Tarados, haja tarados!

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Algumas mulheres americanas estão furibundas.

Enfurecidas e encolerizadas com os homens que as levaram para cama à contragosto.

Um constrangimento que repentinamente aflorou, após uma encubação de décadas, qual vingança maligna de bruxaria sem maçã envenenada, a invejar a Branca de Neve, os seus Sete Anões, e até o Príncipe Encantado, que a beijou desprevenida, indefesa e inconsciente.

Agora, conscientemente lideradas por Oprah Winfrey, uma apresentadora de TV laureada com o prêmio Cecil B de Mille, pelo conjunto da obra nos Estados Unidos, e só ali, as mulheres se vestiram de preto para dizer que o seu sucesso nas telas do show business, acontecera mediante antiga profissão, remunerada bem ou pouco, em ralas desvergonhas, mundo à fora; a venda de carícias.

E neste excesso de falta de vergonha anunciada, mulheres belas, e outras não tanto, retiraram o véu que as entristecia, relatando sem dolo, culpa ou gemido, aquele feito longínquo, de concedida indecência, por cedência bem consentida, repicada sem replique, nem ensejar rasa vergonha, é bom repeti-lo, porque o gozo dito roubado agora, por abusado e sexualmente explorado, nunca lhes fora tão atrevido, mesmo porque nunca fora reclamado, por mal pago ou não recebido, uma paga que em verdade estava bem acima do real preço do mercado.

Não! Ninguém ouviu uma reclamação “xexeira”, como se dizia então daqueles que enganavam as meretrizes pobres, passando um “xexo”, caloteando as meninas que faziam ponto, ao largo do "Bar do Pinto", na Rua da Frente, cenário em que os Gazeteiros, hoje mortos ou decrépitos, iam elucubrar as suas inspirações editoriais, cinquenta anos passados.

Não! Não houve “xexos”. Nem aqueles de Cabíria, personagem título de Federico Fellini, que em “Noites de Cabíria”, discorreu sore a ternura e inocência da prostituta enganada, refém da sedução contumaz, explorada pelo homem, qualquer homem de seu entorno.

As Noites de Cabíria com Giulietta Masina, esposa de Federico Fellini.

Diferente de Cabíria, as mulheres de negro confessaram-se enojadas, denunciando que foram “fodidas e mal pagas”, só para usar um termo que não deveria lhes caber jamais, enquanto má memória, porque só é utilizado quando alguém faz algo e no final se dá mal. Alguém que se arrombou de fato, ou se ferrou, como dizem os pudicos e educados.

Educação, à parte, os homens em nenhuma circunstância deveriam abusar das mulheres.

Isto é: ninguém tem o direito de abusar do outro; seja ele homem, mulher, criança, vulneráveis ou não.

E quem não é vulnerável perante o outro?

Todavia, pelo discurso das mulheres de negro, só elas são vulneráveis!

Queriam crescer, se destacar, coitadas, e aí consentiram sorrindo, aquilo que não deviam ceder nem com gemido, como bem recomendaria a boa formação humana; dos meninos e das meninas.

Mas, pelo discurso das damas de negro, os homens são terríveis; tarados e perigosos. Uma espécie de cruzada contra o poder fálico que enseja desejo e moteja poder.

No entanto, feliz da mulher que encontra o seu homem para toda a vida.

E vice e versa, por inserção necessária! Infelizes são aqueles que não os encontram, jamais. Isso em regra!

E que não se fale em exceções! Porque sempre se pode falar de outros consolos e missões.

E outras exceções e insubmissões que o mundo está a exibir em farta exposição anfótera, das quais prefiro incluir-me bem distante.

Distância também dessas mulheres horrorosas, posando de luto, invocando um empoderamentos hostil contra os homens, os únicos que as podem felicitar por criação divina.

É quando me vem a cabeça alguns fatos, porque a relação amorosa não é fácil, a despeito da compatibilidade de fechos e gazuas, a ponto de suscitar engenhocas medievais, como cintos de castidade.

Porque o abuso sexual é o primeiro despojo das batalhas, e o estupro é a regra comum por conta desse amoldar da aldrava com o que a destrava. Isso em tempo de batalha, quando toda a violência se não é permitida é esperada e pouco lamentada.

O abuso sexual como despojo de guerra é tema de Vittorio De Sica e Sophia Loren.

Neste particular, vale relembrar outro filme italiano: “Duas Mulheres”, de Vitório de Sica e Alberto Morávia, com Sophia Loren, belíssima, e Eleonora Brown, estupradas como repasto de guerra numa Igreja.

Poder-se-ia falar também do rapto das sabinas, sem o qual Roma não teria sido império, com Romulo e Remo restando inférteis, mesmo mamando em loba.

Ou seja, o abuso sexual é algo inerente aos desejos animalescos do humano.

Porque os humanos, diferente de outros mamíferos, copulam, não por pura preservação da espécie, fazendo-o por prazer, sobremodo.

É uma característica do humano, que o difere de outros mamíferos que só se acasalam em dias específicos, os chamados cios, nos quais os indivíduos machos se entregam a combates mortais na conquista das fêmeas.

Há quem diga que este desejo nos humanos se faz mediante exsudação de ferormônios, suscitando o apetite e o desejo sexual entre os pares.

Neste contexto, há quem fale em Sex Appeal, enfatizando a atração sexual, sobremodo utilizada pela indústria da moda, a fotografia e o cinema em particular, com a mulher sendo oferecida como lauto repasto à boa mesa como deguste.

Uma coisa maravilhosa, diga-se de passagem, sobremodo com Catherine Deneuve, setentona firme, e bonita. “Belle de la fin de Jour, encore et toujours”, defendendo a liberdade do homem “poder importunar”, considerando-a indispensável à liberdade sexual”.

Catherine Deneuve – Caroline De Haas: a batalha das feministas enfurece.
O manifesto assinado por 100 mulheres, entre as quais Catherine Deneuve, por defender a ‘liberdade de importunar’ suscitou uma viva hostilidade da parte de Caroline De Haas e de outras militantes feministas que denunciam uma reação do “velho mundo”. Extrato do Le Figaro de 15/01/2018.

Para concluir, desejo me arrimar em um poeta e em um casca grossa antipoeta.

O poeta, Vinícius de Morais, bem disse sem ofender; “Que me perdoem as feias, mas beleza é fundamental!”

O grosseiro antipoeta é o inominável que lhe tentou enunciar um corolário escrachado e pé-de-atleta em que há mulheres estupráveis, e outras não; uma questão de desejo e ocasião, e muito deboche por deseducação.

O assunto, porém, não é um debate entre o esteta e o pateta, porque o meu desejo é concluir contra as mulheres americanas e a favor das francesas. Sobretudo pela beleza, como o demonstra a fotografia colhida no Le Figaro, que utilizo como ilustração.

Até porque não concordo nem com o poeta, nem com a grosseria abjeta.

Se homem feio nasce morto, mulher feia não existe. O que existe mesmo é muita insatisfação de ambas as partes. E muitos deseducados e desajeitados que almejam mais do que merecem.

Que os homens sejam mais carinhosos, apenas. E que não haja tarados! Só isso!

Não lhes exijam mais que isso, ó mulheres de verve negra!

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