro turno com 52,46% dos votos válidos. Leia a seguir os principais trechos da entrevista:  

 

FOLHA – Após eleito, o sr. defendeu a quebra do “centro geográfico” do PT em São Paulo. Disse ainda que o PT paulista, outrora “cérebro e coração” do partido, tornou-se “intestino com diarréia terrível”. Quais mudanças o sr. defende no PT?

MARCELO DÉDA – O PT virou um partido nacional. Não pode ficar preso a um centro de gravidade que transforma disputas paroquiais em crises nacionais. Esse estilo paulista de conduzir o PT fracassou. Não é caça às bruxas, mas é preciso que o PT comece a ouvir o PT que está dando certo. Todo o processo de organização interna tem que ser revisto. Não me peça fórmula mágica. Mas é preciso rediscutir a convivência interna. Chega de guerra civil no PT.

 

FOLHA – O senhor já citou os governadores eleitos da Bahia e do Piauí, Jaques Wagner e Wellington Dias, e o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, como petistas com reconhecimento popular mas sem destaque no comando do partido. Qual deve ser o papel do sr. e desses petistas no partido daqui para a frente?

DÉDA – Vamos acabar com esse complexo de patinho feio. Queremos que o sucesso político e eleitoral dessas seções do partido e dessas lideranças se transforme em força de decisão no PT. Não é disputa de espaço, isso seria amesquinhar o debate. É traduzir aquilo que a democracia revelou nas urnas: novas lideranças, com novas idéias e novas atitudes, assumindo responsabilidades internas no PT.

 

FOLHA – O governador eleito Jaques Wagner defendeu a expulsão do partido de petistas envolvidos no episódio do dossiê. O sr. concorda?

DÉDA – Todos aqueles que tiverem vínculo comprovado nesta desastrada operação -desastrada do ponto de vista político e ético, e criminosa do ponto de vista legal- obviamente têm que pagar o preço e se afastar da convivência do PT.

 

FOLHA – Em caso de reeleição do presidente Lula, como o sr. avalia que o governo deve agir para retomar as rédeas do processo político nacional?

DÉDA – A vitória de Lula não perdoa o PT pelos seus erros. A eleição do presidente não pode ser vista como uma anistia aos equívocos que cometemos. Precisamos enfrentar o dilema de superar os equívocos e reconstruir o partido. A grande dimensão do segundo governo de Lula é a do estadista. De alguém que será capaz de costurar um projeto nacional que seja capaz de traduzir não apenas o que o PT ou a base aliada pensam, mas aquilo que o Brasil pretende e precisa.

 

FOLHA – O desempenho eleitoral de Lula em Sergipe no primeiro turno foi o pior entre os nove Estados do Nordeste. Faltou empenho do sr.? E no segundo turno?

DÉDA – Não, jamais. Aqui houve, além de todos os problemas nacionalmente avaliados, um dado objetivo: a transposição do rio São Francisco foi rechaçada. Eu sou contra. É um tema que o presidente precisa reabrir. Para o segundo turno, temos grandes condições de mudar. Primeiro, o Nordeste trabalha com o chamado “risco Alckmin”: as posições históricas do PSDB e do PFL. Posições de cortes nos gastos públicos, cuja conseqüência, em linguagem de gente, é redução de programas sociais.

 

Frase do Dia

“Gosto que haja dificuldade em minha vida, pois quero e espero superá-las. Sem  obstáculos não haveria nem esforço, nem luta, e a vida seria insípida”. Kahlil Gibran.

 

 

 

 

 

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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